Setor amplia mercados, aposta em práticas sustentáveis e vê nas tecnologias biológicas uma aliada para manter o crescimento
O cenário da fruticultura no Brasil tem apresentado resultados consistentes e positivos nos últimos anos. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), as exportações crescem de forma regular há 11 anos consecutivos, impulsionadas pela qualidade dos produtos e pela abertura de novos mercados internacionais.
Segundo o diretor institucional da Abrafrutas, Luiz Barcelos, o momento é de otimismo. “A área produzida não vai crescer muito, pois estamos atendendo ao mercado interno, mas os produtores estão direcionando o manejo para exportação”, explica. A entidade registra um crescimento médio anual de US$ 100 milhões e projeta alcançar US$ 2 bilhões na próxima década.
Frutas que se destacam
Entre as frutas mais exportadas estão o melão e a manga, que respondem por grande parte das vendas externas. O melão representa quase metade da produção nacional destinada à exportação, enquanto a manga lidera em valor agregado. Outros destaques são o limão, abacate, maçã e melancia, que vêm apresentando crescimento significativo, mesmo diante dos efeitos das mudanças climáticas sobre a produção.
Qualidade e sustentabilidade como prioridade
Há cerca de 25 anos, o setor adota boas práticas agrícolas e rigorosos cuidados ambientais, alinhados aos princípios da sustentabilidade e da segurança alimentar. A exigência dos mercados importadores em relação aos padrões ESG (ambiental, social e de governança) tem levado a Abrafrutas a investir fortemente em capacitação de produtores e empresas.
“Nosso objetivo é produzir mais com menos, ampliando a produtividade sem expandir a área cultivada”, destaca Barcelos. Segundo ele, práticas sustentáveis e tecnologias modernas têm permitido maior produção por hectare, com menos impacto ambiental.
Além disso, cresce o número de produtores que adotam cultivos biológicos, sem uso de agrotóxicos ou fertilizantes químicos, e investem em embalagens recicláveis e retornáveis, reforçando o compromisso com o meio ambiente.

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Desafios e inovação tecnológica
Apesar do bom desempenho, o setor ainda enfrenta desafios, especialmente a falta de mão de obra, apontada pela Abrafrutas como uma das principais preocupações. Segundo dados do IBGE, a fruticultura demanda ao menos duas pessoas por hectare, o que tem gerado déficit em várias regiões.
Para superar esses obstáculos, a associação tem incentivado o uso de biotecnologias e insumos biológicos, como fungos, bactérias e insetos predadores, os chamados micros e macroorganismos vivos. Essas soluções, muitas vezes produzidas on farm (na própria fazenda), reduzem custos, aumentam a autonomia dos produtores e promovem práticas mais sustentáveis.
Barcelos destaca que essa inovação tem trazido ganhos expressivos de eficiência e economia no manejo das culturas, tornando o setor mais competitivo e equilibrado.

Importância da irrigação
A irrigação é apontada pela Abrafrutas como um dos fatores mais importantes para garantir a estabilidade da produção, especialmente no semiárido brasileiro. A prática permite maior produtividade na mesma área e contribui para a redução do desmatamento, já que dispensa a abertura de novas terras.
“Com irrigação é possível realizar duas ou três safras por ano, reduzindo custos e oferecendo preços mais acessíveis ao consumidor”, explica o diretor. Por isso, a entidade tem atuado junto a órgãos públicos para acompanhar e simplificar as questões legislativas e burocráticas ligadas à agricultura irrigada.
Panorama e projeções
O Brasil ocupa atualmente a terceira posição mundial na produção de frutas, atrás apenas da China e da Índia. No entanto, ainda exporta menos de 3% da produção total, o que o coloca na 23ª posição entre os exportadores globais.
“Existem cerca de 20 países que produzem menos do que o Brasil, mas exportam mais”, observa Barcelos. Essa realidade, porém, vem mudando. Desde a criação da Abrafrutas, em parceria com a ApexBrasil e com apoio do Ministério da Agricultura, as exportações de frutas dobraram. Feiras internacionais e a abertura de novos mercados têm impulsionado a presença da fruta brasileira no exterior.
“Apesar de o Brasil ainda ocupar uma posição modesta no ranking, temos um caminho promissor para ampliar nossa presença global”, reforça Barcelos.
A meta da associação é diversificar os produtos exportados e ampliar destinos, incluindo frutas exóticas e típicas do país. “Hoje estamos concentrados em cinco ou seis tipos, mas queremos avançar em outras variedades. Nosso objetivo é chegar à marca de US$ 2 bilhões em exportações, e acreditamos que isso é totalmente possível”, conclui o diretor.

