Mandioca e demais olerícolas exigem atenção dos produtores gaúchos

Segue o plantio da mandioca nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul, e os agricultores continuam os trabalhos de controle de plantas invasoras, visando reduzir a competição por água, luz e nutrientes durante o estabelecimento das lavouras. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta ultima quinta-feira (05/11) pela Emater/RS-Ascar, as condições atuais de umidade do solo têm favorecido o desenvolvimento inicial das plantas e, assim que as temperaturas aumentarem, a expectativa é de aceleração do crescimento vegetativo. De forma geral, a cultura da mandioca apresenta brotação adequada e as lavouras estão com bom desenvolvimento e perspectivas favoráveis para o crescimento da produção ao longo do verão.

Na região de Soledade, continua o plantio da mandioca no Alto da Serra do Botucaraí. Já os cultivos do cedo no Vale do Rio Pardo estão em emergência e desenvolvimento vegetativo inicial. Nessas áreas em início de crescimento, os produtores realizam o manejo cultural, as capinas manuais com tração animal e as aplicações de herbicidas pós-emergentes. Em Mato Leitão, há falhas de estande nas lavouras e em glebas mais úmidas, incidência de bacterioses em reboleira.

Na região de Lajeado, em São Sebastião do Caí, nas localidades de Campestre, Vigia, Santa Terezinha e Pareci Velho, as variedades de mandioca plantadas estão em período de brotação. O aumento da radiação solar direta proporcionou melhores condições para o desenvolvimento das olerícolas em geral. Após semanas de grande oscilação térmica e elevada umidade, o sol favoreceu a retomada do crescimento e do desenvolvimento reprodutivo de diversas hortaliças, mas a umidade acumulada no ambiente, em decorrência das chuvas, ainda tem preocupado os produtores.

A manutenção da umidade no ar e no solo, principalmente nos cultivos protegidos, favorece o desenvolvimento de doenças fúngicas e bacterianas, exigindo maior atenção ao manejo fitossanitário, à ventilação das estruturas e à drenagem dos canteiros. De maneira geral, observa-se recuperação gradual de algumas culturas, e a resposta produtiva tem variado de acordo com a cultura, com as condições de cada propriedade e com o histórico de estresse provocado pelas oscilações de temperatura.

DIVERSIDADE

Na região de Erechim, a maior parte do período foi marcada por sol, o que favoreceu o desenvolvimento das plantas. As folhosas seguem com bom desenvolvimento, mas a alta umidade do ar propicia doenças que causam podridões na cultura de alface cultivada em estufas, como Sclerotinia sclerotiorum. A cultura de tomate está em floração e colheita, com bom desenvolvimento e ótima qualidade de mudas. Os produtores estão realizando o manejo de pragas e doenças, pois aumentou a incidência de mosca-branca na cultura. Está em fase de plantio batata-doce, moranga e abóbora, com bom desenvolvimento em áreas cobertas; porém, em áreas abertas, é alta a incidência de insetos, necessitando de controle. A cultura de chuchu está em brotação, com bom desenvolvimento.

Na região de Santa Rosa, as olerícolas continuaram com desenvolvimento e estado fitossanitário adequados. A ausência de precipitações, associada à boa disponibilidade de radiação solar e às temperaturas amenas, proporcionou ambiente favorável para o crescimento das plantas e para o manejo. Foram efetuados o preparo de canteiros, o transplante de mudas, capinas, irrigações e demais tratos culturais. De modo geral, observa-se adequado vigor das plantas, crescimento uniforme e perspectivas favoráveis de produção.

Estão satisfatórias as ofertas de salsa, cebolinha, alface, rúcula, repolho e cenoura. A cultura de abobrinha está em plena colheita. A de tomate está na fase de floração e começa a formação das primeiras pencas. Alguns produtores já realizaram o plantio de batata-doce. Feijão-de-vagem apresenta boa germinação e está em desenvolvimento vegetativo. As culturas de alface e rúcula se desenvolvem bem. Nas áreas de alho e cebola, inicia-se a colheita dos plantios precoces; a maior parte da área está na fase de enchimento de bulbo, com desenvolvimento e sanidade adequados.

Batata – Na região de Caxias do Sul, a cultura está completamente implantada em São Francisco de Paula e municípios vizinhos. O preço continua alto em função dos problemas de excesso de chuvas em São Paulo, causando redução de oferta no mercado.

