Excesso de umidade e temporais com granizo comprometem a qualidade do trigo no Sul e em SP, enquanto o retorno gradual das precipitações no Centro-Oeste impulsiona a semeadura das culturas de verão
As condições meteorológicas registradas no início de outubro impuseram ritmos distintos ao agronegócio brasileiro. De acordo com o Monitoramento Semanal das Condições das Lavouras divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o excesso de chuva e temporais isolados têm causado perdas consideráveis nas lavouras de inverno da Região Sul e do Sudeste. Em contrapartida, as precipitações recentes trouxeram alívio e umidade de solo necessários para o avanço do plantio das culturas da safra de verão de 2026/27 no Centro-Oeste e em partes do Sul.
Trigo sofre com perdas e risco fitossanitário
Com 36,4% da área total colhida no país, a cultura do trigo é a mais afetada pelo cenário de instabilidade. No Rio Grande do Sul, onde a colheita inicial reforça os indicativos de redução na produtividade e na qualidade dos grãos, tempestades acompanhadas de granizo provocaram danos irreversíveis nas regiões da Campanha e das Missões — afetando sobretudo lavouras que estavam nas fases críticas de enchimento de grãos e maturação. A persistência do tempo nublado e úmido no estado tem favorecido a incidência de doenças de espiga, como a giberela e a brusone.
Situação semelhante ocorre em Santa Catarina e em São Paulo, onde as precipitações frequentes impediram a entrada de máquinas para a aplicação de fungicidas, aumentaram o acamamento das plantas e deixaram o grão colhido com padrões abaixo do ideal. No Paraná, o avanço da colheita segue travado na dependência do tempo seco, expondo o trigo restante no campo a novos riscos com a previsão de acumulados de até 200 mm no trecho Centro-Sul nas próximas semanas.
Safra de verão ganha ritmo no Sul e Centro-Oeste
Apesar dos prejuízos para o trigo, a umidade do solo tem impulsionado a instalação dos cultivos de primeira safra:
- Soja: Com 9,4% da área semeada nacionalmente, o plantio ganha tração no Mato Grosso, impulsionado pelas chuvas no Médio-Norte em solos mais argilosos. No Paraná (onde o plantio avançou bem com o tempo firme intercalado) e em Goiás (destaque para o Sudoeste), a umidade melhorou o ambiente para o estabelecimento das lavouras, embora altas temperaturas e nebulosidade ainda exijam cautela.
- Milho 1ª Safra: O plantio nacional atingiu 30,8% da área prevista. No Paraná e em Santa Catarina, as áreas emergidas apresentam boa germinação e bom desenvolvimento vegetativo. No entanto, os produtores mantêm alerta contínuo para o controle de pragas como a cigarrinha-do-milho, o percevejo e a lagarta-do-cartucho. No Rio Grande do Sul, temporais causaram estragos não apenas em lavouras do estado, mas também em infraestruturas como pivôs de irrigação.
- Arroz e Feijão: A semeadura do feijão 1ª safra atingiu 13,1%, com avanços no Paraná após as precipitações recentes. Já o arroz registra 19,7% de área semeada, avançando gradualmente no Rio Grande do Sul à medida que as áreas de várzea são drenadas.
Previsão agrometeorológica para os próximos dias
Para o período entre 05 e 12 de outubro, o INMET e a Conab preveem a manutenção de volumes elevados de chuva no Sul do país, onde os acumulados podem atingir entre 60 mm e 200 mm no Norte gaúcho, Oeste catarinense e Centro-Sul paranaense.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul deve registrar volumes significativos de até 100 mm, enquanto Mato Grosso e Goiás podem ter acumulados de até 50 mm na porção Sul, consolidando o período chuvoso e beneficiando as lavouras de sequeiro. Já na faixa Norte e Nordeste, o tempo permanece predominantemente estável, com chuvas mais expressivas restritas ao Oeste do Amazonas.
Foto: Envato


