A matemática da prosperidade: cooperativas e o salto de renda nas comunidades

Integração, governança e inclusão explicam impacto crescente e contínuo

O cooperativismo brasileiro vive um ciclo consistente de expansão com efeitos diretos na renda e no emprego. Em 2024, o movimento alcançou 25,8 milhões de cooperados em 4.384 cooperativas, presentes em 3.586 municípios — capilaridade que ajuda a explicar por que o setor se tornou um motor de desenvolvimento local e inclusão econômica. Em termos de atividade, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões em ingressos, com crescimento de 9,5% sobre 2023 — quase três vezes a variação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período (3,4%). O avanço ultrapassa os valores quantitativos: são resultados que se traduzem em investimentos, serviços e mercados mais acessíveis para milhões de famílias, especialmente as rurais e de pequenos produtores.

“Os números mostram o óbvio que muitas vezes passa despercebido: quando a comunidade se organiza em cooperativas, a renda fica no território, o emprego é local e o desenvolvimento ganha raízes. Crescer 9,5% em 2024 só faz sentido porque esse resultado se transforma em serviços, crédito, assistência e mercado para milhões de famílias — especialmente as da agricultura familiar”, afirma Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB.

O impacto no mercado de trabalho é expressivo e descentralizado. As cooperativas responderam por cerca de 578 mil empregos diretos em 2024, alta de 5% frente ao ano anterior. São postos de trabalho formais, qualificados e distribuídos pelo interior do país, que mantêm a renda girando nos territórios e sustentam cadeias produtivas estratégicas para o agronegócio e outros ramos de atividades. Essa presença capilar faz diferença no dia a dia: além do emprego direto, o cooperativismo contrata serviços, compra insumos, organiza logística e oferece formação, fatores que aumentam a produtividade e ampliam a capacidade de negociar preços e acessar mercados.

A evidência territorial confirma esse efeito. Estudo coordenado pelo Sistema OCB em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisa (Fipe) mostra que municípios com presença de cooperativas registram, em média, PIB per capita R$ 5,1 mil maior (cerca de 18,6% acima da média nacional), além de 28,4 empregos formais a mais por 10 mil habitantes e um ecossistema empresarial mais dinâmico — 14,8 estabelecimentos por mil habitantes, algo próximo de 87,8% acima da média. Em termos simples, onde há cooperativismo, há mais atividade econômica, mais oportunidades e renda mais bem distribuída.

“Os dados são consistentes e convergentes: municípios com cooperativas têm PIB per capita maior, mais empregos formais e mais empreendimentos ativos. Os multiplicadores econômicos explicam esse fenômeno: cada real movimentado pelo cooperativismo gera produção, valor adicionado e salários em cadeia. É um modelo eficiente para transformar escala em bem-estar, com impacto medido e comprovado”, destaca Guilherme Costa, gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB.

Os multiplicadores citados pelo estudo ajudam a entender por que esses resultados aparecem com tanta clareza nas estatísticas locais: para cada R$ 1,00 adicional demandado às cooperativas, a economia registra R$ 1,65 em valor de produção, R$ 0,88 em valor adicionado e R$ 0,33 em salários — além de incremento em arrecadação. Ou seja, o cooperativismo “puxa” setores vizinhos e devolve em renda, emprego e tributos aquilo que movimenta. Quando se observa a agricultura familiar, o efeito é ainda mais tangível: as cooperativas estruturam logística, armazenagem, beneficiamento e governança; reduzem custos de transação; conectam o produtor a compradores estáveis e a canais institucionais; e promovem assistência técnica e acesso ao crédito em condições adequadas.

Outro vetor de impacto é a participação social. O AnuárioCoop 2025 aponta que mais de 12% da população brasileira já integra uma cooperativa — resultado de uma expansão de 66% no número de cooperados em cinco anos. Esse adensamento associativo cria redes de confiança, viabiliza investimentos coletivos e fortalece a resiliência econômica das comunidades. Em paralelo, cresce a diversidade: nas cooperativas, as mulheres já são maioria entre os empregados, indicador de inclusão produtiva que qualifica a agenda de desenvolvimento com equidade.

Para além dos números, ao integrar produção, finanças, logística e conhecimento, o cooperativismo melhora a renda per capita, organiza mercados locais e amplia a competitividade de quem vive da terra — sem renunciar à distribuição de resultados e da participação democrática. É por isso que, ano após ano, o setor consolida sua relevância não só como agente econômico, mas como política de desenvolvimento de base comunitária, essencial para a vitalidade do setor produtivo e para um país que busca crescer com inclusão.

Conteúdo exclusivo de empresas participantes do Anuário Brasileiro do Agronegócio e Agricultura Familiar – LEIA O ANUÁRIO GRATUITAMENTE

 

Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.