Feijão: redução de área e aumento de produção

Valor da produção da cultura, em 2024, foi de R$ 12,1 bilhões, com 3.018.459 de toneladas, numa área colhida de 2.631.805 hectares, rendimento médio de 1.147 Kg por hectare

O feijão é extremamente relevante na alimentação das pessoas pelo alto valor nutricional e por ser a combinação perfeita com o arroz, que faz da cultura, uma das graníferas mais abrangentes do país, sendo produzida, praticamente, nas cinco regiões e em todos os estados do país, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acrescenta que há três grandes grupos principais de feijão que a companhia acompanha, são eles: feijão-comum cores, feijão-comum preto e feijão-caupi. 

Conforme artigo de Alcido Elenor Wander e Osmira Fatima da Silva, pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, historicamente, o feijão foi cultivado no Brasil por muitos pequenos produtores, com baixo uso de insumos externos, e voltado sobretudo para a subsistência das famílias. 

“Essa tradição, no entanto, foi dando lugar a cultivos mais tecnificados e em maior escala, utilizando controle fitossanitário e colheita mecanizada, às vezes, irrigados, os quais, com maior aporte de insumos no processo produtivo, alcançam produtividades superiores a 3.000 kg/ha”.

Segundo os pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, no período de 1974 a 2023, a área de plantio de feijões no Brasil sofreu uma redução de 4.288.555 hectares para 2.425.222 hectares (-43%), contudo, a produção aumentou de 2.238.012 toneladas para 2.899.043 toneladas (+30%), graças ao incremento na produtividade média de 522 kg/ha para 1.176 kg/ha (+125%). 

“Este volume de produção é próximo do consumo interno de feijões. O Brasil exporta aproximadamente 100 mil toneladas, porém importa quantidades de outros tipos de feijões de mesmo volume. Em anos recentes, as importações têm diminuído e as exportações apresentado ligeiros aumentos”.

Conforme dados do IBGE, o valor da produção da cultura de feijão, em 2024, foi de R$ 12,1 bilhões, com uma produção de 3.018.459 toneladas, numa área colhida de 2.631.805 hectares, rendimento médio de 1.147 Kg por hectare. O maior produtor do Brasil de feijão é o estado do Paraná, seguido de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso e Bahia. 

Conforme a Conab, além dos fatores alimentícios, a cultura de feijão tem seu apelo agronômico, principalmente, pelo seu ciclo fenológico considerado mais curto e que possibilita ao produtor adequar melhor o seu plantio dentro de uma janela menor, sem ter que abrir mão da produção de outros grãos ainda no mesmo ano-safra. 

“Nesse cenário, o Brasil possui três épocas distintas de plantio, favorecendo assim uma oferta constante do produto ao longo do ano. Dessa forma, tem-se o feijão de primeira safra, semeado entre agosto e dezembro, o de segunda safra, cultivado entre janeiro e abril, e o de terceira safra, semeado de maio a julho”, observa a Conab.

Safra 2025/2026

De acordo com a Conab, para 2025/26, em virtude de ser uma cultura de ciclo curto e muito responsiva a preços, a tendência é que os produtores sejam mais cautelosos na definição de área, acompanhando a evolução dos preços de mercado. A projeção é de produção com leve redução de 1%, com um volume produzido estimado em 3 milhões de toneladas de feijão na safra 2025/26. 

“No que se refere aos preços ao consumidor, o feijão observou um longo período de queda, que permitiu um maior acesso ao alimento básico, sobretudo das camadas de menor renda. Atualmente, porém, as redes varejistas vêm operando com estoques mais enxutos e forte seletividade, o que pode interromper, mesmo que ligeiramente, a trajetória de queda de preços”. 

A Conab afirma que a projeção é de um consumo estável na safra 2025/26, sendo projetado um consumo de 2,8 milhões de toneladas. “Em síntese, o feijão mantém quadro de oferta ‘elástica’ e decisões táticas. A primeira safra dependerá do clima e do sinal de preço durante a semeadura, ao passo que a segunda safra responderá rapidamente a qualquer melhora. No feijão-comum preto, o câmbio pode atenuar o excesso doméstico via exportação, mas a chave continua sendo reativar o consumo”. 

Conforme análise da Conab, como alimento básico, o feijão preserva a demanda estrutural, visto que o desafio que se impõe é o de reconectar preço, qualidade e varejo em um ambiente de renda e crédito ainda ajustados.

Produção mundial 

Os pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, afirmam que em 2023, “segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), foram produzidas mundialmente um total de 28.505.529,5 toneladas de feijões secos. Mesmo com esse pequeno volume de produção mundial de feijão, 17,4% são produzidos para exportação. Em 2023, seis países foram responsáveis por 58,1% dessa exportação: Myanmar, 26,9%; Estados Unidos, 10,8%; Argentina, 9,0%; Canadá, 6,1%; China, 3,7% e Brasil, 1,7%”.

Eles explicam que o sistema de comercialização é o mais variado possível, com predomínio de um pequeno grupo de atacadistas que concentra a distribuição dos grãos, ocasionando, muitas vezes, especulações quando ocorrem problemas na produção. “Com a informatização, os produtores têm maior facilidade de acesso às informações de mercado, criando melhores possibilidades de comercialização do produto e, consequentemente, gerando maior renda”.

Como o plantio de feijão no Brasil é feito ao longo do ano, em três épocas, dependendo da região, acrescentam os pesquisadores, “em qualquer mês, sempre haverá produção em algum ponto do País, o que contribui para o abastecimento interno e reduz a oscilação dos preços”.

Cerca de 97% das unidades produtoras de feijão mantêm lavouras menores do que cinco hectares.

Cerca de 3 mil grandes lavouras (0,5% do total) respondem por 75% da produção brasileira de feijão: 1,2 milhão de toneladas.

