Mais Alimentos democratiza recursos, gera mecanização, amplia produtividade e bem-estar do agricultor

Entrevista destaca avanços, desafios e perspectivas do Programa Mais Alimentos

O Programa Mais Alimentos consolidou-se como uma das principais políticas públicas voltadas à modernização da agricultura familiar. Ao estimular a produção, incentivar a inovação e promover práticas sustentáveis, o programa fortalece a inclusão produtiva, a agroindustrialização, o desenvolvimento tecnológico e a cooperação internacional. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, responsável por seu monitoramento e avaliação.

Nesta entrevista ao Anuário Brasileiro do Agronegócio e Agricultura Familiar, o coordenador-geral de Financiamento à Produção Rural da SAF/MDA, Robson Lopes, destaca como o Mais Alimentos ampliou o acesso a tratores, colheitadeiras, implementos agrícolas e sistemas de irrigação, acelerando o processo de modernização no campo. Ele também aponta os desafios que seguem no horizonte: ampliar a oferta de máquinas e equipamentos adaptados às realidades regionais da agricultura familiar; integrar o programa às políticas de transição agroecológica; e fortalecer a assistência técnica e extensão rural para garantir o uso eficiente dos equipamentos e o retorno produtivo aos agricultores.

Anuário – O que é o Programa Mais Alimentos?

Robson Lopes – O Programa Mais Alimentos foi lançado em 2008 como uma resposta do governo brasileiro à crise mundial de alimentos, que causou um aumento generalizado dos preços, impactando especialmente os mais vulneráveis. O programa foi uma iniciativa dentro do Plano Safra, com o objetivo de aumentar a produção e a produtividade da agricultura familiar no Brasil. Isso seria alcançado por meio de uma linha de crédito específica, o Pronaf Mais Alimentos, que oferecia financiamento com juros baixos para investimentos em infraestrutura, maquinário e modernização das unidades produtivas familiares. 

Inicialmente, a linha de crédito oferecia taxa de juros reduzida e tinha como meta aumentar a produção em culturas como milho, feijão, arroz, mandioca, além da produção de leite e carne suína e bovina. Em 2023, o Decreto nº 11.584, de 28 de junho de 2023, reeditou o Programa Mais Alimentos, com o nome Programa Nacional de Máquinas, Equipamentos e Implementos para Produção Sustentável de Alimentos pela Agricultura Familiar, tendo como objetivo principal ampliar e otimizar a capacidade produtiva da agricultura familiar, promovendo a segurança alimentar e nutricional, por meio do acesso facilitado a máquinas, equipamentos e implementos agrícolas adaptados às necessidades específicas dos agricultores familiares.

Anuário – O Mais Alimentos facilitou o acesso ao crédito da agricultura familiar para aquisição de máquinas e implementos agrícolas? Ele democratizou os recursos financeiros?

Robson Lopes – Sim. A partir do Mais Alimentos, agricultores familiares passaram a ter acesso a tratores, colheitadeiras, implementos agrícolas e sistemas de irrigação, por exemplo. Essa democratização dos recursos financeiros permitiu maior inclusão produtiva, especialmente de agricultores que antes não tinham condições de mecanizar suas propriedades.

Anuário – Ele conseguiu modernizar o sistema produtivo e ampliar a produtividade, a oferta de alimentos?

Robson Lopes – Sim. A mecanização, a irrigação e a melhoria da infraestrutura de armazenagem e pós-colheita reduziram perdas, elevaram a produtividade e garantiram maior regularidade da oferta de alimentos. Esse impacto foi fundamental para a segurança alimentar do país.

 

Anuário – E, consequentemente, o Mais Alimentos ampliou a renda no campo e a qualidade de vida das famílias que vivem no campo?

Robson Lopes – Sem dúvida. O aumento da produtividade gerou maior renda para as famílias agricultoras. Além disso, a redução do esforço físico, a introdução de novas tecnologias e a diversificação da produção contribuíram diretamente para melhorar a qualidade de vida e estimular a permanência da juventude no campo.

Anuário – Outro impacto do Mais Alimentos foi a geração de empregos na cidade, principalmente, no setor industrial agrícola e prestadores de serviços?

Robson Lopes – Sim. O programa estimulou a indústria nacional de máquinas e implementos agrícolas, gerando empregos diretos no setor industrial e indiretos em toda a cadeia de manutenção, assistência técnica e serviços relacionados. Ou seja, além dos efeitos no campo, o Mais Alimentos dinamizou a economia urbana.

Anuário – O Mais Alimentos proporcionou a modernização do setor agrícola e, desta forma, uma agricultura mais sustentável?

Robson Lopes – O programa abriu caminho para tecnologias mais eficientes e sustentáveis, como sistemas de irrigação de baixo consumo de água, máquinas adaptadas à conservação do solo e incentivo ao uso de bioinsumos. 

Anuário – Na sua avaliação, depois de 17 anos, quais os desafios do Mais Alimentos?

Robson Lopes – O Mais Alimentos enfrenta, hoje, desafios importantes: aumentar a oferta de pequenas máquinas e equipamentos adaptados à agricultura familiar em todas as regiões do país; integrar de forma mais consistente o programa às políticas de transição agroecológica; e fortalecer a assistência técnica e extensão rural, de modo a garantir que os equipamentos sejam utilizados com eficiência e tragam retorno real para a produção.

Anuário – O que o Mais Alimentos precisa melhorar no curto e médio prazo? Explique.

Robson Lopes – O desafio é incorporar, de forma mais sistemática, tecnologias digitais, agricultura de precisão e soluções em energia renovável, para alinhar a agricultura familiar às tendências globais de sustentabilidade e inovação, mantendo sua competitividade e relevância no futuro.