Cooperativas gaúchas faturam R$ 103 bilhões em 2025 e registram crescimento de 10%

Número integra o Expressão do Cooperativismo 2026, balanço anual do desempenho das cooperativas gaúchas no ano anterior

O cooperativismo do Rio Grande do Sul registrou, mais uma vez, recorde de faturamento. Os ingressos alcançaram R$ 103 bilhões em 2025, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior e que corresponde a cerca de 14% do PIB do Estado. As sobras também tiveram incremento: chegaram a R$ 6,2 bilhões no ano passado, um aumento de 24%.
Os dados constam no Expressão do Cooperativismo Gaúcho 2026 (ano-base 2025), balanço divulgado nesta quinta-feira (2), em coletiva de imprensa na sede do Sistema Ocergs, em Porto Alegre. A organização representa 375 cooperativas no Estado.
“Superar a marca de R$ 100 bilhões em faturamento é um marco que reflete a solidez das cooperativas e a relevância do modelo para a economia gaúcha. Os resultados de 2025 confirmam a capacidade do cooperativismo de gerar valor, mesmo em cenários adversos, transformando crescimento econômico em desenvolvimento para as comunidades onde está presente”, avalia o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann.
O ano de 2025 também trouxe avanço em cooperados e empregos. O número de associados a cooperativas cresceu para 4,4 milhões — o que corresponde a mais de um terço da população gaúcha —, enquanto o de postos de trabalho subiu para 80 mil. “O impacto do cooperativismo vai além dos vínculos formais diretos, pois as cooperativas movimentam cadeias produtivas inteiras, especialmente nos municípios do interior”, observa Hartmann.
O modelo cooperativista também se destaca pela sua capilaridade. Presente em 490 dos 497 municípios, com pelo menos uma unidade cooperativa, alcança 98,6% do território gaúcho. “O cooperativismo se caracteriza pela proximidade com a população. Leva cooperativas de crédito para perto das pessoas, leva energia forte para o campo, está presente onde os modelos tradicionais de negócio muitas vezes não chegam”, acrescenta o presidente do Sistema Ocergs.
Agro resiliente
O ramo Agropecuário, que representa mais da metade do faturamento total do cooperativismo gaúcho, permanece na liderança em número de cooperativas e de empregos gerados. São 40,8 mil postos de trabalho nas 94 coops vinculadas ao Sistema Ocergs. Juntas, elas tiveram faturamento de R$ 52,2 bilhões em 2025 — um crescimento de 5% em relação ao ano anterior. As sobras no ramo, R$ 1,6 bilhão, também avançaram, fechando o ano com aumento de 39%.
Crédito puxa maior faturamento
Com o maior número de associados do cooperativismo gaúcho (3,4 milhões), o Crédito foi o ramo que mais cresceu em faturamento em 2025. Os ingressos alcançaram R$ 33,6 bilhões no período — um incremento de 21% na comparação com 2024.
As cooperativas do setor também se destacaram pelo indicador de sobras. Com R$ 3,8 bilhões, responderam por mais da metade do total acumulado no ano passado. O Crédito é ainda o que mais cresce em patrimônio líquido (R$ 27,5 bilhões) e ativos (R$ 200,8 bilhões) no Estado.
Demais ramos
Outros ramos também sustentaram a importância do cooperativismo como modelo socioeconômico sustentável. Na Saúde, os ingressos cresceram 12%, chegando a R$ 11,9 bilhões em 2025. Já as cooperativas do ramo Infraestrutura atingiram R$ 2,3 bilhões — um aumento de 13% no período. O ramo Transporte cresceu 4,5% em faturamento, chegando a R$ 1,9 bilhão.
Já os ramos Trabalho e Consumo registraram ingressos de R$ 909 milhões e R$ 246 mil, respectivamente.
Até 2030, o cooperativismo gaúcho pretende alcançar R$ 150 bilhões de faturamento. O objetivo faz parte do RSCOOP150bi de Prosperidade — plano gaúcho de cooperativismo lançado pelo Sistema Ocergs.
“Os próximos anos serão marcados por dois grandes movimentos. O primeiro é o avanço dos processos de industrialização e agregação de valor, permitindo que as cooperativas capturem mais oportunidades ao longo das cadeias produtivas. O segundo é a consolidação do setor, impulsionada pela necessidade de ganhar escala e enfrentar com mais robustez os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela crescente competitividade global”, conclui Hartmann.
Principais números (ano-base 2025)
– Ingressos (faturamento): R$ 103 bilhões (+10%)
– Sobras: R$ 6,2 bilhões (+24%)
– Patrimônio líquido: R$ 46 bilhões (+17%)
– Ativos: R$ 248,9 bilhões (+14%)
Foto: Presidente Darci Hartmann | Crédito: Divulgação/Sistema Ocergs
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