Por: Douglas Cenci, Fetraf-RS
Vivemos tempos de grandes transformações e importantes crises globais. Os diversos fatos ocorridos no último período tornam inegáveis as mudanças climáticas, afirmando que estamos diante de uma emergência climática sem precedentes. Estiagens severas e enchentes jamais vistas ameaçam a sobrevivência da humanidade e afetam frontalmente a produção de alimentos e a agricultura familiar.
A agricultura familiar desempenha um papel fundamental na sociedade. Ao olharmos para o futuro, visualizamos inúmeros e importantes desafios. Dentre eles, destaco três principais: a ampliação da produção de alimentos, a necessidade de transitar para um modelo de produção mais sustentável que contribua para a reversão das mudanças climáticas e a melhoria das condições de vida dos agricultores.
Para enfrentar esses desafios, é fundamental colocar a agricultura familiar no centro da estratégia de segurança e soberania alimentar e nutricional, assim como para a reversão das mudanças climáticas. Para isso, é necessário transitar do modelo produtivo atual, que é excludente, concentrador e prejudicial ao meio ambiente, para um modelo que possibilite a ampliação da produção e da renda, enquanto cuida do meio ambiente e garante melhores condições de vida e trabalho.
Estruturar um novo modelo produtivo é fundamental para permitir a continuidade da agricultura familiar, possibilitando a ampliação da produção de alimentos e melhorando a qualidade de vida dos agricultores. É essencial que eles tenham acesso a bens, serviços e direitos que ainda não chegaram no campo, criando condições de permanência dos jovens e promovam um ambiente de valorização e respeito às mulheres.
Esse novo contexto só será possível se o Estado brasileiro e a sociedade compreenderem seu papel, que é valorizar a agricultura familiar e garantir políticas públicas e uma legislação que protejam os agricultores. É necessário construir novos mercados agroalimentares e investir significativamente em uma nova dinâmica de acompanhamento técnico e construção do conhecimento no campo. Além disso, é fundamental pensar em medidas de proteção e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que se estabelece uma política de incentivo e valorização da preservação ambiental.
Por fim, os desafios da agricultura familiar diante das mudanças climáticas são complexos. A sua superação depende da construção de alternativas que, atualmente, não estão ao alcance dos agricultores. Nesse sentido, o Estado brasileiro precisa ser o indutor do desenvolvimento, garantindo as condições necessárias para que essa categoria possa cumprir seu papel de alimentar a humanidade e cuidar do ambiente em que vive.

