Por Felipe Daltro, Diretor de Marketing e Efetividade Comercial da Corteva Agriscience para o Brasil e Paraguai
À medida que a agricultura se transforma e se adapta em resposta às urgências climáticas, às exigências dos consumidores e às necessidades de produção sustentável, os bioinsumos têm se afirmado como uma das soluções mais promissoras para o campo. Produtos à base de microrganismos, extratos vegetais e substâncias naturais, esses insumos biológicos oferecem alternativas eficientes e de baixo impacto ambiental para o controle de pragas, a fertilidade do solo e a promoção do crescimento vegetal. No Brasil, que já lidera o ranking de adoção de produtos biológicos, essa revolução verde encontra terreno fértil especialmente na agricultura familiar.
Com cerca de 77% dos estabelecimentos agrícolas brasileiros classificados como familiares, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, é nesse segmento que a relação entre o produtor e a terra é mais próxima, diversificada e sustentável. Os bioinsumos dialogam com essa lógica de produção, pois favorecem sistemas de cultivo menos dependentes de químicos pesados, valorizam o equilíbrio ecológico e ampliam a produtividade sem sacrificar o meio ambiente. Trata-se de uma combinação poderosa: práticas tradicionais, conhecimento local e tecnologias modernas, voltadas não apenas à produção, mas à regeneração dos ecossistemas.
O crescimento desse mercado, com expansão média de 22% ao ano no Brasil, taxa quatro vezes superior à média global, mostra que os bioinsumos já não são apenas uma promessa, mas uma realidade em curso, segundo a CropLife Brasil. O uso desses produtos na safra 2024/2025 alcançou mais de 156 milhões de hectares, com destaque para bioinseticidas e bioinoculantes, refletindo não só a confiança dos agricultores como também o avanço tecnológico da indústria nacional. Essa evolução é estratégica, ao permitir aos produtores familiares reduzir custos, diversificar sua produção e atender a um mercado cada vez mais atento à rastreabilidade e à sustentabilidade dos alimentos.
Além de impulsionar a produtividade, os bioinsumos são uma ferramenta para democratizar o acesso à inovação. Ao contrário dos pacotes tecnológicos caros e muitas vezes inacessíveis, os insumos biológicos podem ser adaptados à realidade dos pequenos produtores, ampliando sua autonomia e competitividade. Nesse contexto, a adoção de bioinsumos por agricultores familiares representa não só uma oportunidade econômica, mas uma ação responsável, ao valorizar uma agricultura que alimenta o país e protege a natureza.Se quisermos fortalecer a agricultura familiar brasileira, gerar renda e manter a diversidade de alimentos na mesa da população, o incentivo ao uso e à produção de bioinsumos deve ser prioridade na tomada de decisões. Em um país onde a agricultura familiar responde por boa parte dos empregos rurais e sustenta a economia de pequenos municípios, soluções sustentáveis como os bioinsumos não são apenas bem-vindas: são indispensáveis. Investir neles é investir em soberania alimentar, em saúde ambiental e no futuro do Brasil rural.


