Relatório mensal do Cepea destaca forte valorização do açúcar, frango e biocombustíveis, além da pressão climática sobre o trigo e a reação da pecuária diante da entressafra
| O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, divulgou nesta quinta-feira os boletins agromensais referentes a setembro de 2026. O panorama traz um retrato detalhado das principais cadeias do agronegócio brasileiro, marcado por dinâmicas de oferta e demanda distintas e pelo impacto direto de fatores climáticos na produção.
Entre os principais destaques do mês, o açúcar cristal registrou expressiva valorização de 17,69% no mercado paulista devido à liquidez restrita, enquanto os biocombustíveis (etanol) acompanharam o movimento de alta impulsionados pelas chuvas que paralisaram a moagem da cana e pela valorização do petróleo. No setor de proteína animal, a carne de frango teve o maior salto real desde março de 2022, e o boi gordo encerrou setembro em recuperação continuada frente à menor oferta de animais de confinamento na entressafra. |
Análise detalhada por cultura e Setor
| AÇÚCAR | Em setembro, os preços do açúcar cristal seguiram em alta no mercado paulista, sustentados pela oferta restrita. A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (cor Icumsa 130-180) foi de R$ 118,98/sc de 50 kg (+17,69% vs. agosto/26). No encerramento do mês, atingiu R$ 121,12/sc. |
| ALGODÃO | Os preços da pluma recuaram no acumulado de setembro devido à baixa nos preços internacionais e na paridade de exportação na 2ª quinzena. Contudo, a média mensal ainda foi a maior desde junho de 2025 em termos reais. |
| ARROZ | Continuidade da recuperação dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. A oferta restrita e produtores resistentes a vendas sustentaram as cotações, em meio à forte concorrência entre indústrias, compradores interestaduais e exportação. |
| BOI GORDO | Setembro se encerrou com altas sequenciais na cadeia pecuária, refletindo a menor oferta de animais de confinamento nesta entressafra, maior volume exportado e expectativas de retomada das compras chinesas. |
| CAFÉ | Preços do café arábica caíram expressivamente com o avanço/conclusão da colheita 2026/27, ajustes positivos na safra brasileira e recuperação dos estoques na ICE Futures. Chuvas favoreceram as floradas da safra 2027/28. |
| ETANOL | Preços dos etanóis hidratado e anidro encerraram em alta no mercado spot paulista. Chuvas prejudicaram a moagem de cana e a forte valorização do petróleo elevou a competitividade do biocombustível. |
| FEIJÃO | Finalização da 3ª safra 2025/26 e semeadura da nova temporada. Compradores cautelosos e vendedores limitando a oferta. Chuvas afetaram lavouras em SP, enquanto no PR há estimativa de redução de área e atraso no plantio. |
| FRANGO | Valores das carnes congelada e resfriada no atacado da Grande SP registraram os aumentos mais expressivos desde março de 2022 em termos reais. Demanda aquecida na 1ª quinzena e oferta ajustada impulsionaram o setor. |
| MILHO | Movimentos distintos entre praças: quedas em SP (Campinas e Itapeva) e aumentos em outras regiões. Compradores afastados utilizando estoques imediatos e aguardando maior oferta diante de exportações mais lentas. |
| OVINOS | Alta nos preços do cordeiro vivo na maioria dos estados pela baixa disponibilidade de animais. Destaques para São Paulo (+4,2% / R$ 16,67/kg), Rio Grande do Sul (+4,0%), Paraná (+2,6%) e Mato Grosso (+6,7%). |
| SOJA | Negociações aquecidas nos mercados interno e externo afastaram vendedores e impulsionaram cotações do grão e farelo. Valorização sustentada por menor saldo da safra 2025/26 e apreensão com El Niño na safra 2026/27. |
| TRIGO | Preocupação com menor oferta de trigo de alta qualidade devido ao clima desfavorável na safra 2026. A incerteza quanto à produtividade e qualidade eleva a dependência de importações e sustenta preços internos. |
Fonte: Cepea
Foto: Envato