Cebola – Na região de Pelotas, em São José do Norte, 90% dos cultivos estão em bulbificação, com atraso em algumas lavouras devido às condições climáticas durante o ciclo, que poderão reduzir o potencial produtivo. Em Herval, os cultivos para semente estão em floração plena nos 120 hectares. O tempo foi favorável no período para o desenvolvimento das lavouras.

Pimentão – Na região de Lajeado, no município de Bom Princípio, o pimentão apresenta melhora no desenvolvimento, em razão da elevação da radiação solar e das temperaturas. Após um período de frio, que reduziu o ritmo de crescimento e a atividade reprodutiva das plantas, as condições mais favoráveis têm estimulado a emissão de flores e a formação de novos frutos. O aumento da luminosidade também contribuiu para o incremento da atividade fotossintética, favorecendo o desenvolvimento e o enchimento dos frutos.

CULTURAS DE VERÃO

Soja – A semeadura de soja avançou, alcançando 23% da área estadual projetada pela Emater/RS-Ascar, que é de 6.645.384 hectares. A sequência de dias sem precipitação, a redução da umidade excessiva na camada superficial do solo e a elevação das temperaturas diurnas favoreceram a retomada das operações, permitindo ampliar as áreas implantadas para o plantio em talhões anteriormente ocupados por culturas de inverno.

O avanço do plantio da soja ocorre em ritmos distintos entre as regiões, conforme a disponibilidade de máquinas e a conclusão da colheita de inverno. Em áreas anteriormente encharcadas, a melhoria do balanço hídrico também permitiu retomar as operações de dessecação pré-semeadura. O estabelecimento inicial está adequado, embora a disponibilidade de umidade na camada superficial já se estivesse limitada em algumas áreas.

Milho – A cultura apresenta evolução satisfatória na maior parte das regiões produtoras, beneficiada pela elevação das temperaturas e pela maior disponibilidade de radiação solar ao longo do período. As áreas semeadas cresceram apenas 2%, totalizando 82% do previsto, que é de 896.401 hectares, em decorrência do escalonamento do plantio e da priorização das operações de colheita das lavouras de inverno e do plantio de soja ou arroz.

Nas lavouras, predomina o desenvolvimento vegetativo (90%), e as mais precoces estão em fase reprodutiva (10%). Após períodos de baixa luminosidade e temperaturas reduzidas, as condições climáticas no período favoreceram a expansão foliar e o crescimento das plantas. O dossel e a sanidade das plantas têm sustentado, neste momento, expectativas produtivas favoráveis, cuja consolidação dependerá da regularidade das precipitações durante o desenvolvimento reprodutivo.

Milho silagem – A implantação das lavouras destinadas à produção de silagem avançou de forma lenta e escalonada, acompanhando o calendário de utilização das áreas e a organização dos produtores que realizam operações em outras culturas. O planejamento de semeadura também contempla o plantio em safrinha, que será realizado após a liberação progressiva de áreas ocupadas por milho para grãos, em especial nas regiões em que a colheita de lavouras precoces deverá ampliar a área para o cultivo. A Emater/RS-Ascar projeta o plantio de 369.389 hectares e produtividade de 38.392 kg/ha.

Arroz – A semeadura do arroz apresentou avanço expressivo após a sequência de dias sem precipitações e a elevação das temperaturas, que favoreceram a entrada de máquinas nos talhões ainda não cultivados, alcançando 70% da área projetada pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga), que é de 861.779 hectares. Contudo, há tanto áreas próximas da conclusão quanto em fase menos avançada de implantação. A disponibilidade de água para a irrigação apresenta condições favoráveis em decorrência da recuperação dos níveis de reservação dos mananciais.

Feijão 1ª safra – A semeadura alcança metade da área prevista para a safra no RS, que é de 24.587 hectares. As lavouras apresentam desenvolvimento vegetativo satisfatório e avançam para as fases de florescimento e de formação de vagens nas áreas mais precoces. A elevação das temperaturas e da disponibilidade de radiação solar favoreceu a retomada do crescimento. Já a umidade do solo tem contribuído para a manutenção do desenvolvimento das plantas. O estado fitossanitário é considerado adequado, embora persistam os efeitos localizados provocados pelo excesso de chuvas, os ventos fortes, o granizo e o frio, que danificaram algumas lavouras e limitaram o desenvolvimento em determinadas áreas.

Texto: Emater/RS-Ascar

Foto: Emater/RS-Ascar

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