Drones são opção viável para agricultores e prestadores de serviços no Brasil

O uso na agricultura vem crescendo tanto em quantidade quanto em diversidade de aplicações. Desde 2022, o lançamento de modelos com tanques de mais de 40 litros tornou possível pulverizar mais de 100 hectares por dia com um único drone

Devo comprar meu próprio drone para pulverização agrícola ou contratar um prestador de serviços? Existe legislação específica para a prática no Brasil? Quais culturas já utilizam essa tecnologia? Os resultados são promissores? Para responder a essas e outras perguntas, especialistas reuniram informações importantes sobre a pulverização agrícola com essa tecnologia. Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática, o Documento 474 foi de autoria de Rafael Moreira Soares, pesquisador da Embrapa Soja, e do empresário, Eugênio Passos Schröder. O documento apresenta aspectos regulatórios, o uso da tecnologia por prestadores de serviços e agricultores, analisa resultados de pesquisas nacionais e internacionais e descreve exemplos práticos de aplicações em diversas culturas relevantes.

O uso de drones na agricultura vem crescendo tanto em quantidade quanto em diversidade de aplicações. “Os modelos mais comuns são os movidos a bateria e os multirrotores ou de asa fixa”, explica Soares. “Eles são classificados de acordo com seu peso e altura máxima de voo e contam com inúmeros tipos de hardware, software, câmeras e sensores que permitem realizar diversos processos, como mapeamento georreferenciado, monitoramento, geração de imagens e, no caso dos drones agrícolas, a aplicação automatizada de produtos líquidos e sólidos”, detalha o cientista.

Embrapa lança publicação sobre uso agrícola de drones, com foco em pesquisa e prática de campo, especialmente para pulverização. Documento aborda legislação, vantagens e aspectos técnicos da tecnologia.
Crédito: Rafael Soares

O pesquisador relata que os drones agrícolas possuem características únicas em seu processo de pulverização, diferenciando-os tanto de pulverizadores terrestres quanto de aeronaves agrícolas, representando, portanto, uma tecnologia intermediária entre esses sistemas. “Portanto, uma análise criteriosa antes da adoção é essencial para garantir que a tecnologia agregue benefícios à atividade agrícola”, argumenta Soares.

Ele explica que ainda faltam dados e pesquisas para determinar, por exemplo, taxa de aplicação, velocidade e altura de trabalho, alcance de pulverização, deposição e uniformidade de gotas, deriva, mistura de produtos e controle biológico de alvos. “Algumas vantagens inerentes à pulverização com drones não exigem comprovação científica, embora a mensuração de algumas dessas vantagens possa fornecer insights valiosos sobre o uso da tecnologia”, afirma.

O cientista também ressalta que a área ainda necessita de mais estudos, visto que os equipamentos evoluem e se modernizam rapidamente a cada ano. “É um esforço incessante porque, além da atualização das máquinas, a diversidade de culturas, produtos e alvos envolvidos também está em constante crescimento”, observa Soares.

Para o pesquisador, um exemplo de mudança tecnológica é a tendência de adoção de cabeçotes de rotor nos principais modelos de drones atualmente em uso no mercado, substituindo os bicos hidráulicos tradicionais. “O cabeçote de rotor consiste em uma ponta com um disco giratório de alta velocidade que divide o líquido em gotas e oferece a opção de controlar o tamanho das gotas. Isso pode aumentar a uniformidade do espectro de gotas em comparação com bicos hidráulicos, pois elimina gotas tão pequenas que causam deriva”, explica, ressaltando que a maioria dos cabeçotes de rotor pode operar com gotas que variam de pequenas a ultragrandes.

Os drones já permitem pulverizar mais de 100 hectares por dia com um único equipamento
Crédito: Rafael Soares

Regulamentos sobre o uso de drones agrícolas

Veículo aéreo não tripulado (VANT) ou  aeronave remotamente pilotada (APR) são os termos mais utilizados para os populares drones nas regulamentações oficiais brasileiras. Segundo Soares, agricultores ou empresas prestadoras de serviços de pulverização aérea que tenham dúvidas sobre o cumprimento da legislação podem consultar diversas fontes. Uma delas é o site do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), que reúne os principais requisitos legais. “É importante estar atento a toda a legislação vigente e atender aos requisitos para que não haja problemas com os órgãos reguladores e para manter a segurança das aplicações aéreas”, afirma Soares.

