Segundo Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM), Brasil tem cerca de 700 produtores de sementes que investem em pessoal qualificado, equipamento e infraestrutura para entregar produto certificado e legalizado
Com a geração de novas tecnologias para o campo, muito trabalho por parte dos produtores rurais, clima favorável, o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para exportador e referência mundial no setor agropecuário.
O Brasil tem uma área total de 850.280.588 de hectares e o setor agropecuário ocupa 256.784.738 de hectares, ou seja, 30,2% do território brasileiro, sendo divididos em 112.237.038 de hectares de pastagens plantadas (13,2%), 10.203.367 de hectares de florestas plantadas (1,2%) e 66.321.886 de hectares de lavouras (7,8%), e 68.022.447 hectares de pastagens nativas (8,0%), segundo informações de pesquisa realizada pela Embrapa Territorial, com dados do CAR de 2018, que quantificou a dimensão territorial e a contribuição para a agricultura e à preservação ambiental no país.
Para que estas culturas de pastagens, lavouras e florestas plantadas sejam viabilizadas são necessários diversos tipos de sementes em quantidade e qualidade, com controle de qualidade e legalizadas. Qual é a realidade deste setor no país?
A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM), fundada em 1972, reúne as associações estaduais de produtores de sementes e entidades representativas de todo o setor de sementes do Brasil, de obtentores a usuários. Ela envolve os setores de pesquisa, produção, multiplicação, beneficiamento, armazenamento e comercialização e tem por objetivo manter uma representação institucional forte e atuante deste segmento, segundo informações do Anuário 2025 da entidade.
E um importante indicador da quantidade de sementes certificadas e fiscalizadas utilizadas numa lavoura é a Taxa de Utilização de Sementes (TUS), fundamental para se alcançar altas produtividades e competitividade na produção agrícola.
Conforme a ABRASEM, a adoção de semente comercial pelo agricultor sinaliza várias iniciativas que contribuem para a obtenção de alta produtividade das culturas, que pode ser encontrada, praticamente, em todas as espécies. “Assim, exemplificando para soja, com uma TUS de 67%, possibilita que os programas de melhoramento (germoplasma e biotecnologia) invistam no desenvolvimento e na criação de cultivares superiores, e os produtores de sementes, em inovações tecnológicas e práticas de produção para a obtenção de sementes de alta qualidade em quantidade”.
Uma TUS alta indica que a maior parte da área cultivada está utilizando sementes de qualidade, enquanto que uma TUS baixa indica que o produtor está utilizando sementes próprias (salvas) ou material não certificado.
“A área cultivada para grãos alcançou mais de 80 milhões de hectares, sendo que aumentou em um dígito nas principais espécies, exceto para trigo, que diminuiu em mais de 10%. Por outro lado, a produtividade aumentou para a maioria das espécies, inclusive algumas em mais de 10%. A produtividade é função de diversos fatores bióticos e abióticos, sendo o clima um dos mais acentuados. Entretanto em uma análise no tempo, levando em conta várias décadas, constata-se que o aumento de produtividade devido ao uso de sementes de alta qualidade das variedades melhoradas (germoplasma e biotecnologia) situa-se ao redor de 2% ao ano”, de acordo com informações do Anuário 2025.
Segundo a ABRASEM, a semente para chegar às mãos do agricultor passa por várias etapas, inclusive antes de ser efetivamente produzida no campo a céu aberto. “Pode-se considerar que a primeira etapa é a obtenção da semente de uma cultivar superior, que necessita ser multiplicada várias vezes antes de chegar às mãos do agricultor, sendo seus atributos agronômicos testados em vários ambientes e condições. Uma vez caracterizada a cultivar, principalmente por seu desempenho superior, sua semente é multiplicada por várias gerações, passando por semente genética, básica, C1, C2, S1 e S2. No caso de sementes de materiais geneticamente modificados (soja e milho), cujos grãos são largamente exportados, também envolve aprovação do país importador”.
Conforme as estatísticas da produção de sementes no Brasil do Anuário 2025 da ABRASEM, a Taxa de Utilização de Sementes (TUS) varia entre as plantas. As culturas com alta taxa demonstram uma adoção massiva de sementes certificadas e tecnologicamente avançadas, como milho com TUS de 91%, algodão (88%), e sorgo (85%). O trigo tem TUS de 70%, arroz Irrigado (68%), soja (67%). Cevada (55%), triticale (43%). Gergelim (22%), milheto (21%), arroz sequeiro (20%), aveia (20%), feijão (15%), amendoim (14%).
A ABRASEM ressalta que “antes de uma semente ser considerada “pronta” para comercialização, devidamente protegida do ponto de vista legal, ela passa pela produção a campo, a céu aberto, ocasião em que os produtores de sementes utilizam técnicas avançadas de produção, tecnologia de pós-colheita, avaliação da qualidade, entre outros procedimentos, para oferecer ao agricultor a principal matéria prima para estabelecer seu campo de produção”.
O Brasil tem cerca de 700 produtores de sementes que utilizam mão de obra especializada para a produção e avaliação da qualidade, assim como possuem unidades de beneficiamento de sementes para secagem, limpeza, classificação, tratamento e armazenamento das sementes. “O produtor de sementes investe em pessoal qualificado, equipamento e infraestrutura, pois a concorrência é acentuada, e o agricultor é exigente”.
“As espécies possuem especificidades para a produção de sementes, principalmente no caso de materiais híbridos, como é o caso de milho, sorgo, arroz (parte) e algumas hortaliças, que requerem isolamento físico ou temporal assim como receptor e doador de pólen”.
A cultura do milho no país precisa de 351 mil toneladas de sementes para o plantio. “Considerando que sejam todas de híbrido simples, cuja produtividade dos países ao redor é de 1 t/h, pois se colhe para semente apenas a linhagem mãe, tem-se que a necessidade de área para a produção é de 351 mil hectares. Esta área toda recebe irrigação artificial para garantir a produção, pois a concorrência é grande e acirrada, não podendo faltar semente”, segundo a ABRASEM.
De acordo com a ABRASEM, o tratamento industrial de sementes e a venda por número são alguns procedimentos recentes utilizados pelos produtores de sementes que beneficia muito os agricultores.
“Também merece destaque o trabalho do produtor de sementes em avaliar a qualidade de sua semente, pois cada lote vem sendo analisado por vários atributos de qualidade e diversas vezes, sendo comum ocorrerem mais de 20 avaliações, que podem ser acessadas de forma virtual. A grandeza da avaliação da qualidade pode ser observada em sementes de soja, das quais 1,7 milhão de toneladas, comercializadas em lotes com um máximo de 30 toneladas, resultam em mais de 56 mil lotes, que analisados 20 vezes; isso significa mais de um milhão de resultados”, conforme informações do Anuário 2025 da ABRASEM.


