Afirmação é do CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, que ressalta que a companhia se encaixa dentro deste país que produz bem e com alta eficiência. “É uma empresa que trabalha para ser líder e, cada vez mais, produtiva”
Evoluir constantemente. Assim é possível definir uma das principais companhias do agronegócio brasileiro: a SLC. A história do grupo começou em 1945, em Horizontina (RS). O Grupo SLC é formado pelas empresas SLC Agrícola, SLC Máquinas, SLC Sementes e o Instituto SLC, que tem como objetivo desenvolver a sociedade por meio da educação. O presidente do Grupo SLC é Eduardo Logemann, o CEO da SLC Agrícola é Aurélio Pavinato, e o CEO da SLC Máquinas é Anderson Strada. O Instituto SLC é presidido por Ana Logemann de Almeida. A Matriz da SLC e da SLC Agrícola fica em Porto Alegre (RS), e a sede da SLC Máquinas fica em Cruz Alta (RS).
A SLC Agrícola é uma das empresas do grupo e está localizada em oito estados brasileiros. A empresa produz algodão, milho, soja, sementes e se dedica a criação de gado no modelo integração lavoura-pecuária. Tem cerca de 6.500 colaboradores e 26 unidades de gestão (fazendas). É uma das empresas que mais tem terras no Brasil, e deverá atingir 830 mil hectares de área plantada na safra 2025/2026, entre terras próprias e arrendadas. A SLC Agrícola foi uma das primeiras empresas a abrir o capital na Bolsa de Valores, desde 2007, com valor de mercado superior a R$ 8 bilhões.
A SLC Máquinas tem a rede de concessionários John Deere, com 22 unidades, atendendo 404 municípios no Rio Grande do Sul.
SLC Agrícola
Nesta entrevista, o Anuário traz o CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, para falar sobre o agronegócio brasileiro. Ele ocupa o cargo de diretor-presidente, desde 2012. É formado em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria, com mestrado e doutorado em Ciência do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Iniciou a sua carreira em 1993 na SLC Agrícola.
Ampliar a produção
Segundo Pavinato, a SLC Agrícola cumpre a missão de produzir mais e com mais eficiência. “Em tese, a lógica é que quando se produz mais, com mais eficiência, os preços reduzem no longo prazo e o consumidor acaba tendo um alimento mais barato. Então, nós como empresa e como negócio, nossa estratégia será continuar crescendo ao longo dos anos, aumentando a área plantada e, ao mesmo tempo, a produtividade. Um grande ganho que tivemos ao longo dos últimos 50 anos de empresa é o crescimento da produtividade ano após ano”, observa.
Ele comenta que a SLC Agrícola, fundada em 1977, foi uma das primeiras empresas do Brasil a plantar soja no Cerrado brasileiro, na década de 1980. “As primeiras safras produziam 8 a 15 sacas por hectare. Hoje, nós produzimos, na média da empresa, 66 sacas por hectare. E nas melhores fazendas, com maior histórico de melhorias em tecnologia, nós fechamos 84 sacas por hectare em média”, afirma.
Aumento de produtividade
Pavinato explica que três quartos de todo crescimento na oferta de alimentos no mundo, ao longo dos últimos 50 anos, é resultado do aumento de produtividade. E somente um quarto veio de ampliação de área plantada. “O ganho de eficiência na cadeia produtiva é fundamental para aumentar a oferta e atender a demanda mundial, cada vez maior, por alimentos. E, também, agora, mais recentemente, a demanda por biocombustíveis, que cresce e vem ao encontro da transição energética”, explica.

