A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) elaborou o documento “Agronegócio Frente às Mudanças Climáticas” com o posicionamento do setor para COP 30, visando futuro ambientalmente equilibrado e economicamente sustentável
A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) elaborou o documento “Agronegócio Frente às Mudanças Climáticas”, um posicionamento do setor para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP 30, mostrando como a agropecuária pode ser um agente de transformação dentro da agenda de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.
O texto traz as práticas que contribuem para a redução das emissões de carbono e promovem a resiliência dos sistemas produtivos frente aos impactos do clima. Também aborda estratégias para destravar o financiamento climático, fundamental para o setor, e explora soluções que ampliem o acesso a recursos financeiros e impulsionem a inovação sustentável. O documento destaca o papel do Agro no mercado de carbono, investigando como o setor pode se integrar de forma eficaz ao comércio desses créditos, cooperando para uma economia global de baixo carbono.
O documento ressalta que estes temas são essenciais para o fortalecimento do agronegócio e para a construção de um futuro ambientalmente equilibrado e economicamente sustentável, em todo o mundo. A adaptação dos agrossistemas à mudança do clima é uma prioridade estratégica para países tropicais como o Brasil, cuja agropecuária depende fortemente de condições climáticas estáveis.
Estratégias
As estratégias-chave para adaptação eficaz nos agrossistemas tropicais envolvem aumento da eficiência no uso da terra, ampliando a produtividade nas áreas já convertidas à agricultura, evitando o avanço sobre ecossistemas naturais, como florestas, savanas e áreas úmidas.
Outra estratégia é melhorar a eficiência no uso de recursos hídricos e nutrientes, por exemplo, com a implantação de sistemas de irrigação de precisão. Com relação aos nutrientes, adotar planos de manejo integrado da fertilidade, baseados em análises de solo.
O cultivo de variedades mais tolerantes a estresses abióticos e bióticos é muito importante, com a utilização de cultivares adaptadas às condições adversas, como tolerância à seca e resistente a pragas e doenças. Na pecuária, programas de melhoramento genético.
O manejo conservacionista do solo é fundamental, porque o solo é a base da resiliência agrícola, e, por isso, é necessário utilizar o sistema de plantio direto, fazer terraceamento, curvas de nível, cobertura permanente do solo e rotação de culturas, que reduzem a erosão, aumentam a infiltração de água e mantêm a fertilidade ao longo do tempo.
Os programas de melhoramento genético têm a função de manter o bom desempenho produtivo mesmo sob condições ambientais adversas.
A adaptação eficiente exige inclusão socioterritorial e soluções contextualizadas, isto é, que as soluções sejam construídas com base na realidade de cada território, respeitando a diversidade social, econômica, de gênero e cultural dos produtores rurais.
A promoção da saúde e funcionalidade do solo são estratégicas porque aumentam a matéria orgânica (MOS) e promovem a biodiversidade edáfica e melhoram a estrutura física.
Políticas públicas
Conforme o documento elaborado pela ABAG, a utilização e ampliação em larga escala destas estratégias transformaria a agropecuária num vetor-chave de adaptação e mitigação das mudanças do clima ao mesmo tempo em que promoveria sistemas de produção mais sustentáveis e resilientes.
“No entanto, requer políticas públicas robustas, incentivos econômicos, capacitação técnica e estruturas de monitoramento aprimoradas para quantificar o sequestro de carbono e as reduções de emissões de GEE. Políticas públicas como o Plano ABC+ fornecem uma base para o uso sustentável da terra, porém mais investimentos em pesquisa, infraestrutura e educação são necessários para acelerar a adoção. Integrar mercados de carbono e programas de pagamento por serviços ecossistêmicos também pode incentivar os agricultores a realizarem a transição para uma agricultura climaticamente inteligente”, diz o documento.
Essas estratégias irão alavancar o vasto potencial agropecuário do Brasil contribuindo, significativamente, para a adaptação e mitigação da mudança do clima, segurança alimentar e restauração ecológica, reforçando a liderança do país na agricultura sustentável.


