Por João Carlos Marchesan,1º vice-presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ e presidente da Agrishow
Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas um recurso experimental e passou a ocupar espaço na vida de pessoas e empresas em todo o mundo. No agronegócio, esse movimento ganha contornos ainda mais estratégicos, pois a tecnologia tem se mostrado capaz de redefinir a forma como produzimos alimentos, otimizamos recursos e asseguramos a sustentabilidade de toda a cadeia.
O campo, historicamente marcado pela força da mecanização e da biotecnologia, agora vive um novo salto de inovação: a digitalização orientada por dados. Ferramentas de IA já estão presentes no cotidiano de agricultores brasileiros, permitindo desde a análise precisa do solo até a previsão do clima com base em modelos avançados, que reduzem riscos e aumentam a assertividade das decisões.
Na prática, isso significa mais eficiência e menos desperdício. Plataformas de monitoramento climático e sensores instalados em máquinas agrícolas coletam informações em tempo real, que são processadas por algoritmos capazes de recomendar a quantidade exata de água, fertilizante ou defensivo a ser aplicada em cada área da lavoura. Esse nível de precisão não apenas eleva a produtividade, mas também contribui para preservar recursos naturais, um desafio urgente diante das mudanças climáticas.
Outra contribuição relevante da IA está na antecipação de problemas. Softwares conectados a drones e satélites detectam padrões de estresse hídrico, pragas e doenças ainda em fase inicial, possibilitando intervenções rápidas e pontuais. Essa capacidade de agir antes que as ameaças se agravem é fundamental para reduzir perdas e manter a competitividade em um mercado cada vez mais exigente.
O avanço da chamada agricultura digital também impacta a gestão das propriedades. Ferramentas inteligentes auxiliam no planejamento de safras, na análise de custos e na definição de estratégias comerciais, permitindo ao produtor administrar sua fazenda como uma verdadeira empresa. Além disso, a integração entre dados de produção, logística e mercado ajuda a alinhar oferta e demanda, garantindo maior rentabilidade.
É verdade que ainda existem barreiras a superar, como a necessidade de ampliar a conectividade no campo e de oferecer capacitação adequada aos produtores para que aproveitem plenamente os benefícios das novas tecnologias. Mas o caminho está aberto. O Brasil, que já se consolidou como potência agrícola, tem a oportunidade de liderar também a revolução digital do setor, combinando tradição produtiva com inovação tecnológica.
A adoção da IA no agronegócio não deve ser vista como uma opção, mas como uma condição para manter a competitividade. Em um cenário global de crescente demanda por alimentos e pressões ambientais, o uso inteligente da tecnologia é o que permitirá atender às necessidades da população mundial de forma sustentável.
Estamos diante de uma nova era para a agricultura. Uma era em que algoritmos, sensores e máquinas autônomas caminham lado a lado com a experiência e o conhecimento do produtor. Cabe a nós, enquanto sociedade, incentivar essa transformação, garantindo investimentos contínuos em inovação e infraestrutura. O futuro do agronegócio já começou, e a Inteligência Artificial é o motor dessa mudança.