Segundo Soares, como os drones são equipamentos que transmitem radiofrequências, eles precisam ser homologados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão do governo brasileiro responsável por regular toda a infraestrutura de telecomunicações do país. Soares também afirma que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), outro órgão federal, é responsável por regular e fiscalizar as atividades da aviação civil e a infraestrutura aeronáutica e aeroportuária do país. Já o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) gerencia as atividades relacionadas ao controle do espaço aéreo brasileiro, à proteção de voos, aos serviços de busca e salvamento e às telecomunicações do Comando da Aeronáutica, sendo, portanto, quem autoriza voos em áreas restritas, por exemplo.

Além das regulamentações dos órgãos descritos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabelece normas específicas para a operação de aeronaves remotamente pilotadas destinadas à aplicação de defensivos agrícolas e similares, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes.

Drones como negócio

O pesquisador explica que, desde 2022, o lançamento de modelos de drones com tanques de mais de 40 litros tornou possível pulverizar mais de 100 hectares por dia com um único drone, aumentando sua atratividade no campo. Segundo ele, o investimento em estrutura de apoio para o uso de drones pelo agricultor tende a ser menor do que o de um prestador de serviços. “Isso ocorre porque o agricultor provavelmente já terá um veículo para transportar o drone, um funcionário ou familiar para auxiliar, um misturador de calda dentro de um pulverizador terrestre que pode ser adaptado para uso do drone, entre outros recursos”, explica Soares.

Segundo o empreendedor Eugênio Passos Schröder, o investimento necessário para montar um negócio de pulverização com drones exige investimentos não apenas no próprio drone, mas também na aquisição de acessórios, veículos de apoio à operação, estrutura administrativa e capital de giro. “Isso significa que, grosso modo, o investimento total equivale a cerca de três vezes o valor do equipamento a ser adquirido”, estima. “É preciso um planejamento detalhado das necessidades e uma análise financeira criteriosa para determinar o investimento necessário para começar a prestar serviços de pulverização”, recomenda Schröder.

Segundo o autor da publicação, o custo da contratação de aplicação de defensivos agrícolas com drones varia de acordo com o terreno, a vegetação, a complexidade da operação, a tecnologia e os equipamentos utilizados, a distância do local da operação e o tipo de produto a ser aplicado. Em geral, os preços variam de R$ 100,00 a R$ 400,00 por hectare. “Essa variação reflete fatores como dificuldade de acesso ou requisitos técnicos específicos. Alguns fornecedores cobram por hora de voo; outros cobram pelo serviço completo, incluindo o preparo da calda”, afirma.

A tecnologia também pode inspecionar rebanhos, monitorar a saúde das plantas em plantações e florestas, além de realizar adubação e adubação ou semeadura. Crédito: Rafael Soares

Dicas e informações importantes sobre drones agrícolas

Vantagens dos drones agrícolas:

  • Remoção de operadores humanos da área a ser pulverizada, reduzindo os riscos à saúde aos quais eles podem estar expostos.
  • Independência das condições de tráfego no solo.
  • Não há compactação do solo nem acamamento da cultura causados ​​por máquinas de pulverização terrestres.
  • Baixo consumo de água.
  • Rastreabilidade (registros de dados e mapa de aplicação).

Principais fatores a serem considerados ao usar drones agrícolas, seja para iniciar um negócio de pulverização ou para ter um:

  • Legislação: compreensão das regulamentações nacionais, estaduais e municipais para operação de drones, incluindo obrigações específicas relacionadas à pulverização de agroquímicos.
  • Equipamentos: seleção do tipo de drone, tecnologia embarcada, capacidade de carga e demais especificações técnicas que se relacionam com as necessidades de pulverização, de acordo com o uso pretendido.
  • Treinamento técnico: treinamento específico sobre operação de drones e aplicação correta de agroquímicos.
  • Investimento financeiro: planejamento financeiro detalhado, considerando os custos de aquisição de equipamentos, software de gestão, seguro, manutenção regular e emergencial, mão de obra e outros custos. Os agricultores devem considerar se o drone complementará ou substituirá as tecnologias de pulverização existentes.
  • Identificação de mercado: análise do mercado potencial, incluindo características predominantes das áreas a serem atendidas, demandas de culturas, concorrência e tendências tecnológicas gerais.
  • Parcerias estratégicas: colaborações com empresas ou organizações do setor agrícola, como agricultores, cooperativas, associações de agricultores, fabricantes de drones, etc.

Lebna Landgraf (MTb 2.903/PR)

Embrapa Soja

 

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