Semeadura direta é alternativa para restauração florestal

Além de simples, a técnica de semeadura direta é mais ecológica e mais barata do que o plantio de mudas, que ainda hoje é a forma mais popular de restauração florestal. A pesquisadora Juliana Müller Freire, da Embrapa Agrobiologia, explica que o método possibilita a restauração de áreas degradadas a partir do plantio de sementes diversas, o que implica na facilidade de transporte da semente e na rapidez em que o plantio pode ser iniciado — logo após seu recolhimento. Isso sem falar na diversidade de sementes – de vários ciclos sucessionais, e não apenas árvores (ciclo longo).

A semeadura direta é, portanto, uma técnica de plantio em que as sementes são colocadas diretamente no solo. Uma das formas de realizá-la é pela muvuca — mistura de sementes de espécies de diversos ciclos de vida, como árvores e adubos verdes. Sua eficácia depende das condições do solo e do clima, entre outros fatores. Ela é considerada ecológica e sustentável por causa da diversidade de matéria orgânica que possibilita na região em que é utilizada. Além disso, é mais barata e estimula coletas e redes de sementes. Outras vantagens são a manutenção da qualidade do solo e das espécies e o controle de erosão.

Hidrogel é colocado diretamente no solo, antes das sementes – Foto: Yasmin Alves

Segundo Freire, tanto o plantio de mudas quanto a semeadura são ideais para lugares que requerem uma intervenção direta – ou seja, onde não basta apenas cercar a região ou impedir a presença de agentes que impossibilitem a natureza de se recuperar por conta própria, como gado, capim, formiga, etc. “Em comparação com outras técnicas de restauração, essa é relativamente nova e ainda está sofrendo ajustes”, conta a pesquisadora. Por isso, é preciso promover diversos testes em períodos e com tecnologias diferentes para que ela prove sua eficiência e conquiste seu espaço na área de reflorestamento. Por ser mais rápida e barata, caso se popularize, tem potencial para ampliar o trabalho de restauração ambiental.

Uso de hidrogel nas sementes

Um fator em teste também envolve o uso de hidrogel nas sementes – produto que, adicionado às mudas, serve como uma reserva de água em períodos de estiagem. Os experimentos envolvem testes antes e depois do veranico – período de estiagem que ocorre no meio da estação chuvosa, geralmente entre janeiro e março. “Essa é uma preocupação que temos que considerar. No caso das mudas, elas já estão grandes, então têm mais resistência ao estresse hídrico. Já a semente é mais sensível à falta de água”, explicou Freire. 

O hidrogel, também conhecido como chuva sólida, garante que a planta seja hidratada por um período de um a dois meses, o que diminui a necessidade de irrigação e mantém o baixo custo da técnica. Seu uso foi avaliado depois de quatro experimentos bem-sucedidos, testando desde a diferença nas aplicações antes e depois do veranico até o efeito de biossólido e o uso de protetores para as sementes. “Estamos tentando encontrar a melhor janela de plantio para a semeadura direta e trazer tecnologias para tentar reduzir o dano do veranico no plantio”, informa a pesquisadora. 

A muvuca, feita com mais de 20 sementes selecionadas – Foto: Yasmin Alves

Freire acrescenta ainda que já foi comprovado com experimentos anteriores que o período de estiagem afeta diretamente a plantação. O foco, então, é ver que estágio ele afeta mais e se o hidrogel é uma solução suficiente.

Liliane Bello 

Yasmin Alves 

Embrapa Agrobiologia