Por Marina Menin, diretora do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina
O Brasil, segundo a Embrapa, é responsável por alimentar cerca de 800 milhões de pessoas ao redor do mundo, um feito que posiciona o país como peça-chave na segurança alimentar global. Mas esse protagonismo vai além da produção: temos a oportunidade estratégica de liderar a transição para uma agricultura de baixo carbono.
A agricultura brasileira já figura entre as mais sustentáveis do planeta, sendo pioneira em práticas regenerativas como o plantio direto, adotado desde a década de 1970. Essa abordagem conserva o solo, reduz emissões e contribui para o sequestro de carbono, tornando o setor agrícola um aliado no combate às mudanças climáticas.
Esse avanço tem raízes profundas, a chamada Revolução Verde, que marcou o século XX, transformou a agricultura nacional por meio de inovações tecnológicas, novas técnicas de manejo e o desenvolvimento de cultivares de alto rendimento. Instituições como a Embrapa foram fundamentais nesse processo, promovendo pesquisas e soluções que elevaram a produtividade e permitiram a expansão da soja no cerrado, a adoção de sistemas integrados e o uso da agricultura de precisão.
Neste caminho, o Brasil consolidou sua posição como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, contribuindo decisivamente para o abastecimento global. Hoje, com o avanço da ciência, o acesso a dados e a digitalização do campo, estamos prontos para escalar ainda mais as práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva, aumentando a eficiência da produção e regenerando o meio ambiente ao mesmo tempo.

Diante dos desafios climáticos e da crescente demanda por alimentos, a Bayer propõe a agricultura regenerativa como a visão de futuro para o setor. Trata-se de um modelo que alia produtividade e sustentabilidade, com práticas capazes de transformar a agricultura global. Em termos simples exatamente, produzir mais com menos, enquanto se devolvem benefícios à natureza.
Essas práticas promovem ganhos reais: preservam e regeneram recursos naturais, aumentam a produtividade e geram renda para agricultores e comunidades. Um solo saudável, por exemplo, é mais resiliente a eventos climáticos extremos e tem maior capacidade de armazenar carbono, o que contribui diretamente para a estabilização do clima local e global. Além disso, melhora a eficiência no uso de insumos, reduz custos e abre portas para mercados cada vez mais exigentes em rastreabilidade e impacto ambiental.

Para que a agricultura regenerativa e de baixo carbono avance, é essencial superar barreiras técnicas e científicas. Isso também exige o envolvimento de instituições de pesquisa e parcerias público-privadas, capazes de identificar e validar práticas agronômicas que sequestram mais carbono, mantêm esse carbono no solo por mais tempo e reduzem as emissões das operações agrícolas.
Nos últimos anos, a Bayer tem atuado ao lado de agricultores e parceiros como a Embrapa para enfrentar esses desafios. Com mais de 1.900 produtores envolvidos e 300 mil amostras de solo analisadas, construímos soluções baseadas em ciência e dados, que ajudam a tornar a agricultura brasileira mais sustentável e regenerativa. Desde 2020, por meio do PRO Carbono, apoiamos agricultores na intensificação de práticas de manejo conservacionistas com potencial de aumentar a produtividade e o sequestro de carbono.
Os benefícios estimados para os produtores participantes de programas da plataforma de soluções regenerativas da Bayer, o PRO Carbono, até hoje são de ganho médio de mais de 11% de produtividade e 16% de sequestro de carbono em suas áreas. Também anunciamos o desenvolvimento da calculadora Footprint PRO Carbono desenvolvida em parceria com a Embrapa, uma importante ferramenta para adaptar o cálculo da pegada de carbono da produção de grãos à realidade do sistema agrícola brasileiro.

Pensando em integrar diferentes elos da indústria, lançamos, em 2023, uma solução para empresas mensurarem a sua pegada de carbono advindas da agricultura. Entregamos a primeira carga de soja com pegada de carbono mensurada e livre de desmatamento, com transparência e rastreabilidade de informações.
Assim, estamos ajudando a construir as bases para um ecossistema que já está beneficiando não só os agricultores, mas toda a cadeia, comprovando que é possível produzir mais em um mesmo hectare, devolvendo benefícios à natureza e ao produtor rural. Esta construção, fez do PRO Carbono, hoje, uma plataforma de soluções regenerativas da Bayer, que combina inteligência, estratégia e presença no campo para gerar valor em toda a cadeia, no presente e no futuro – oferecendo soluções que tornam a agricultura regenerativa uma realidade na América Latina.
Entender como cada prática, cada decisão e cada tecnologia contribui para um sistema mais equilibrado é a chave para que os produtores se tornem agentes de transformação. E a Bayer está ajudando a construir este ecossistema.


