Leguminosa desenvolvida pela Embrapa recupera pastagem e tem custo acessível para produtor

Uma tecnologia simples e de custo baixo pode ajudar o produtor a recuperar áreas degradadas. A leguminosa Guandu BRS Mandarim, desenvolvida pela Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos (SP), apresenta bons resultados na recuperação de pastagens degradadas quando consorciada com braquiária. Além disso, a planta possui alto potencial para adubação verde, melhorando a fertilidade do solo e a qualidade do pasto, e serve de alimento para os animais quando o pasto é escasso. 

No país, segundo dados do MapBiomas, as pastagens ocupam cerca de 164 milhões de hectares e grande parte apresenta algum processo de degradação. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) pretende recuperar uma parte dessa área e, assim, aumentar a produção de alimentos no Brasil. 

De acordo com a pesquisadora Patrícia Menezes Santos, representante da Embrapa no Comitê Gestor Interministerial do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD), para o Brasil alcançar resultados efetivos, é preciso investir em tecnologias, extensão rural, políticas públicas e linhas de crédito para estimular a mudança desse cenário. 

O processo de implantação e de manejo é simples, o que pode facilitar a introdução da leguminosa.

Resultados da  avaliação do impacto ambiental da consorciação com capins tropicais para a recuperação de pastagens, feita pela Embrapa, mostraram o Mandarim como uma boa estratégia para a produção sustentável de bovinos. Seu uso dispensa a adubação nitrogenada para recuperar o pasto, uma vez que o resíduo da sua roçada funciona como adubo verde, disponibilizando nitrogênio no sistema. O material roçado tem a capacidade de agregar mais de 200 kg/ha de nitrogênio (N) na pastagem. 

Outra vantagem é a melhoria na qualidade do solo. A biodescompactação promovida pelas raízes da cultivar, a fixação biológica de nitrogênio e o aumento do teor de matéria orgânica do solo geram melhorias na qualidade física (maior permeabilidade da água), química (maior fertilidade) e microbiológica do solo (maior biodiversidade), reduzindo a erosão e melhorando a ciclagem de nutrientes. Esses efeitos na qualidade do solo refletem positivamente na produtividade das pastagens e, consequentemente, no melhor desempenho animal.

A redução no uso de insumos agrícolas é mais um benefício na diminuição das despesas com adubos químicos, especialmente, de fontes de nitrogênio. Essa substituição está associada à capacidade da leguminosa de fixar o nitrogênio e possuir ciclo mais longo, o que confere um ganho neste período em que os preços dos insumos têm se mantido elevados.

A geração de renda é um dos principais impactos na vida dos produtores que adotaram a tecnologia: aumento da produtividade, por meio da recuperação da pastagem e oferta de alimento no período seco do ano, e consequentemente um aumento da rentabilidade e viabilidade econômica da atividade.

A tecnologia ainda contribui com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, com a meta 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável. A solução colabora para a sustentabilidade dos sistemas de produção e com a melhoria da qualidade dos produtos, o que beneficia tanto os produtores quanto o sistema de produção pecuário.

Gisele Rosso 
Embrapa Pecuária Sudeste

Leguminosa Guandu BRS Mandarim. Foto: Juliana Sussai

 

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