Cultivo protegido em estufas eleva em até 33% a produção e reduz pragas, com ganhos para agricultores e meio ambiente
Agricultores da Serra de Ibiapaba, no Ceará, estão melhorando a produção de tomate-cereja com o cultivo da hortaliça em substrato de casca de coco. Nesse modelo de produção, as plantas são cultivadas em vasos ou sacos contendo o substrato, dentro de estufas teladas, e as necessidades hídricas e nutricionais são supridas com a aplicação de soluções nutritivas, por meio de um sistema de irrigação e fertirrigação. A tecnologia desenvolvida pela Embrapa Agroindústria Tropical, possibilita o aumento de até 33% na produtividade da hortaliça, em relação ao cultivo em campo aberto, e tem sido utilizada também para a produção de pimentões coloridos.
O Ceará é o maior produtor de tomate do Nordeste, com uma produção estimada em 184.799 toneladas, em uma área colhida de 2.550 hectares, em 2023, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Serra da Ibiapaba é o principal polo de produção do estado, com destaque para municípios como Guaraciaba do Norte, Tianguá e São Benedito, que concentram a maior parte da colheita. A produtividade média do tomate tipo salada, em 2023, foi de 72,4 toneladas por hectare e o valor bruto da produção alcançou R$719 milhões. A maioria dos plantios é realizada no solo e sob telado, situação mais comum na Serra da Ibiapaba, que tende a mudar com a chegada da tecnologia de cultivo protegido em estufa, sem solo.
Menor incidência de pragas
Os primeiros experimentos para a produção de tomate-cereja em cultivo protegido com uso de substrato da casca do coco foram realizados nos municípios cearenses de Guaraciaba do Norte e São Benedito. Julião Soares, produtor de tomate e proprietário da Estufa Timbaúba (Guaraciaba do Norte), trabalha com a hortaliça há quase 30 anos e buscou o apoio da Embrapa para adotar o cultivo protegido e sem solo.
“Antes, plantávamos em campo aberto, em grande quantidade de terra e com baixa produtividade, mas, percebemos, a partir de visitas a algumas feiras do setor, que é possível produzir em um espaço mais compacto e obter maior produtividade. Apostamos no cultivo protegido em substrato da casca do coco e deu muito certo”, relata o produtor.
Para gerir o negócio, o produtor conta com o apoio do filho João Victor Soares, estudante de agronomia, que cuida da parte administrativa e do acompanhamento e monitoramento do pomar, requisito essencial para manter as plantas sadias. “Observamos que no cultivo protegido a incidência de pragas é bem menor por causa do ambiente fechado e controlado. E, quando ocorre, fica mais fácil adotar o manejo integrado de pragas, ou seja, aplicar as medidas de controle precisas”, enfatiza o jovem agricultor.
Benefícios para os agricultores e para o meio ambiente
De acordo com o pesquisador Fábio Miranda, além de alta produtividade, o cultivo protegido de hortaliças em substrato de fibra de coco proporciona benefícios para os agricultores e para o meio ambiente. “As excelentes características físicas e químicas da fibra do coco, como estabilidade, baixo peso, alta porosidade, boa aeração, capacidade elevada de retenção de água e pH neutro, proporciona cultivos com alto rendimento, frutos com qualidade e mais valorizados no mercado e melhor eficiência no uso da água e de fertilizantes”, destaca.
Ainda de acordo com Miranda, a tecnologia também reduz custos com mão de obra, em virtude da diminuição da necessidade de tratos culturais como capinas e pulverizações, resultando em excelente custo-benefício. Além disso, o uso da casca do coco como substrato no cultivo protegido de hortaliças proporciona benefícios para o meio ambiente. Por ser abundante no Nordeste, essa matéria prima é de baixo custo, o que favorece o seu aproveitamento pelos produtores rurais, possibilitando uma destinação adequada para um resíduo de difícil degradação.

Vitrine tecnológica
Em março de 2025 o cultivo protegido em substrato da casca do coco ganhou uma vitrine na área de comercialização da Forteagro, empresa do ramo agropecuário, com sede em Guaraciaba do Norte, parceira da Embrapa em ações para transferência da tecnologia. No espaço, além de tomate-cereja, são produzidos pimentões coloridos em substrato da casca do coco e diferentes tipos de folhosas (alface, rúcula, cebolinha e coentro) em leito de areia, prática hidropônica de baixo custo e alta eficiência.
A vitrine tecnológica é formada por três modelos de estufas integradas, para viabilizar o cultivo protegido de diferentes tipos de hortaliças, cada um pensado para atender especificidades das culturas. “Estamos refinando o sistema de cultivo protegido e, dentre as inovações incorporadas, destaca-se um sistema de fertirrigação totalmente automatizado, que determina com alta precisão as quantidades de água e fertilizantes para as plantas e realiza as aplicações de acordo com a necessidade”, explica o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, Marlos Bezerra.

No espaço, os produtores podem conhecer como a tecnologia funciona, o que é preciso para implantação do sistema e os ganhos proporcionados com a sua adoção. Entre os critérios para garantir eficiência a esse modelo de produção está a escolha adequada do substrato para sustentação das plantas (em vasos e calhas) e do modelo de estufa a ser utilizado e o uso de um sistema de irrigação inovador. Para adoção da tecnologia, os agricultores contam com o apoio de técnicos da Forteagro, que auxiliam na elaboração do projeto da estufa, conforme os objetivos de produção, aquisição do equipamento junto ao fabricante, montagem e outros aspectos necessários para um investimento seguro e uso eficiente do sistema.
Diva Gonçalves (MTB 0148/AC)
Embrapa Agroindústria Tropical
Ricardo Moura (DRT 1.618 JP/CE)
Embrapa Agroindústria Tropical


