Caraá é palco do primeiro envase de mel de abelhas-sem-ferrão 100% realizado no RS

Iniciativa inédita em Caraá fortalece a cadeia produtiva das abelhas nativas e impulsiona a valorização do mel gaúcho

Desde criança, o proprietário da Bella Mata Apiário e Meliponário, Vinícius Gomes, faz parte do mundo das abelhas. Seu pai sempre as criou. Em 2002, participou pela primeira vez de um seminário de apicultura e meliponicultura, aos 14 anos. Hoje, aos 38, cria 15 espécies de abelhas nativas e preside a Associação de Apicultores e Meliponicultores de Caraá (Apimel Caraá), no Litoral Norte gaúcho. É lá que vai ocorrer, nesta ultima quarta-feira (17/06), às 15h, o primeiro envase de mel de abelhas-sem-ferrão 100% realizado no Rio Grande do Sul. E esse primeiro lote, primeiro beneficiamento com inspeção federal do produto, que vai acontecer depois da autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pertence a Gomes.

“Há muito tempo a gente vem tentando realizar o envase de mel de abelha-sem-ferrão com o selo Serviço de Instalação Federal (SIF). E agora, com o entreposto SIF em Caraá, nós conseguimos a autorização do rótulo para o mel de Jataí”, comemora o meliponicultor. “Isso será muito importante para o crescimento da meliponicultura, que já vem há anos sendo organizada no Estado pela Federação das Associações de Meliponicultores do Estado do Rio Grande do Sul (Femers), através da organização das associações e realização de eventos para estimular o crescimento da cadeia”, explica Gomes. “É uma grande vitória da meliponicultura gaúcha, porque vai ser um marco para o aumento da produção de mel de abelhas nativas no Estado”, acrescenta.

“Este primeiro envase de mel de abelhas-sem-ferrão no Rio Grande do Sul representa um marco histórico para a meliponicultura gaúcha. É o resultado de um trabalho construído por produtores, associações, entidades representativas e poder público para dar segurança jurídica, ampliar mercados e agregar valor a uma atividade que combina geração de renda e fortalecimento da agricultura”, destaca o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena.

Bella Mata Apiário e Meliponário

Gomes possui uma média de 350 colmeias em produção em uma área de mata nativa de mais de 60 hectares. “A produção anual de mel de abelhas nativas ultrapassa 250 quilos. E agora vou poder aumentar a produção, montar novos meliponários”, conta com alegria.

“Estamos fazendo história, colocando a meliponicultura em um novo patamar, e a nossa associação está aberta a novos sócios que queiram se regulamentar”, convida Gomes.

Meliponicultura gaúcha

A meliponicultura, ou criação de abelhas-sem-ferrão, é uma atividade essencialmente ligada à agricultura familiar no Rio Grande do Sul, com 60% das propriedades rurais com menos de 11 hectares e 61% dos meliponicultores com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Estes e outros dados foram levantados por pesquisa realizada pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar.

Os resultados foram publicados na circular técnica Diagnóstico da meliponicultura no Rio Grande do Sul, disponível gratuitamente no site da Seapi. Segundo a publicação, a meliponicultura é uma atividade desenvolvida por 16.209 famílias gaúchas, seja para autoconsumo, exploração comercial ou apenas com a presença de colônias nas propriedades rurais. A maior concentração de famílias está localizada na mesorregião Noroeste Rio-grandense, que já possui uma tradição e destaque de longa data na produção de mel de Apis mellifera.

Na prática da meliponicultura, a atividade que envolve o maior número de famílias é a coleta de mel, registrada em mais de 80% dos estabelecimentos, e a produção de colmeias, que envolve 57% dos meliponicultores. Destacam-se também atividades como educação ambiental (37%), polinização (35%), coleta de própolis (27%) e paisagismo (28%). Entre os que coletam mel, a média de produção é de 22 quilogramas por ano, com uma coleta anual, normalmente.

Os maiores benefícios da atividade, na opinião de meliponicultures e extensionistas, são a contribuição dos meliponíneos na polinização de culturas e o fato de a meliponicultura ser uma prática ambientalmente sustentável e que contribui para a conservação da biodiversidade. O uso medicinal dos produtos da meliponicultura foi destacado ainda por quase 90% dos meliponicultores como um potencial.

A pesquisa destaca que o maior entrave para o desenvolvimento da meliponicultura no Rio Grande do Sul está relacionado ao desmatamento e ao uso de agrotóxicos, segundo os meliponicultores.

Texto: Emater/RS
Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar

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