SETEQ: 28 povos e comunidades tradicionais são reconhecidas no Brasil

Por: Edmilton Cerqueira, Secretário de Territórios e Sistemas Produtivos Ǫuilombolas e Tradicionais

A criação da Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Ǫuilombolas e Tradicionais preenche uma lacuna no acesso às políticas públicas da agricultura familiar para povos e comunidades tradicionais 

A criação da Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Ǫuilombolas e Tradicionais (Seteq) é resultado de um esforço coletivo para priorizar, dentro do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), uma estrutura que introduza a perspectiva da diversidade dos povos e comunidades tradicionais em todas as esferas das políticas desenvolvidas pelo ministério, efetivando, por meio de diversas ações de inclusão produtiva, etnodesenvolvimento e acesso à terra, a proposta de reconhecimento e inserção cidadã desse público. 

O decreto 6.040/2007 reconhece os povos e comunidades tradicionais como grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, possuem formas próprias de organização social, ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição, e ocupam territórios historicamente constituídos.

Atualmente são reconhecidos 28 povos e comunidades tradicionais no Brasil, dentre quilombolas, indígenas, geraizeiros, povos de terreiro, além da juventude de povos e comunidades tradicionais, conforme consta no decreto 8.750/2016. Assim, o trabalho da Secretaria busca fortalecer os sistemas produtivos de todos os povos e comunidades tradicionais. 

A criação da Seteq preenche uma lacuna no acesso às políticas públicas da agricultura familiar para povos e comunidades tradicionais, e essa inclusão tem sido realizada com a criação de programas para atendimento de 2.100 famílias. 

Programas 

Visando esse fortalecimento, a Secretaria implantou dois projetos estruturantes: o Programa de Fortalecimento ao Etnodesenvolvimento (Pafe) e o Programa de Apoio ao Acesso à Terra, ao Território e à Proteção Socioterritorial de Povos e Comunidades Tradicionais (Território Tradicional).

 O Pafe tem como objetivo apoiar e fortalecer ações que visam a sustentabilidade  produtiva e o etnodesenvolvimento dos povos e comunidades tradicionais, promovendo sua inclusão produtiva, social e econômica de acordo com suas especificidades, formas de fazer e viver e saberes ancestrais. De acordo com o secretário de Territórios e Sistemas Produtivos Ǫuilombolas e Tradicionais, pasta vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Edmilton Cerqueira, o programa está estruturado em dois eixos: inclusão produtiva, social, econômica e articulação para o etnodesenvolvimento, que engloba o programa de assistência técnica e extensão rural para Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e o plano de acesso a mercados e ǫualificação da produção. O segundo eixo se refere à produção, gestão e disseminação do conhecimento, que engloba publicações e pesquisas, capacitação e formação, cartografia PCTs e eventos. 

Neste programa estão ações como o Selo Ǫuilombos do Brasil e o Selo Indígenas do Brasil, que já totalizou mais de 300 selos emitidos. O acompanhamento do Pronaf A para quilombolas e indígenas, o monitoramento do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF)  e programas de inclusão produtiva para PCTs em situação de insegurança alimentar, bem como qualificação da produção e acesso a mercados públicos e privados.

O segundo programa tem como eixo central apoiar a regularização fundiária de territórios de povos e comunidades tradicionais, promovendo ações estratégicas na construção de marcos regulatórios e proteção territorial, visando a garantia de direitos socioterritoriais e o bem viver. Neste programa estão ações como elaboração de instrumentos para a regularização fundiária, planos locais de gestão territorial e ambiental, fomento e articulação de tecnologias de monitoramento e proteção dos territórios de ocupação tradicionais, apoio e fortalecimento à realização de consultas prévias, livre e informada em comunidades impactadas por empreendimentos públicos e privados.

Desafios

O maior desafio referente à pauta de povos e comunidades tradicionais, que perpassa todas as políticas públicas e impacta na atuação da Seteq, é o desconhecimento e o preconceito racial. “É uma pauta específica, que se refere a uma parcela importante e diversa da população brasileira, público da agricultura familiar e da política nacional de Ater, mas ainda pouco referenciada, apesar do significativo material disponível e das instâncias públicas com atuação em povos e comunidades tradicionais”, comenta o secretário. 

Conforme Cerqueira, “as ações da Secretaria necessitam de um processo de aproximação, sensibilização, reconhecimento, internalização da pauta e afirmação da importância dos povos dos campos, das florestas e das águas no desenvolvimento das políticas públicas e na produção de alimentos do país, o que demanda um trabalho adicional complexo. Nesse sentido, a comunicação institucional correta, alinhada com os propósitos da Secretaria, tanto interna quanto externamente, tem um papel importante no combate ao desconhecimento e na divulgação e aproximação da pauta com o público do ministério”.

Expectativas 

A Seteq tem definido para 2025 o lançamento do Programa de Recuperação de Nascentes em Territórios Tradicionais: Águas da Sabedoria. O lançamento da Memória Ǫuilombola, projeto de publicação de Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) de 50 comunidades quilombolas brasileiras e a continuidade dos Seminários Regionais de Marcos Legais. A criação do Selo Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil. 

O projeto Etnoturismo Rural Sustentável, iniciado em 2023, e a realização da Feira Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais. Além do lançamento de chamadas de Ater Indígena no Amapá e Ǫuilombola no Rio Grande do Sul, entre outras ações de regularização fundiária e implantação de protocolos de proteção e planos de gestão ambiental e territorial quilombola.

Balanço e ações de 2024

Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.