Por Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho de Administração da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)
O Ano Internacional das Cooperativas, declarado pela ONU para 2025, convidou o mundo a refletir sobre como a cooperação pode transformar realidades e oferecer caminhos concretos para enfrentar desafios globais. No Brasil, esse marco histórico teve um significado ainda mais especial quando pensamos na agricultura familiar, que se apoia no cooperativismo para se fortalecer, crescer e se conectar a mercados cada vez mais exigentes.
As cooperativas nasceram da necessidade de unir forças diante de limitações individuais. Esse princípio continua atual, sobretudo para agricultores e agricultoras familiares que, isolados, enfrentariam barreiras quase intransponíveis para acessar crédito, tecnologia, capacitação, logística e canais de comercialização. Organizados em cooperativas, esses produtores superam suas dificuldades e também conquistam espaço em cadeias produtivas nacionais e internacionais. O cooperativismo se mostra, cada vez mais, como uma estratégia de desenvolvimento que multiplica oportunidades, distribui renda e promove inclusão social.
O reconhecimento internacional dado pela ONU reforçou o que nós, cooperativistas, já sabemos: cooperativas são instrumentos poderosos para a construção de sociedades mais justas e sustentáveis. Ao oferecer condições para que a agricultura familiar prospere, esse modelo de negócios garante alimentos de qualidade nas mesas de milhões de brasileiros, diversifica a economia no campo e contribui para a redução de desigualdades. O impacto alcança também a dimensão cultural e ambiental, uma vez que, nas cooperativas, práticas sustentáveis encontram espaço para florescer, ao mesmo tempo em que preserva o meio ambiente e valoriza modos de vida que mantêm viva a identidade rural brasileira.
Os números recentes do cooperativismo confirmam essa trajetória: crescimento constante no número de cooperados, expansão de mercados e resultados econômicos superiores à média nacional. Para além das estatísticas, é no cotidiano de cada agricultor e agricultora familiar que o legado da cooperação se manifesta. São famílias que encontram dignidade no trabalho coletivo, participam ativamente das decisões de suas cooperativas, prosperaram e percebem, no dia a dia, a força transformadora da união.
O Ano Internacional representou também um ponto de virada. Ele ampliou horizontes e fortaleceu a compreensão sobre a necessidade de políticas públicas e privadas voltadas ao cooperativismo da agricultura familiar. Mostrou que garantir a continuidade desse segmento estratégico requer inovação, educação e sustentabilidade. O futuro passa por novas formas de intercooperação, conectando ramos distintos do cooperativismo – crédito, agro, transporte, saúde – para criar redes ainda mais sólidas de apoio às comunidades rurais. Essa integração permitirá transformar potencial em prosperidade compartilhada.
Quando a ONU voltou sua atenção para as cooperativas, reconheceu que o mundo precisa de modelos econômicos que priorizem pessoas e comunidades. E o Brasil tem comprovado que a agricultura familiar organizada em cooperativas oferece um caminho seguro para assegurar a segurança alimentar, gerar emprego e renda e preservar os recursos naturais. O legado que deixamos é a prova de que o desenvolvimento pode caminhar junto com solidariedade, sustentabilidade e democracia econômica.
O cooperativismo é, antes de tudo, uma escolha de vida que reafirma que ninguém precisa caminhar sozinho. Que 2025 seja lembrado como o ano em que a agricultura familiar brasileira mostrou sua força ao mundo, revelando a cooperação como ferramenta de transformação e esperança.

