Suinocultura: uma das forças do agronegócio nacional

Conheça mais sobre o setor que coloca carne suína com segurança e responsabilidade na mesa dos brasileiros. Em 2023, a cadeia produtiva da suinocultura movimentou R$ 371,6 bilhões, gerou 151 mil empregos diretos e mais de 1,1 milhão de empregos indiretos

A suinocultura brasileira vive um momento de consolidação como uma das principais forças do agronegócio nacional. De 2015 a 2025, o setor experimentou avanços expressivos em produtividade, exportação e geração de empregos, reforçando sua importância não apenas como atividade econômica, mas como agente de desenvolvimento humano e social. 

Desde 1955, os produtores de suínos são representados pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), que contempla 13 associações estaduais responsáveis por cerca de 95% do plantel tecnificado. A ABCS atua diretamente com as áreas técnica, política e de marketing, na defesa dos interesses dos suinocultores, e no incentivo ao consumo de carne suína no Brasil.

Em 2023, a cadeia produtiva da suinocultura movimentou R$ 371,6 bilhões, abrangendo todas as etapas de produção: aquisição de insumos, produção nas granjas, processamento industrial, comercialização e serviços de apoio. Com base em estimativas do BNDES, a atividade gerou 151 mil empregos diretos e mais de 1,1 milhão de empregos indiretos, distribuindo uma massa salarial de R$ 6,2 bilhões. Esse impacto comprova a capacidade da suinocultura de promover inclusão econômica e sustentar milhares de famílias no campo e na cidade.

Estrutura da cadeia e modelos produtivos

A suinocultura brasileira é estruturada em três principais modelos produtivos: o integrado, o cooperado verticalizado e o independente. Esses modelos coexistem de forma complementar, atendendo as especificidades regionais e as estratégias de mercado de pequenos, médios e grandes produtores. Com base em levantamento junto às associações estaduais e regionais, e empresas do setor, estima-se que o número de matrizes tecnificadas no país continua majoritariamente nos modelos integrados e cooperados. Essa diversidade é um dos pilares da resiliência da cadeia produtiva, que soube responder às demandas de mercado mesmo em períodos de crise.

Destaques regionais e produtividade

A Região Sul do Brasil segue como o grande polo da suinocultura nacional. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul continuam liderando em número de matrizes, volume de abates e produção tecnificada. No primeiro semestre de 2025, Santa Catarina foi responsável por 374,3 mil toneladas de carne suína exportada (+11%), seguida pelo Rio Grande do Sul (158,9 mil t; +21,3%), Paraná (111,3 mil t; +38,8%), Mato Grosso (18,5 mil t; +5,5%) e Minas Gerais (18,4 mil t; +54,7%).

O avanço da suinocultura está diretamente relacionado aos investimentos em pesquisa e inovação. Foto: Divulgação

A produtividade do setor segue em ascensão. De 2015 a 2023, a produção de carcaças cresceu 54,4%, e entre janeiro e junho de 2025, o volume de carne suína in natura exportada totalizou mais de 630 mil toneladas, com US$ 1,626 bilhão em receita e crescimento de 19,2% no volume, e 34,8% em receita em relação ao mesmo período de 2024. No total (considerando carnes in natura e processadas), o Brasil exportou 722 mil toneladas, gerando US$ 1,723 bilhão em receita, segundo a ABPA.

Primeira vez na história 

Pela primeira vez na história, o Brasil exportou mais de 100 mil toneladas mensais de carne suína in natura por cinco meses consecutivos (fevereiro a junho de 2025), estabelecendo novos recordes mensais. A diversificação de destinos também se destaca: as Filipinas e o Japão ampliaram significativamente suas compras, enquanto China e Hong Kong reduziram sua participação.

Pesquisa, inovação e sustentabilidade

O avanço da suinocultura está diretamente relacionado aos investimentos em pesquisa e inovação. Soluções tecnológicas como softwares de gestão, biotecnologia nutricional e aprimoramentos genéticos têm aumentado a eficiência produtiva e reduzido o impacto ambiental. A gestão de resíduos e práticas de bem-estar animal ganham cada vez mais protagonismo, agregando valor à carne suína nacional, especialmente nos mercados internacionais.

Custos de produção e cenário de insumos

O cenário de custos vem beneficiando o produtor em 2025. Os preços do milho e do farelo de soja, que compõem aproximadamente 80% do custo de produção, estão em queda. A CONAB estima uma produção total de mais de 132 milhões de toneladas de milho na safra 2024/25, favorecendo a relação de troca para o produtor.

No Mato Grosso, o milho já é negociado a menos de R$ 40,00 a saca, enquanto o farelo de soja está em torno de R$ 1.500 a tonelada, uma excelente relação de troca entre o suíno e esses insumos. A combinação de insumos mais baratos e exportações aquecidas impulsiona a rentabilidade da atividade.

Perspectivas do setor

As perspectivas para a suinocultura brasileira são otimistas. O crescimento contínuo da demanda global por proteína animal, somado à competitividade da produção nacional, indica que o Brasil continuará ampliando sua presença no mercado internacional. Internamente, ainda há espaço para crescimento do consumo per capita, que hoje alcança o marco de 19.3 kg, e para a valorização da carne suína como alimento nutritivo, acessível e versátil.

A ABCS, como entidade representativa do setor, tem atuado para fortalecer toda a cadeia, promovendo o diálogo entre produtores, indústria, governo e sociedade. Com foco em inovação, educação, sustentabilidade e mercado, a entidade busca garantir que a suinocultura continue sendo um dos motores do agronegócio nacional, gerando empregos, renda e qualidade de vida para milhares de brasileiros.

Conheça mais sobre o trabalho da ABCS e sobre a suinocultura brasileira em: https://abcs.org.br