Organização questiona clareza sobre controles e rastreabilidade após notícia de retorno de nove contêineres destinados a Gana e Angola
A Sinergia Animal defende transparência sobre a fiscalização e a destinação dos produtos avícolas cujo retorno ao Brasil foi determinado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), segundo reportagem publicada pelo Canal Rural em 4 de novembro. O caso envolve nove contêineres destinados a Gana e Angola, enquadrados em restrições sanitárias de exportação relacionadas à doença de Newcastle.
De acordo com o veículo, a determinação consta em termo de intimação de 30 de outubro. A reportagem informa que o documento não aponta contaminação das cargas nem determina o descarte dos produtos. Uma eventual destinação ao mercado interno dependerá do atendimento à legislação brasileira e de autorização da fiscalização oficial.
“A população precisa saber por que esses alimentos estão voltando, quais avaliações serão realizadas e quem autorizará sua destinação. Transparência significa apresentar informações verificáveis em cada etapa, para que consumidores possam compreender as decisões e acompanhar a atuação das empresas e do poder público”, afirma Cristina Diniz, diretora-geral da Sinergia Animal no Brasil.
Segundo a reportagem, os lotes deverão permanecer identificados, separados e rastreáveis até a avaliação oficial. Para a organização, esclarecer o processo é fundamental para evitar tanto o alarmismo quanto conclusões antecipadas sobre a segurança dos produtos.
“Uma restrição de exportação não comprova, por si só, que um alimento esteja contaminado. Ao mesmo tempo, a possibilidade de venda no Brasil não pode ser apresentada como autorização já concedida. É preciso explicar os critérios e divulgar os resultados da fiscalização”, destaca Cristina.
A Sinergia Animal também defende que a cobertura das emergências sanitárias inclua as condições dos animais e os procedimentos adotados nas propriedades afetadas, além dos impactos comerciais.
“O debate não pode terminar nos prejuízos das exportações. Precisamos de informação sobre como os animais são protegidos durante as interdições e sobre os métodos e a supervisão dos procedimentos sanitários. O bem-estar animal precisa integrar o planejamento e a prestação de contas dessas respostas”, acrescenta.
A organização considera prioritário esclarecer a origem e o volume dos produtos devolvidos, as condições de conservação durante o transporte e os critérios que orientarão sua destinação.
Texto: Sinergia Animal
Foto: Divulgação


