O cooperativismo agropecuário e a força da agricultura familiar

Por Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB e presidente do Instituto Pensar Agro (IPA)

O cooperativismo agropecuário é uma das maiores expressões da força coletiva no Brasil. Com 1,09 milhão de produtores rurais organizados em 1.172 cooperativas, o ramo movimentou R$438,2 bilhões em 2024 — um crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior e o maior valor da série histórica. Esse desempenho, aliado ao recorde de R$30,2 bilhões em sobras, evidencia que estamos diante de um modelo sólido, capaz de gerar prosperidade econômica sem abrir mão de seus compromissos sociais.

Por trás desses números está a agricultura familiar, base de sustentação da produção nacional de alimentos. São famílias que, ao se unirem em cooperativas, conquistam escala, acesso a tecnologias, melhores condições de crédito e canais de comercialização que, individualmente, seriam inalcançáveis. Essa rede de cooperação garante que pequenos e médios produtores possam competir de forma justa e sustentável, fortalecendo tanto suas comunidades quanto o país.

As cooperativas estão presentes em todas as etapas da cadeia produtiva: fornecem insumos, oferecem assistência técnica especializada, organizam a armazenagem e a logística, investem na industrialização e asseguram a colocação dos produtos no mercado interno e internacional. Esse ecossistema integrado é decisivo para dar segurança a agricultores familiares que, muitas vezes, enfrentam instabilidades de preços, adversidades climáticas e dificuldades de acesso a políticas públicas. Na prática, é o cooperativismo que transforma vulnerabilidade em resiliência e capacidade de crescimento.

O impacto econômico é notável, mas vai além dos balanços financeiros. As cooperativas agropecuárias empregam mais de 268 mil pessoas e contribuem diretamente para fixar famílias no campo, reduzir desigualdades regionais e movimentar a economia local. Quando as sobras são distribuídas, elas retornam para as comunidades em forma de investimentos, renda e consumo. Trata-se de um ciclo virtuoso que mantém viva a esperança de um desenvolvimento inclusivo e duradouro.

A força do cooperativismo agro também se traduz em soberania alimentar. Dados do IBGE confirmam que as cooperativas respondem por 53% da originação de grãos nacional. Ou seja, são peças-chave para garantir que os brasileiros tenham alimento à mesa e que o Brasil seja reconhecido como potência global de produção sustentável. Essa capacidade produtiva nasce da soma de milhares de agricultores familiares que, juntos, ganham competitividade e ampliam sua presença nos mercados mais exigentes do mundo.

Outro aspecto essencial é a inovação. O agro cooperativo tem se destacado pela incorporação de tecnologias que aumentam a produtividade e reduzem o impacto ambiental, como o uso de energias renováveis, a digitalização de processos e práticas de manejo sustentável. Muitas cooperativas investem em verticalização da produção, intercooperação e até internacionalização, o que gera valor agregado para o produtor familiar e abre novas oportunidades de mercado.

Esse movimento também reflete um avanço cultural: mulheres e jovens estão cada vez mais presentes na governança e na operação das cooperativas. Essa renovação garante diversidade, mas também continuidade, fortalecendo o protagonismo da agricultura familiar no futuro.

O Ano Internacional das Cooperativas, celebrado em 2025 pela ONU, ajudou a reforçar a premissa de que o cooperativismo agropecuário vai além de uma alternativa de organização econômica e se consolida como uma estratégia de desenvolvimento sustentável, de valorização do produtor rural e de fortalecimento da agricultura familiar. É um modelo que alia produção, tecnologia e responsabilidade social para inspirar soluções globais para os desafios da fome, da mudança climática e da desigualdade.

O cooperativismo agropecuário nos ensina que o verdadeiro legado é coletivo. É a certeza de que prosperar juntos é o caminho para transformar a realidade de milhões de famílias, garantindo que o campo continue vivo, produtivo e integrado a um futuro mais justo e sustentável para todos. E o seu sucesso é, antes de tudo, o reflexo da coragem, da união e da esperança de cada família que, dia após dia, planta não apenas alimentos, mas também a certeza de um Brasil mais forte e cooperativo.

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