Cultivo de soja construiu uma complexa cadeia produtiva que envolve produção primária, transformação industrial, pecuária em geral, e é central ao desenvolvimento econômico do país, afirma ABRASS
A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS) afirma que a cadeia de produção de sementes de soja no Brasil é um setor estratégico do agronegócio nacional que reúne avanços tecnológicos, marcos regulatórios, dinâmicas de mercado e articulações institucionais, é um sistema altamente regulado e profissionalizado, conforme informações da matéria “O cenário atual do mercado de sementes de soja no brasil” publicado no Anuário 2025 da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM).
“A consolidação desse cenário foi possível graças à promulgação da Lei de Proteção de Cultivares (1997) e da Lei de Sementes e Mudas (2003), regulamentadas por decretos (2004 e 2020) e complementadas por portarias (2022 e 2023). Esse arcabouço legal deu origem a um sistema robusto, pautado pela certificação, pela proteção da propriedade intelectual, pelo estímulo à pesquisa e pela expressiva participação do setor privado, consolidando a produção de sementes de soja como um dos pilares da competitividade agrícola brasileira”, destaca a entidade.
Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja, Osli Barreto, a entidade discute ativamente pautas como a modernização da legislação de proteção de cultivares, o combate efetivo à pirataria e à informalidade no mercado de sementes e a regulamentação de novas tecnologias que garantam a inovação e a sustentabilidade da produção.
ABRASS mostra que a consolidação do mercado de sementes se justifica, pois a produção de soja é central no desenvolvimento econômico do país. “O cultivo desse grão foi capaz de construir uma complexa cadeia produtiva, que engloba a produção primária, a transformação industrial, bem como a produção de carnes em geral. Entre 1991 e 2022, a participação da soja na produção de grãos saltou de 28,4% para aproximadamente 50%, enquanto a produtividade aumentou de 2.027 kg/ha para 3.507 kg/ha, uma variação de 70,1%; já a área plantada passou de 9,6 milhões para 44,1 milhões de hectares, evidenciando a rápida expansão e o ganho de eficiência desse cultivo”.
A ABRASS ressalta que os multiplicadores de sementes de soja tiveram papel decisivo nesse processo, garantindo a produção de material genético de alta qualidade e fomentando a adoção de tecnologias que elevaram rendimento e sustentabilidade.
A ABRASS destaca que quando se fala em valores do mercado de sementes de soja, no Brasil, segundo dados exclusivos da Blink Consultoria, o mercado total, em 2022/23, movimentou R$ 33,6 bilhões, resultando num crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior. “No entanto, o setor enfrenta um grande desafio que são os R$ 9 bilhões do mercado não certificado – aquele formado por sementes salvas ou piratas na safra 2025/26, segundo a Céleres Consultoria. Esse desequilíbrio representa perdas potenciais anuais caso todo o mercado migrasse para a certificação, preservando a garantia de germinação, a sanidade e a pureza varietal”, observa a entidade.
“Na análise de custos para a produção de sementes – tomando como exemplo uma cultivar vastamente plantada em Mato Grosso –, o custo médio de produção (Cost of goods sold – COGS) distribui-se em aproximadamente 20,6 % para matéria-prima, 7,7 % para royalties de germoplasma, 24,6 % para biotecnologia e 47,1 % para fretes, beneficiamento, mão de obra e despesas financeiras (Céleres Consultoria). Com isso, a margem líquida representa apenas R$ 139,65 por saca (cerca de 21,5 % do COGS), o que evidencia a importância do controle rigoroso dos custos industriais e financeiros para a sustentabilidade do multiplicador”.
A ABRASS afirma que as perspectivas de crescimento são animadoras, porque o Brasil projeta alcançar 48,3 milhões, em 2025/26, o que deverá elevar a demanda por sementes certificadas para 49,2 milhões em 2026/27, segundo dados da Céleres Consultoria em levantamento periódico para a ABRASS. “Em um cenário otimista, esse mercado pode chegar a 51,2 milhões de sacas, impulsionado pela necessidade de renovação de área, pela adoção de novas tecnologias e pelas exigências de qualidade dos mercados consumidores. Além disso, a expansão do mercado global de proteína vegetal e as demandas por sustentabilidade devem abrir novas frentes de exportação e de desenvolvimento de cultivares adaptadas a diferentes condições ambientais”.
A entidade destaca que há desafios a superar como a utilização de sementes não certificadas (28% do mercado) que traz riscos para sanidade e gera concorrência desleal. “O custo do crédito permanece alto, com taxas reais pressionadas pela taxa Selic; e a volatilidade cambial, com cenários que vão de R$ 5,60 a R$ 6,70 por dólar, impactando diretamente na paridade de exportação e no preço doméstico da saca”.
Por outro lado, o crescimento do tratamento industrial de sementes (TSI) é uma oportunidade, que passou de R$ 1,19 bilhão em 2021, com projeções acima de R$ 1,76 bilhão em 2025/26. “A personalização de receitas e a praticidade de receber sementes prontas para semeadura têm atraído cada vez mais produtores. As inovações em biotecnologia e melhoramento genético, com investimentos anuais vultuosos pelas principais obtentoras, geram retornos sociais e econômicos para toda a cadeia”.
A ABRASS enfatiza que para “navegar neste cenário complexo, os multiplicadores de sementes devem fortalecer a certificação e evidenciar os diferenciais da semente legal, otimizar custos financeiros por meio de renegociação de dívidas, investir em tecnologias de precisão no processamento e tratamento, ampliar parcerias institucionais para combater a semente pirata e explorar nichos de alta tecnologia, como edição gênica e bioinsumos”.
O presidente da ABRASS, André Schwening, afirma que “há necessidade de políticas públicas mais robustas para combater a pirataria e a informalidade, que minam a inovação e a segurança fitossanitária, até a urgência de promover a pesquisa e o desenvolvimento de novas cultivares adaptadas às diferentes realidades de clima e de solo do nosso vasto território. Além disso, a volatilidade dos custos de produção e a pressão por sustentabilidade exigem que trabalhemos em conjunto com toda a cadeia produtiva para garantir que o produtor brasileiro tenha acesso a sementes de alta qualidade, que impulsionem a produtividade e a competitividade do nosso agronegócio”.

