Presidente do Nucleovet, Tiago José Mores, fala sobre avanço tecnológico, inteligência artificial e biotecnologia nas propriedades
Investir em novas tecnologias proporciona aumento da safra, melhoramento genético de grãos e animais e maior desempenho sem necessidade de aumento a propriedade.
Confira a seguir a entrevista exclusiva do presidente do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), com sede em Chapecó/SC, Tiago José Mores, para o Anuário Brasileiro da Agricultura familiar.
Tiago é veterinário e mestre em Ciências Veterinárias, com ênfase em produção, reprodução e sanidade suína. Possui experiência de mais de 14 anos na área de suinocultura, trabalhando na área técnica de sanidade e manejo em empresa de nutrição animal. Atualmente, é consultor técnico de suínos em uma empresa de nutrição animal e também atua no atendimento técnico dos principais clientes do Brasil.
Anuário: Em tempos de avanço tecnológico, como está o uso das novas tecnologias nas propriedades? Elas também têm chegado aos agricultores familiares?
Tiago Mores: O campo vem incorporando de forma crescente as novas tecnologias, motivado por dois fatores. De um lado, a necessidade de aumentar a produtividade nos estabelecimentos rurais e, de outro, a forma de compensar a escassez de recursos humanos para as atividades agrícolas, pecuárias, de silvicultura e de extrativismo. As atividades leiteiras e de produção de aves e suínos são as que registram maior incorporação de tecnologia. Obviamente, a maioria das tecnologias busca aumentar a escala de produção e/ou manutenção da qualidade dos produtos produzidos pelo agronegócio. Diante disso, é necessário que os pequenos produtores estejam abertos a novas tecnologias para que possam aumentar a sua produtividade e continuarem competitivos.
Anuário: Como é o uso da biotecnologia na suinocultura, avicultura e bovinocultura leiteira? É uma realidade nas propriedades?
Tiago Mores: Avança paulatinamente, no universo rural brasileiro, o emprego da biotecnologia. Na esfera da criação intensiva de animais – avicultura, suinocultura e bovinocultura de leite – o aumento da exigência mundial para produção de alimentos seguros e de forma sustentável tem obrigado o agronegócio a sofrer adaptações, buscando o aumento da eficiência reprodutiva e produtiva dos animais em áreas cada vez menores. Nesse sentido, as biotécnicas de reprodução animal têm contribuído para a produção de animais com genótipos superiores e com eficiência produtiva destacada. Atualmente, a tecnologia de produção de embriões tem combinado a reprodução assistida com técnicas celulares, moleculares e genômicas, permitindo a multiplicação de animais geneticamente valiosos, bem como a produção de animais com aplicação nas áreas biomédica e agropecuária. Além disso, os avanços na criopreservação de espermatozoides e embriões têm facilitado o processo de multiplicação de animais superiores, devido à facilidade de intercâmbio de material genético dentro e fora do país. A inseminação artificial e a transferência de embriões são as técnicas que proporcionam os maiores ganhos genéticos para bovinos, pois, juntamente com os programas de melhoramento genético, tem melhorado consideravelmente as linhagens de animais. Diante disso, o uso da biotecnologia permite que nossa produção seja sustentável, utilizando cada vez menos recursos naturais para produção de proteína animal de qualidade.
Anuário: E sobre a Inteligência Artificial (IA), já está sendo uma realidade nas propriedades?
Tiago Mores: Sim, os produtores e empresários rurais estão paulatinamente adotando sistemas inteligentes para suas propriedades rurais, tanto nas atividades produtivas, quanto na administração das atividades pecuárias. O único fator que limita o uso da inteligência artificial no campo é a má qualidade da internet ou o acesso a ela.
Anuário: Como se daria o uso da Inteligência Artificial (IA) nas propriedades?
Tiago Mores: A IA está sendo utilizada muito intensamente dentro da produção de aves e suínos para o controle de ventilação, luz e temperatura, na administração da alimentação para uma nutrição animal balanceada, no acompanhamento de ciclos reprodutivos e na gestão de resultados. Já existem tecnologias que aumentam as amostragens de avaliações de lesões nas carcaças de animais na linha de abate, não havendo necessidade de paradas nas linhas para realizar esse tipo de avaliação. Também posso citar programas de modelagem na nutrição animal que, baseado em curvas de predição, conseguem predizer quais seriam os resultados de desempenho dos animais de produção com base na simulação realizada pelo nutricionista. Por fim, são muitas as aplicações da IA já disponíveis na área de produção animal, cabe ao produtor buscar informações sobre as tecnologias disponíveis e desenvolver habilidades para aplicá-las no seu negócio.
Sobre o Nucleovet
O Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), com sede em Chapecó/SC tem 54 anos de atuação e foi um dos primeiros núcleos criados em Santa Catarina, atendendo uma solicitação da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária, que queria implantar associações regionais da classe no Estado.
A finalidade do Nucleovet é promover o aperfeiçoamento da classe de médicos veterinários e zootecnistas, promoção e compartilhamento do conhecimento e de tecnologias voltadas para o agronegócio. Também busca a união dos profissionais propiciando maior convívio social, além da conscientização da população para a saúde única (união entre a saúde animal, humana e ambiental) e o controle de zoonoses.
Promove três dos principais eventos técnicos do Brasil e da América Latina: o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) e o Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL). Esses eventos são referências em transferência de conhecimentos, desenvolvimento de novas tecnologias e troca de experiências.

