Arroz: números apontam para uma safra promissora

Brasil continua sendo um dos maiores produtores mundiais com um papel crucial no abastecimento interno e na exportação do cereal

A produção de arroz no Brasil tem uma importância estratégica para a segurança alimentar do país. Nos últimos anos, o setor tem enfrentado desafios significativos, incluindo mudanças climáticas, flutuações de mercado e a necessidade de modernização tecnológica. Mesmo assim, o Brasil continua sendo um dos maiores produtores mundiais de arroz, com um papel crucial no abastecimento interno e na exportação do cereal.

Cenário nacional

Para a safra 2024/2025, as expectativas são otimistas. O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), apresentou em agosto, as projeções para o cultivo de arroz no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no Brasil. Conforme os dados divulgados, a área semeada no Estado deve atingir 948.356 hectares, um aumento de 5,3% em relação à safra anterior, que registrou 900.203 hectares.

Distribuição regional

O crescimento na área cultivada é puxado principalmente por regiões como a Planície Costeira Interna, que terá um aumento de 8,2% (+10.907 ha) e a Zona Sul, com elevação de 7,5% (+11.668 ha). A única exceção é a Planície Costeira Externa, que deve registrar uma leve redução de 0,6% na área plantada, correspondendo a 600 hectares a menos. A Fronteira Oeste, tradicionalmente uma das regiões mais importantes para a produção de arroz no Estado, também verá um crescimento considerável de 6,7%, com um adicional de 17.640 hectares.

Região Área 2023/2024 (ha) Área 2024/2025 (ha) Variação (%)
Planície Costeira Interna 133.280 144.187 +8,2
Zona Sul 155.572 167.240 +7,5
Planície Costeira Externa 100.200 99.600 -0,6
Campanha 128.665 129.450 +0,6
Fronteira Oeste 263.610 281.250 +6,7
Central 119.386 127.139 +6,5
Total RS 900.203 948.356 +5,3

Os números apontam para uma safra promissora, com o Irga destacando que a expectativa é superar os desafios enfrentados na safra anterior. 

A diretora técnica do Irga, Flávia Tomita, afirmou que o crescimento na área semeada é reflexo de um trabalho contínuo de apoio aos produtores: “Nosso objetivo é fornecer a assistência necessária para que cada hectare cultivado seja sinônimo de produtividade e qualidade”, aponta.

Impactos no Consumo

Além dos dados de produção, é importante analisar o consumo per capita de arroz no Brasil, que tem mostrado uma tendência de queda ao longo dos anos. Conforme dados apresentados pela Embrapa Arroz e Feijão, o consumo per capita de arroz no Brasil, entre 1985 e 2022, apresentou uma redução significativa, passando de cerca de 42 kg/habitante/ano em 1985 para aproximadamente 32 kg/habitante/ano em 2022. Essa diminuição reflete mudanças nos hábitos alimentares da população, com o aumento do consumo de outros carboidratos, como a massa e o pão.

Desempenho da Safra 2023/2024

Os dados finais da safra 2023/2024 também foram apresentados, revelando um total de 7.198.527 toneladas de arroz colhidas em 900.203 hectares, com uma produtividade média de 8.387 quilos por hectare. Apesar de enfrentar desafios climáticos que resultaram na perda de 46.991 hectares (5,22% da área total), o Rio Grande do Sul conseguiu manter um nível elevado de produção.

A produção gaúcha de arroz é fundamental para o mercado interno brasileiro, abastecendo não apenas a demanda do estado, mas também sendo distribuída para outras regiões do país. A eficiência na produção é resultado de uma série de fatores, incluindo a utilização de tecnologias avançadas de irrigação e manejo, além de uma assistência técnica robusta oferecida pelo Irga e outras instituições.

Safra Área Sem. (ha) Produção (ton) Produtividade (kg/ha) Área Perdida (ha) Perda (%)
2023/2024 900.203 7.198.527 8.387 46.991 5,22

A Importância do setor e os próximos passos

O arroz é um dos principais componentes da alimentação brasileira, e a produção interna é essencial para garantir que a população tenha acesso a esse alimento básico a preços acessíveis. No entanto, o setor enfrenta desafios contínuos, como a competição com a soja em áreas de várzea e a necessidade de atualização tecnológica.

Na safra 2024/2025, espera-se que o cultivo de soja na várzea no Rio Grande do Sul diminua, com uma redução prevista de 4,3% na área plantada, totalizando 403.941 hectares. Isso pode liberar mais terras para o cultivo de arroz, especialmente em regiões como a Central e a Campanha, que estão expandindo suas áreas de arroz enquanto reduzem o cultivo de soja.

Segundo o secretário da Agricultura do RS, Clair Kuhn, a assistência técnica será crucial para o sucesso da próxima safra: “Estamos comprometidos em apoiar os produtores não apenas com recursos, mas com o conhecimento necessário para superar os desafios da produção agrícola. A colaboração entre o Irga, a Emater e outras instituições será vital para garantir que a produção de arroz continue a crescer e atender às necessidades do Brasil”, declara.

Projeções

O setor de arroz no Brasil está em constante evolução. A combinação de avanços tecnológicos, políticas de apoio ao produtor e uma gestão eficiente das áreas de cultivo permite que o país mantenha sua posição de destaque no cenário mundial. As projeções para os próximos anos indicam um crescimento contínuo na produção, com um foco cada vez maior em sustentabilidade e eficiência.

O Irga, em parceria com outras entidades, continuará a monitorar e ajustar as estratégias de cultivo para maximizar a produtividade e minimizar os impactos ambientais. A expectativa é que, com o suporte adequado, os produtores possam não apenas alcançar, mas superar as metas estabelecidas para a safra 2024/2025, garantindo um futuro promissor para o arroz brasileiro.

Arroz é um dos principais componentes da alimentação brasileira, e a produção interna é essencial para garantir que a população tenha acesso a esse alimento básico a preços acessíveis. Fotos: Sebastião José de Araújo