Inovação e sustentabilidade em sinergia: o papel dos biológicos no futuro da agricultura brasileira

Por Marcelo Batistela, vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil

A evolução do agronegócio, nas últimas cinco décadas, colocou o Brasil em uma posição de destaque estratégico mundial: somos um dos principais produtores e fornecedores de alimentos, fibras e energia do mundo. Esse feito só pôde ser alcançado com o trabalho e a resiliência dos nossos agricultores combinados com a adoção de tecnologia, inovações e boas práticas agrícolas. Temos, atualmente, uma agricultura muito adaptada ao clima tropical, altamente eficiente e que permite uma média de 2,2 safras por ano, impulsionada por produtores que pautam sua produção na sustentabilidade e eficiência dos sistemas produtivos. 

Este sistema produtivo intenso e eficiente no ambiente tropical exige uma crescente busca por práticas mais sustentáveis e resilientes, promovendo muito conhecimento, capacidade de adaptação e inovação no setor. A adoção tecnológica na agricultura brasileira cresceu mais de 10 pontos entre 2022 e 2024, segundo estudos da consultoria global McKinsey. 

Por exemplo, o Brasil é uma referência mundial na adesão ao plantio direto, sistema que revolucionou a agricultura, que evita a erosão, diminui o custo na preparação do solo, melhora o perfil e sanidade do solo e tem um grande papel na descarbonização do nosso planeta. O produtor brasileiro já entendeu que é preciso fazer uso de soluções integradas e de práticas responsáveis para a longevidade dos seus negócios.

Nessa direção, a adoção dos biológicos na agricultura é mais um dos exemplos da evolução na combinação de tecnologias no setor. O número de produtores que afirma utilizar bioestimulantes, biofertilizantes e biocontroles já ultrapassa a casa dos 60%, mais que o dobro da Europa e dos Estados Unidos, apontam dados de 2024 da McKinsey. Derivados de organismos vivos, como bactérias e outros microrganismos, esses produtos representam uma ferramenta complementar promissora para o manejo de pragas e doenças, a nutrição de plantas e a promoção da saúde do solo. 

Dados da safra 2023/2024 divulgados pela CropLife Brasil (CLB), associação que reúne empresas de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para o setor, revelam um crescimento constante: o uso de biológicos no cultivo da soja já chega a 55%, no milho 27% e na cana-de-açúcar, 12%. Já temos um cenário de destaque neste segmento, mas ainda temos oportunidade de seguir desenvolvendo novas tecnologias, produtos e aplicações na área. Para isso, o papel da pesquisa e cooperação entre empresas públicas e privadas é muito importante.

Na BASF Soluções para Agricultura, acreditamos e investimos neste segmento há muitos anos de forma pioneira. Exemplo aqui no Brasil, em 2018, lançamos uma tecnologia inédita para a cana-de-açúcar, desenvolvida com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa): um inseticida e fungicida químico, somado a um inoculante biológico que atua como promotor de crescimento, além de contribuir com absorção de nutrientes. 

Os testes com o produto promoveram aumento de produtividade de até 18%, com melhora no crescimento e no desenvolvimento do cultivo, além de prolongar a longevidade dos canaviais. Esse é só um dos exemplos do nosso extenso portfólio em biosoluções. 

Também podemos citar os inoculantes que contribuem para a fixação de nitrogênio na soja a partir da ação de bactérias. Esse tema, aliás, foi premiado pelo World Food Prize, conhecido como o Nobel da Agricultura, com o trabalho pioneiro de uma pesquisadora brasileira, a Dra. Mariângela Hungria, da Embrapa Soja.

A combinação de tecnologias em genética, biotecnologia, química, biologia e digitalização é o caminho para seguir quebrando paradigmas de produtividades e tornar a agricultura cada vez mais sustentável e resiliente. O segmento de biológicos tem uma estimativa de taxa anual de crescimento global até 2032 entre 13% e 14%, o que corresponde a US$ 45 bilhões, valor três vezes maior que o atual. 

Ressalto, mais uma vez, que os biológicos não são uma solução isolada para todos os desafios que enfrentamos, mas sim, uma ferramenta complementar em um sistema de manejo integrado. A agricultura moderna exige essa abordagem holística, que combine diferentes estratégias para garantir a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade dos sistemas produtivos. E nossos agricultores já estão liderando esse processo e pavimentando o caminho para um futuro mais próspero e equilibrado na agricultura, o maior trabalho da Terra.

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