Comunidades participam de capacitação em comunicação participativa

Cerca de 30 multiplicadores de Alagoas, Pernambuco e Sergipe, incluindo agricultores familiares, extrativistas, quilombolas e produtores culturais, participaram da capacitação em Comunicação Participativa em Paisagens Alimentares. O evento foi realizado de 16 a 18 de julho, em Olho D’Água do Casado (AL), no sertão alagoano. A promoção é da Embrapa Alimentos e Territórios e integra comunidades dos três estados nordestinos.

“O objetivo foi trabalhar a comunicação como meio para promover autonomia e potencializar transformações locais, com a proposta de um novo olhar sobre as regiões, sua gente, suas riquezas naturais, cultura alimentar, histórias e tradições”, de acordo com os organizadores. A ação faz parte do projeto Paisagens Alimentares, coordenado pela Embrapa Alimentos e Territórios e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A capacitação foi conduzida pelos comunicadores e analistas da Embrapa Fabiano Estanislau e Renata Silva, aliada a um intercâmbio com trocas de conhecimentos e experiências junto à Associação Pegadas na Caatinga, que desenvolve turismo em agricultura sustentável no Assentamento Nova Esperança. O conteúdo incluiu os temas territórios e identidades, comunicação e direitos humanos, desafios da comunicação para o fortalecimento dos territórios, ferramentas de comunicação para celular, introdução à fotografia, narrativas para redes sociais, e produção e edição de vídeos para celular. 

A ideia foi estimular os participantes a utilizarem as ferramentas de comunicação em seus celulares para a promoção das paisagens alimentares de seus territórios; fomentar novas habilidades de narrativas e encorajá-los a se posicionarem sobre temas específicos, como defesa do território, manifestações socioculturais, território, identidade e produção de alimentos, a fim de aumentar o impacto e alcance de suas mensagens.

Objetivo foi estimular os participantes a utilizarem ferramentas de comunicação em seus celulares para promoção das paisagens alimentares de seus territórios. Foto: Patrícia Barcelos

Para Rodney Batista, do Quilombo Engenho Siqueira em Rio Formoso (PE), a capacitação foi um divisor de águas, pois embora já usassem as redes sociais na comunidade, faltava conhecimento mais específico. “Agora é voltar para o nosso território com uma visão diferenciada de como podemos melhorar, ampliar toda aquela comunicação que a gente já fazia mas não com tanta informação, não com tanta perfeição, digamos assim”, afirmou. “Com certeza vamos conseguir levar a nossa comunidade ao nosso País, de um lado a outro, ao mundo, mas com uma qualidade, com profissionalismo”, avalia.

A representante da Associação Pegadas da Caatinga Maria Betânia Vieira, do Assentamento Nova Esperança, destacou a importância da ação para o trabalho da comunidade. “Esses três dias de oficina tiveram uma importância muito relevante para mim enquanto representante de uma comunidade que trabalha com turismo sustentável de base comunitária, no que diz respeito à tecnologia e comunicação”, enfatizou. Ela reconhece que os meios de comunicação são ferramentas úteis tanto para que possam vender os seus produtos e atrair os clientes quanto para  valorizar os  territórios. 

Na visão de Robson Santos, de São Cristóvão (SE), a oficina foi bastante proveitosa, pois antes eles faziam fotos e vídeos, mas de forma muito simples. “Nós aprendemos a lidar com as ferramentas das redes sociais, aprendemos a fazer edições de fotos e vídeos para poder utilizar em nossos territórios”, contou. “São aplicativos gratuitos e de fácil utilização e que vão ajudar bastante em nossos trabalhos”, acredita. “Depois dessa oficina com certeza já mudou o nosso ponto de vista, a nossa perspectiva de criação e edição com certeza mudou 100%“, explica.

A experiência também foi elogiada por Gil Monteiro, de Sirinhaém (PE), que fortaleceu o conhecimento do grupo e ajudou a esclarecer dúvidas. Ele disse que o aprendizado valeu muito a pena e volta pra casa “já com aquela sede de pegar as redes [sociais] e fazer uma transformação de tudo o que foi visto durante esses três dias e aplicar um produto agora a ser produzido com qualidade através dos conhecimentos que foram mostrados“. 

Já Anatalia Costa, de Terra Caída, em Indiaroba (SE), falou que a oficina mostrou, principalmente, que eles tinham uma ferramenta nas mãos mas que não sabiam como usar.  “Então hoje eu vou fazer diferente, vou fazer um vídeo, um textinho antes explicando o que a gente vai fazer adiante”, informa. Ela pretende criar uma rádio comunitária no seu povoado e espera usar os novos conhecimentos. “Vai promover bastante o meu território porque, assim, Terra Caída, como Indiaroba, que é a minha cidade, tem coisas maravilhosas!” 

Nadir Rodrigues
Embrapa Alimentos e Territórios