Quatro pilares
De acordo com Pavinato, a chamada Revolução Verde, no mundo, se fundamentou em quatro pilares. “Primeiro, a fertilização, adubar os solos com mais eficiência; segundo, é a irrigação. Em vários países do mundo a irrigação é muito forte. A Índia, por exemplo, metade da área plantada é irrigada. A China, uma proporção parecida. Os Estados Unidos plantam 23 milhões de hectares com irrigação. O Brasil é um dos países que menos irriga no mundo e tem potencial para irrigar muito mais, porque nós temos muita água, mas como chove adequadamente, se acaba não fazendo tantos investimentos em irrigação”, observa.
Segundo ele, o terceiro pilar é o melhoramento genético que foi uma grande revolução na agricultura. “A hibridação, a genética com maiores produtividades”.
O quarto pilar é o manejo das culturas, todo o pacote de controle de doenças e pragas que não existia antes da Segunda Guerra Mundial. “Os países perdiam produções por doenças, pragas, e era sempre uma limitação a oferta de alimentos. Depois da Revolução Verde, passou a se viver uma condição de suprimento alimentar adequada no mundo”, observa.

Brasil
No Brasil, ressalta Pavinato, essa história é mais evidente ainda, porque pós década de 1970 houve a criação da Embrapa, que ajudou a desenvolver o cerrado brasileiro. “Até, então, o Brasil só produzia na região sul, sudeste e no litoral leste. Na região centro-oeste não existia produção, porque não havia tecnologia para produzir na condição daquele clima tropical e no tipo de solo do Cerrado, muito pobre em termos de fertilidade. E aí a Embrapa, fundada em 1973, começou a fazer pesquisas, o Brasil, ao longo das décadas de 70 e 80, investiu muito em formação de profissionais, que construíram toda esta base tecnológica. Então, esta evolução de produtividade foi uma revolução e o mais importante é que não parou, ela continua”, ressalta.

Novas tecnologias
Pavinato enfatiza que há muitas ferramentas tecnológicas chegando, como a agricultura digital, que está auxiliando na redução dos insumos, aumentando a eficiência da aplicação do fertilizante, porque ele é utilizado onde realmente é necessário, depois de se fazer um mapeamento da presença de pragas. “Com isso se economiza defensivo químico”, afirma.
Ele acrescenta que o Brasil é líder, no mundo, de uma nova revolução, a do controle de pragas e doenças, com os defensivos biológicos. “São produtos muito eficientes e o país já desenvolveu esta tecnologia e está exportando. O Brasil é um case de sucesso em termos de evolução tecnológica no agro. E, além disso, temos um clima tropical favorável para ter uma, duas, três safras, no mesmo ano”, comenta.
Mais eficiência
Pavinato faz uma comparação da produção agrícola do Brasil com o mundo, em termos de culturas anuais, para mostrar a eficiência do país neste setor. “O mundo tem 1 bilhão de hectares plantados e produz 3,5 bilhões de toneladas de grãos, todos os grãos, cereais e oleaginosas. O Brasil, neste ano, está fechando a safra com 332 milhões de toneladas, numa área física de plantio de 54 milhões de hectares. Se dividir 332 por 54 dá seis toneladas por hectare de média, por ano. O mundo, na média, produz 3,5 toneladas por ano. Então, há eficiência na produção dentro das fazendas. A SLC Agrícola se encaixa dentro deste Brasil que produz bem e com alta eficiência. É uma empresa que trabalha para ser líder e, cada vez mais, produtiva”, ressalta.

Modelos de produção agrícola
Pavinato observa que o modelo de produção da SLC envolve terras próprias e arrendadas. “A área própria acaba sustentando o fluxo de caixa da empresa. Por isso que a nossa estratégia foi, ao longo dos anos, aumentar muito as áreas arrendadas. Então, há 38% de áreas próprias plantadas e 62% de áreas arrendadas”.
“Nas áreas arrendadas tem muito menos capital investido, aumenta o risco, porque tem que pagar o arrendamento ao proprietário da terra, mesmo se produziu ou não, se o preço está alto ou baixo. Aumenta a volatilidade do resultado, mas quando cresce o risco, a lógica é que tenha um retorno melhor sobre o capital investido, que é um capital muito menor. Por isso, a estratégia é continuar crescendo mais em arrendamento, buscando maximizar a eficiência de retorno, ao mesmo tempo, garantindo uma estabilidade e uma resiliência da empresa e do sistema produtivo. Nos últimos três anos, a empresa investiu R$ 1,5 bilhão em aquisições de terras. A lógica é manter o portfólio de um terço de áreas próprias e dois terços de áreas arrendadas”, disse Pavinato.

