Pitaia: agricultura familiar é a grande produtora em SC

Estado é o segundo maior produtor da fruta que é cultivada em diferentes regiões do país

Santa Catarina é um estado conhecido pela diversidade na produção agrícola, desde criações, grãos e fruticultura. As principais frutas cultivadas são a banana (28.064 hectares), maçã (15.304 ha), uva (3.144.29 ha), maracujá (1.902 ha), laranja (1.753 ha) e pêssego (1.133 ha). A pitaia entrou em produção há poucos anos, até porque suas propriedades e uso eram pouco conhecidos, assim como o acesso ao consumidor. Com o aumento dos cultivos e estudos relativos à fruta e o advento da pandemia, os preços se tornaram mais acessíveis e suas propriedades se tornaram atrativas, vindo ao encontro do apelo por uma alimentação mais saudável. 

O Estado destina hoje 276 hectares ao cultivo da pitaia. Com um aumento exponencial após 2017, a área a partir da safra 2022/2023 está estável. A produção da safra 2023/2024 está estimada em 5 mil toneladas. Santa Catarina é o segundo estado do país a destinar maior área para este fruto, ficando atrás somente de São Paulo. Mas diversas regiões do Brasil também produzem.

Conforme o engenheiro-agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri), Diego Adilio da Silva, extensionista rural e líder do Projeto Fruticultura no Sul de Santa Catarina, um dos motivos da estabilização do aumento da área plantada foi a diminuição do preço ofertado pela fruta. “No início do cultivo, a unidade da fruta era comercializada entre R$10 e R$12, caindo para R$2,80 a R$3,50 pelo quilo da fruta. O aumento da oferta e a pouca popularidade da pitaia contribuíram para isso. Entretanto, esse cenário está em mudança, onde a fruta se tornou mais popular”, explica. Além disso, o agrônomo enfatiza que já se conhecem experiências da inclusão da pitaia na merenda escolar. “Após a pandemia, o clamor por alimentos nutracêuticos e funcionais aumentou consideravelmente. A pitaia atende grande parte dos requisitos, se constituindo num alimento rico em fibras, vitaminas e sais minerais. E ainda, a fruta vem tendo seu uso diversificado, por exemplo, no uso de cosméticos, energéticos, entre outros”, acrescenta.

A maioria da fruta produzida em SC é comercializada nos grandes centros de distribuição, com destaque para São Paulo, na Ceagesp. Diego Adilio da Silva acrescenta ainda que, com relação ao consumo per capita, ainda é um dado não conhecido.

Cultivo da fruta tem sido opção de renda para a agricultura familiar. Foto: Aires Mariga/Epagri

Alternativa de cultivo e renda para a agricultura familiar

A agricultura familiar é a grande produtora de pitaia, que tem optado em substituir áreas antes destinadas ao cultivo do fumo para a plantação da fruta no Estado. “Em SC, o Programa de Diversificação a Cultura do Fumo, com o fomento da Anater e executada pela Cooperativa de Trabalho dos Engenheiros Agrônomos e de Profissionais em Desenvolvimento Rural e Ambiental de Santa Catarina (Uneagro), Instituto Federal Catarinense (IFC-Campus Santa Rosa do Sul) e a Epagri, a pitaia se tornou uma opção e uma das espécies sugeridas para substituição das áreas cultivadas com do fumo. Ela se adequa muito bem às características da agricultura familiar catarinense, possibilitando que a maioria dos manejos necessários sejam realizados pelos próprios membros da família. A organização das famílias em cooperativas também é outro fator que contribuiu para o avanço do cultivo de pitaia em SC”.

Diego Adilio da Silva afirma que a pitaia é uma ótima alternativa para a agricultura familiar. Em SC, com empenho de várias entidades, seu cultivo é baseado nos princípios da sustentabilidade, com a utilização de quebra-ventos funcionais, plantas para cobertura do solo, com destaque para o amendoim forrageiro. “O cultivo, no seu início, se baseou em variedades de polpa branca alógamas. Aos poucos, as variedades alógamas estão sendo substituídas por autógamas. O percentual de variedades de polpa roxa nos pomares também vem aumentando. As variedades Palora e Amarela Colombiana também vem aumentando gradativamente sua área de cultivo. Mais estudos referentes ao cultivo da pitaia devem ser realizados para definição de sistemas de produção. Os materiais técnicos publicados que vieram ao encontro das necessidades de elucidações no cultivo da pitaia são o Boletim Técnico 196 – Cultivo de pitaia e Pitaia, nova opção de cultivo, ambos publicados pela Epagri”, esclarece.

Regiões produtoras e demanda

A pitaia se adequa muito bem às condições climáticas do Brasil, com restrições a regiões de baixas temperaturas, pouca luminosidade e ocorrência de geadas. “Em Santa Catarina, há uma indicação de produção, a qual relata sobre as condições de clima mais adequadas. Com o aumento do cultivo, há de se estabelecer o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para definição das regiões mais propícias ao cultivo da fruta”, esclarece.

Segundo o levantamento do IBGE de 2017, os estados brasileiros com registro do cultivo de pitaia são: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco, Pará, Amazonas e Distrito Federal. Santa Catarina é o segundo maior produtor da fruta no país, atrás de São Paulo. 

Além do Brasil, outros países se destacam no cultivo da fruta, entre eles estão a Índia, China, Vietnã, Equador, Colômbia e Peru.

O engenheiro-agrônomo da Epagri destaca que, com relação a produção e consumo, nos anos 2020 havia um pequeno aporte da Colômbia para suprimento da demanda brasileira. Mas, com o aumento da área plantada e, consequentemente, o aumento da oferta da fruta, hoje a produção brasileira atende o mercado interno, já tendo o relato de algumas experiências de exportação para o Canadá e Espanha.

No que diz respeito a produção da fruta no país, os dados não estão atualizados. O agrônomo diz que os dados socioeconômicos são escassos e estão defasados. Os últimos publicados são de 2017, pelo IBGE. Naquele ano foram 536 ha produzidos. Segundo o mesmo levantamento, São Paulo se caracteriza como o maior produtor. Em todo país, foram 640 estabelecimentos visitados, produção de 1.459 toneladas, com retorno de R$ 9.122 mil. Entretanto, em levantamento realizado pela Epagri em 2022, somente em Santa Catarina, a área que era de 86,7 ha em 2017 foi para 276 ha em 2022, que representa um aumento de 318%. O comportamento observado em Santa Catarina também se deu em outras regiões do Brasil. “Há a necessidade de realização de novo Censo para se ter dados socioeconômicos mais precisos sobre o cultivo desta fruta”, conclui.

De 2017 para 2022, a área cultivada com pitaia em SC aumentou 318%. Foto: Marcelo Mendes de Haro/Epagri