Organizada pela ApexBrasil, GIZ e AHK Rio, iniciativa reuniu 38 organizações e empresas brasileiras na Alemanha e na Bélgica, com foco na atração de investimentos, cooperação internacional e desenvolvimento da cadeia de hidrogênio de baixo carbono
A ampliação das oportunidades de negócios e investimentos na cadeia do hidrogênio de baixo carbono marcou a Missão Brasileira de Hidrogênio na Alemanha e na Bélgica, realizada entre os dias 19 e 29 de outubro. A iniciativa reuniu 38 organizações e empresas brasileiras em uma agenda estratégica que incluiu visitas técnicas, encontros empresariais e participação em dois dos principais eventos internacionais do setor.
Entre os resultados, destacam-se o anúncio de cinco novas parcerias público-privadas (PPPs) com o apoio da União Europeia e do Global Gateway que somam mais de 5,5 milhões de euros em investimentos combinados, e a assinatura de um memorando de entendimento para impulsionar o comércio internacional de hidrogênio e derivados.
Organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro (AHK Rio), a missão percorreu as cidades de Hamburgo e Duisburg, na Alemanha, e Bruxelas, na Bélgica. A programação foi implementada no âmbito do programa H2Uppp, desenvolvido pela GIZ em parceria com o governo alemão e cofinanciado pela União Europeia, por meio da estratégia Global Gateway.
A delegação contou com representantes de operadores portuários, complexos logísticos, centros de pesquisa, instituições de ensino, associações setoriais e cerca de 20 empresas privadas dos segmentos de tecnologia, engenharia e serviços. O objetivo foi fortalecer a inserção brasileira nas cadeias globais de hidrogênio e combustíveis sustentáveis, além de aproximar projetos nacionais de investidores e potenciais compradores internacionais.
Participação em feiras e visitas a polos estratégicos
Em Hamburgo, a delegação participou da Hydrogen Technology World Expo, onde a ApexBrasil contou com um estande institucional dedicado à promoção do setor brasileiro. O espaço funcionou como ponto de encontro para reuniões de negócios, apresentação de oportunidades de investimento e articulação com empresas e instituições internacionais.
A programação também incluiu visitas a importantes polos industriais e portuários europeus. No Porto de Hamburgo, os participantes conheceram iniciativas relacionadas à infraestrutura de importação e distribuição de hidrogênio e amônia, com destaque para o Hamburg Sustainable Energy Hub. Em Duisburg, a comitiva visitou o terminal de importação de metanol da Duisport, explorando soluções de logística multimodal para combustíveis alternativos.
Na Bélgica, a missão participou da European Hydrogen Week, em Bruxelas, com agendas voltadas à cooperação entre Brasil e União Europeia. Durante o evento, foram discutidas condições regulatórias, mecanismos de financiamento e oportunidades para estruturar cadeias comerciais de combustíveis sintéticos, conhecidos como e-fuels.
Um dos principais marcos foi a assinatura de um memorando de entendimento entre a Associação Brasileira da Indústria de Hidrogênio Verde (ABIHV) e a H2Global, iniciativa voltada à promoção do comércio e do financiamento de hidrogênio limpo e seus derivados.
A delegação também participou de um encontro de relacionamento institucional na Embaixada do Brasil na Bélgica. A agenda foi complementada por visitas ao North Sea Port, complexo portuário localizado entre a Bélgica e os Países Baixos, e ao Porto de Antuérpia-Bruges, onde os participantes conheceram infraestruturas de transporte de hidrogênio e CO₂ e operações portuárias de baixo carbono.
Novas parcerias impulsionam projetos de hidrogênio e combustíveis sustentáveis no Brasil
Entre os principais resultados da missão está o anúncio de cinco novas parcerias público-privadas no âmbito do programa H2Uppp, que mobilizam mais de 5,5 milhões de euros em recursos públicos e privados. Os projetos buscam reduzir riscos de investimento, desenvolver infraestrutura e ampliar a produção brasileira de hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis.
Uma das iniciativas é o Pecém-Rotterdam eSAF Hub (NedBraSAF), desenvolvido com participação da Green Energy Park, Porto de Roterdã, Complexo do Pecém e SENAI. O projeto pretende avançar na estruturação de um polo de produção de combustível sustentável de aviação sintético (e-SAF) no Nordeste brasileiro, contemplando estudos técnicos, soluções logísticas e capacitação profissional.
Outra parceria envolve o Porto de Antuérpia-Bruges, a Prumo e o Porto do Açu, com foco em estudos de pré-viabilidade para a conexão entre instalações de produção de hidrogênio e combustíveis renováveis e a infraestrutura de exportação do complexo portuário fluminense.
No Rio Grande do Norte, a parceria entre Acciona e Nordex buscará identificar fontes sustentáveis de CO₂ provenientes de biomassa, essenciais para determinadas rotas de produção de combustíveis sintéticos. O projeto também avaliará o aproveitamento de resíduos agrícolas, incluindo os provenientes do cultivo de agave.
Já a iniciativa liderada pela Ferrostaal, em parceria com a Ineratec, prevê o desenvolvimento de um modelo de produção de e-SAF pela rota tecnológica Fischer-Tropsch, com foco no atendimento ao mercado internacional e na adequação às exigências regulatórias europeias.
A quinta parceria, SM Amonia, reúne as empresas Möhring Energie e Sunfarming em um projeto voltado à produção de hidrogênio verde e amônia no Complexo do Pecém, no Ceará.
Brasil amplia protagonismo na economia de baixo carbono
A missão reforçou o potencial brasileiro para se consolidar como fornecedor internacional de hidrogênio de baixo carbono e seus derivados. A elevada participação de fontes renováveis na geração de eletricidade, a disponibilidade de recursos naturais e a infraestrutura portuária são diferenciais competitivos do país na atração de investimentos para o setor.
O avanço do marco legal do hidrogênio de baixo carbono, instituído pelas Leis nº 14.948/2024 e nº 14.990/2024, também contribui para ampliar a segurança jurídica e estimular novos projetos. Instrumentos como o Regime Especial de Incentivos para a Produção de Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (Rehidro) e linhas de financiamento do BNDES fortalecem as condições para o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.
Nesse contexto, a atuação da ApexBrasil busca aproximar projetos brasileiros de investidores, compradores e parceiros tecnológicos internacionais, contribuindo para a descarbonização da indústria, a diversificação das exportações e a inserção do país em novas cadeias globais de valor.
Agenda internacional de hidrogênio para 2027
Dando continuidade às ações de promoção internacional do setor, a ApexBrasil e seus parceiros já disponibilizaram um canal de manifestação de interesse para empresas e instituições que desejam participar das principais agendas de hidrogênio em 2027.
Estão previstas participações na Hyvolution Paris, de 19 a 21 de janeiro, na França; na Hannover Messe, de 5 a 8 de abril, na Alemanha; no World Hydrogen Summit & Exhibition, de 18 a 20 de maio, nos Países Baixos; e na Hyvolution Brasil, nos dias 16 e 17 de junho, em São Paulo.
As iniciativas representam novas oportunidades para apresentar projetos brasileiros, estabelecer parcerias comerciais, atrair investimentos e ampliar o acesso a potenciais compradores internacionais.
Texto: ApexBrasil
Foto: Divulgação