Dados são de pesquisa da Embrapa Arroz e Feijão que avaliou a área ocupada pela cultura nos seis principais produtores nacionais: Paraná, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso e Bahia.

As lavouras de feijão costumam ser pequenas, independentemente do tamanho da propriedade que pode ser grande, média ou pequena.

Embora sejam em número menor, as grandes lavouras de feijão (maiores que 50 hectares) concentram a maior parte da produção nacional.

Desde a safra 2017/2018, o Brasil tem exportado mais feijão do que importado.

A maioria dos produtores de feijão do Brasil planta lavouras menores do que cinco hectares. Essas áreas correspondem a cerca de 97% de unidades produtoras do grão no País, localizadas em 533,5 mil propriedades rurais. No entanto, o maior volume produzido vem das grandes lavouras, que são minoria. Esse é o resultado de uma pesquisa da Embrapa Arroz e Feijão (GO) que levou em conta a área plantada entre os seis principais estados produtores da leguminosa (Paraná, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso e Bahia) e os grupos comerciais preto e cores (carioca, roxinho, mulatinho etc).

O estudo utilizou informações do último Censo Agropecuário 2017, publicado em 2023 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para efeito de análise, houve a adaptação de dados para classificação em três categorias: pequenas lavouras com áreas plantadas com feijão menores que cinco hectares; médias lavouras com áreas entre cinco e menores que cinquenta hectares; e grandes lavouras com áreas a partir de cinquenta hectares.

As lavouras menores do que cinco hectares (que correspondem a 97% dos estabelecimentos que produziram feijão no Brasil) podem fazer parte ou estar situadas em grandes, médias ou pequenas propriedades rurais. “O tamanho da lavoura de feijão diz respeito especificamente à área de cultivo e não equivale necessariamente ao tamanho da propriedade rural ou do estabelecimento agropecuário produtor onde ela está localizada”, explica o socioeconomista da Embrapa, Alcido Wander, um dos responsáveis pelo estudo.

Maior parte da produção concentrada em grandes lavouras

Ainda de acordo com Wander, embora numericamente predominem no País lavouras de feijão em áreas menores do que cinco hectares, são as grandes plantações do grão, com tamanho igual ou superior a 50 hectares, as responsáveis pela maior parte da produção total, ou seja, aproximadamente 3 mil grandes lavouras produtoras de feijão (0,5% do total) colhem mais de 1,2 milhão de toneladas do grão, o que representa 75% da produção, obedecendo ao recorte dos seis principais estados produtores.

Uma outra constatação dessa pesquisa é que 87% do total de feijão produzido, em torno de 1,5 milhão de toneladas, foram vendidas e abasteceram o mercado; e pouco mais de 200 mil toneladas, isto é, aproximadamente 13% da produção, não chegaram à comercialização e indicam autoconsumo pelas propriedades rurais. Mais detalhadamente, Wander pontuou que “em lavouras com até cinco hectares, o autoconsumo representou 59% da produção no caso do feijão de cor (grãos carioca, roxinho, mulatinho) e 38% no caso do feijão preto”, complementa.

O pesquisador ainda fez outra observação: a inserção da diferenciação entre feijão de cor e feijão preto para efeito de análise pode ter levado à contagem dupla de alguns estabelecimentos rurais que produzem o grão. “Do ponto de vista metodológico, considerou-se que as propriedades rurais plantaram um ou outro tipo de feijão, mas, na prática, é possível que alguns produtores tenham plantado ambos os tipos de feijão”, esclarece. Assim, o número total de estabelecimentos, cerca de 550,5 mil, pode ser um pouco maior do que o número real.

O futuro do feijão

Wander considera que a produção brasileira de feijões ao longo do tempo tem sido ajustada ao consumo interno. De acordo com ele, nos últimos dez anos, a produção no Brasil tem oscilado entre 2,5 milhões de toneladas e 3,4 milhões de toneladas. Já as importações ficam próximas a 100 mil toneladas por ano. Esses volumes têm ajudado o País a manter o abastecimento interno, adicionando ainda uma contribuição que varia entre 130 mil toneladas e 450 mil toneladas do grão dos estoques de passagem, que representam a quantidade de produto armazenado e disponível ao fim de dezembro de cada ano. “O consumo aparente per capita de feijões nos últimos dez anos tem dado sinais de queda, chegando a 13,2 quilos por habitante ao ano”, acrescenta Wander.

Um fato relatado pelo pesquisador é que as exportações de feijão vêm superando as importações em anos recentes. Segundo levantamento realizado a partir de informações adaptadas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil tornou-se um exportador líquido em feijões. A balança comercial se inverteu a partir da safra 2017/18, quando o País passou a comercializar entre 136 mil toneladas e 223 mil toneladas no mercado mundial. Se for considerada apenas a safra 2023/24, houve a exportação de aproximadamente 150 mil toneladas de feijão, um aumento de 22% em relação a dez anos atrás”, concluiu Alcido.

No que diz respeito a projeções para o mercado de feijão, o pesquisador aponta que a expectativa, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), é de leve queda da produção de feijões, chegando a 2,9 milhões de toneladas até 2032/33. Isso representa redução de 5% considerando o período de dez anos (safra 2022/23). O consumo esperado para 2032/33 é de 2,7 milhões de toneladas e as importações estimadas são de 65 mil toneladas em 2032/33.

“Essas projeções de longo prazo podem se confirmar, caso as condições do passado recente sigam as mesmas. Porém, se houver mudanças, como aumento de exportações, aumento de consumo interno, esses números poderão ser maiores”, prevê Wander.

A Conab afirma que a projeção é de um consumo estável na safra 2025/26, sendo projetado em torno de 2,8 milhões toneladas. Foto: Sebastião Araújo