Formação
Ele conta que ao longo da história da empresa sempre se buscou o crescimento da área plantada, mas não havia preocupação em ter um programa de formação de pessoas. Quando ocorria o crescimento não tinha equipe preparada e se perdia um pouco da eficiência. “O que nós estruturamos a partir daí? Um programa forte de trainee, selecionando o melhor estagiário, tendo uma equipe em formação. Nossa estratégia é crescer em torno de 5% a 7% a área plantada, por ano. Então, sempre temos que ter em torno de 5% a 7% de pessoas sendo preparadas para esta expansão. Nossa evolução, em termos de eficiência, dos últimos anos, tem muito a ver com o forte investimento em formação”.
Cultura industrial
Pavinato afirma que a SLC trouxe uma cultura industrial para a gestão do campo, com muitos processos, conceitos, procedimentos das operações, no sistema produtivo agrícola. “A nossa cultura está muito forte e, por isso, nós estamos conseguindo crescer com alta eficiência”, afirma.
Diversificação
A empresa está ampliando o core business, as atividades principais, diversificando os produtos, nos últimos anos. “Em 2018, começamos o projeto de produção de sementes de soja e de algodão. Produzimos sementes de braquiária, que faz cobertura de solo e pastagem. Este ano a empresa pretende comprar e engordar 60 mil cabeças de gado. Há uma diversificação chegando a cinco produtos”, observa.
Ele explica que a estratégia de diversificar negócios é para reduzir riscos, por isso, se está estudando de que maneira será possível agregar valor às commodities já produzidas pela empresa. “Fazer uma parte adicional no processo industrial, mas são estudos ainda sendo elaborados para a gente analisar no momento certo e, quem sabe, fazer investimentos nesta linha. Existe a possibilidade de fazer algum investimento na fruticultura, por exemplo. Sempre dentro de uma estratégia de mitigação de riscos a diversificação é conveniente”, ressalta ele.

Mundo
Na avaliação de Pavinato, a produção agrícola brasileira e mundial serão capazes de atender a demanda do mundo por alimentos. “Atender as 10 bilhões de pessoas, em 2050, e, ao mesmo tempo, a demanda mundial por biocombustíveis, que vai ser crescente, especialmente, para o transporte aéreo. Nossa visão é que devemos investir nesta linha. Então, quando eu falo em agregar valor significa industrializar a soja, milho. E aí o caminho natural é atender a essa demanda de biocombustíveis”, afirma.
Crédito de carbono
Sobre o crédito de carbono, Pavinato comenta que este mercado está engatinhando, em maturação no Brasil. “Ele vai gerar algum valor adicional para o setor, desde que se consiga entregar e comprovar que aumentou o estoque de carbono. O que não pode acontecer é você vender um crédito e depois, de alguma forma, emitir aquele carbono que está lá. A lógica do crédito de carbono é você sequestrar e remover este carbono da atmosfera e manter ele preso por um período determinado. No nosso caso é um projeto de 40 anos”, afirma.
Lucros
Segundo Pavinato, a perspectiva para 2025 é fechar o ano com lucros melhores do que 2024.
Futuro
A SLC quer crescer sempre, no entanto, não apenas em números, mas, principalmente, impactando positivamente a vida das pessoas, pensando nas próximas gerações. Por isso, com olhar para o futuro, o grupo criou, em 2019, o Instituto SLC, que concentra os esforços da SLC Agrícola, SLC Máquinas e SLC Participações, para participar, ativamente, das comunidades onde o grupo está inserido. “Isso faz parte do pacto e do legado que a empresa quer deixar ao mundo, o equilíbrio sustentável nos negócios”, concluiu Pavinato.



