CropLife defende regulação alinhada à agricultura tropical em evento em Brasília

Em evento com autoridades públicas e especialistas, entidade promove painéis e lança a campanha “O que é que só o Brasil tem?”

 A CropLife Brasil defendeu nesta quarta-feira (27), em Brasília, que a agricultura tropical brasileira seja tratada por reguladores e formuladores de políticas públicas como um modelo produtivo próprio, marcado por desafios climáticos, fitossanitários e tecnológicos distintos dos observados em países de clima temperado. A posição foi apresentada durante evento com autoridades públicas, produtores, lideranças setoriais, especialistas, formadores de opinião e representantes do agronegócio, no qual a associação lançou a campanha “O que é que só o Brasil tem?”.

A iniciativa foi motivada por pesquisa inédita da CLB, realizada pela Nexus, que ouviu integrantes do Congresso Nacional, do Poder Executivo federal, jornalistas e empresários do agronegócio a respeito do conceito e da relevância do sistema produtivo nacional. O levantamento apontou que 24% dos entrevistados não souberam definir agricultura tropical. Mesmo entre os que associaram ideias ao conceito, as menções mais frequentes, como “clima brasileiro” e “frutas”, foram citadas por apenas 7% dos respondentes cada uma. Apenas 1% associou o termo à tecnologia.

No debate proposto pela associação, agricultura tropical é o modelo produtivo que diferencia o Brasil do mundo, desenvolvido para produzir em larga escala sob condições de alta temperatura, maior pressão de pragas e doenças, diversidade de solos e ciclos produtivos distintos dos países de clima temperado. Para a CropLife, essas características exigem políticas públicas e marcos regulatórios capazes de considerar as especificidades da produção brasileira.

“Queremos aproximar a sociedade de um tema essencial para o país, mostrando de forma acessível como a agricultura tropical foi construída a partir de soluções adaptadas à nossa realidade”, afirmou Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil durante a abertura oficial. Discursaram ainda no momento inicial o presidente do Conselho de Administração da CLB e presidente Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil, André Savino. Também marcou presença o Deputado Federal, Pedro Lupion, da Frente Parlamentar da Agropecuária.

Evento

Para desenvolver o conceito e conectar os principais stakeholders ao tema, o encontro promoveu dois painéis de discussão: “O Brasil tem liderança: o papel das políticas públicas na Agricultura Tropical” e o “O Brasil tem inovação: o trópico como laboratório de soluções”. Juntos, os fóruns puderam relacionar inovação, segurança jurídica e competitividade no campo. Também defenderam a necessidade de ampliar a compreensão pública sobre o papel da ciência, da tecnologia e da regulação legislativa na capacidade produtiva do Brasil de alimentos, em condições tropicais e em escala.

“Embora o Brasil adote amplamente as tecnologias mundiais, ainda faltam legislações mais modernas e práticas que acelerem o registro de produtos. O desafio é garantir agilidade sem perder a responsabilidade com o meio ambiente e a saúde humana, além de assegurar a proteção de dados e patentes para favorecer a inovação”, destacou o coordenador geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), José Victor Torres, durante a participação do primeiro momento.

Em complemento, o diretor do Departamento de Patrimônio Genético e Cadeias Produtivas dos biomas e Amazônia do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Rafael de Sá Marques, pontuou que “o papel do MDIC é propiciar um ambiente favorável à construção de um ecossistema de inovação adequado. Nós temos muitas soluções tecnológicas ainda por desenvolver, inclusive para utilizar a biodiversidade brasileira, e a regulação é fundamental para isso”.

Do ponto de vista de quem está no campo, a produtora rural Priscilla Nasrallah destacou que “o produtor é aberto à inovação e sempre testa novos produtos, mas a “conta tem que fechar”. Os insumos precisam ser acessíveis para que os pequenos e médios produtores adotem a tecnologia”. Priscilla alerta para o perigo das mudanças de regras e restrições sem base, que afetam a competitividade brasileira frente a produtores mundiais. “É preciso previsibilidade, além de tratar a inovação como uma infraestrutura estratégica de Estado, agilizando a regulação para que o Brasil não fique “um passo para trás” em relação a outros países”, concluiu.

No âmbito do mercado global, o Gerente de Agronegócio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Pedro Netto, relembrou o “mito global (e até interno) de que “basta jogar a semente no chão que nasce”. É preciso mostrar que a produtividade atual vem de ciência, pesquisa, maquinário e esforço para adaptar culturas em um ambiente hostil. Estrangeiros frequentemente estranham práticas como o plantio direto e o maior uso de insumos, o que ocorre por desinformação sobre o clima nos trópicos, que registra altas temperaturas e propicia maior incidência de pragas. A Apex traz compradores e jornalistas internacionais para comprovar que nosso modelo diferente é embasado em tecnologia e gera alimentos seguros”.

Também participaram dos debates a Diretora de Administração do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Soraya Santos; o coordenador da FGV Agro, Guilherme Bastos; o assessor da presidência da EMBRAPA, Aryeverton Fortes de Oliveira; o secretário-executivo da Rede de Inteligência em Agricultura e Clima , Fernando Sampaio e o consultor legislativo do Senado, Igor de Aragão.

Campanha

A campanha “O que é que só o Brasil tem?” contará com ações de comunicação digital e um hub de conteúdo com dados, estudos, pesquisas e materiais explicativos sobre o setor, além de análises e conteúdos explicativos que ajudem a compreender como o país desenvolveu soluções produtivas próprias para o clima tropical. O objetivo é qualificar o debate público com informações e evidências sobre agricultura tropical e ampliar o conhecimento da sociedade sobre o modelo produtivo e sua importância para a segurança alimentar, a economia e a competitividade do país.

Texto: CropLIve

Foto: Divulgação/ Congresso em Foco

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