Em dez anos, Embrapa disponibiliza cinco cultivares de amoreira-preta

Objetivo do programa de melhoramento é reunir várias características de interesse do setor produtivo em uma única cultivar, como sabor mais doce e ausência de espinhos

Atualmente, a Embrapa dispõe de cinco cultivares de amoreira-preta lançadas nos últimos dez anos e licenciadas junto a viveiristas para comercialização de mudas. O trabalho de melhoramento segue sendo realizado na busca por reunir várias características numa única cultivar. A ideia também é ofertar diferentes cultivares, algumas mais precoces e outras mais tardias do que a tradicional cultivar Tupy, de maneira a ampliar o período de colheita.

No que diz respeito ao sabor, o objetivo é desenvolver materiais com relação açúcar-acidez mais alta, com foco no mercado in natura. “O mercado brasileiro prefere sabor mais doce”, afirma a pesquisadora Maria do Carmo Bassols Raseira, da Embrapa Clima Temperado (RS), que coordenava o projeto de melhoramento de amoras-pretas.

O programa de melhoramento pretende aliar outra característica relevante ao campo: a ausência de espinhos, reduzindo dificuldades na colheita. Porém, segundo a pesquisadora, a maioria das variedades sem espinhos possui sabor amargo predominante, sendo mais adequadas à indústria, como é o caso das cultivares Ébano e BRS Xavante. “A BRS Karajá tem sabor menos amargo, mas ainda não chegamos no que queríamos. A cada geração, vamos avançando um pouco mais”, explica.

O trabalho também busca o desenvolvimento de cultivares remontantes ou reflorescentes – que podem produzir no outono e no verão, mesmo sem tratamento especial como ocorre com a Tupy. Além disso, também são valorizados aspectos como tamanho da fruta, resistência a doenças, produtividade igual ou maior do que a Tupy, tamanho pequeno das sementes, firmeza e conservação pós-colheita.

 

Histórico do melhoramento genético de amoreiras-pretas

O desenvolvimento de cultivares é resultado de décadas de pesquisa da Embrapa, que começou a introduzir amoreiras-pretas no Brasil nos anos 1970. As primeiras cultivares de amoreira-preta, de origem norte-americana, foram introduzidas no Brasil em 1972, com a implantação da primeira coleção semi-comercial em 1974, no município de Canguçu (RS).

A primeira cultivar lançada a partir do melhoramento foi a Ébano, em 1981, embora o programa de melhoramento genético tenha sido registrado oficialmente apenas em 1983, com o lançamento da segunda cultivar, a Negrita. Desde então, o programa lançou as cultivares Guarani (1988), Tupy (1988), Caingangue (1992), BRS Xavante (2002) e, mais recentemente, a BRS Xingu (2015), a BRS Cainguá (2018), a BRS Ticuna (2023), a BRS Karajá (2024) e a BRS Terena (2024).

A Tupy ainda é a cultivar mais plantada no Brasil, graças à sua adaptação ao manejo diferenciado para a colheita programada (escalonamento para época mais lucrativa ao produtor) e à produtividade. No entanto, novas cultivares trazem avanços importantes, como sabor mais doce, maior conservação e facilidade de manejo.

BRS Terena. Crédito: Francisco Lima

Lançamentos recentes da pesquisa

Em 2024, a Embrapa lançou duas novas cultivares: a BRS Karajá e a BRS Terena. Indicada para congelamento, processamento ou consumo fresco, a BRS Karajá é a terceira amoreira-preta sem espinhos desenvolvida pela Embrapa. Como principal vantagem, apresenta aumento da eficiência da colheita e da poda em, no mínimo, 30% em relação às cultivares com espinhos, diminuindo o tempo necessário para realizar os tratos culturais e a penosidade do trabalho. Além disso, o seu fruto tem sabor menos amargo.

Já a BRS Terena, focada no mercado de consumo in natura, combina alta produtividade, sabor mais doce, baixa acidez e longa conservação pós-colheita, características que trazem vantagens a agricultores e consumidores. Com produção média de 1,2 kg por planta, com picos de produção de até 1,8 kg, a BRS Terena oferece aos produtores um potencial de lucro líquido em torno de R$ 30 mil por hectare, além de vantagens operacionais, como menor densidade de espinhos em relação à cultivar Tupy, o que facilita o manejo e a colheita.

Conheça as variedades de amoreira-preta da Embrapa em www.embrapa.br/cultivar/amora.

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