Sistema OCB: cooperativismo e políticas públicas impulsionam agricultura familiar

Organização da cadeia produtiva e potencialização da produção estão entre os benefícios

A agricultura familiar é um dos pilares da produção de alimentos no Brasil. Para fortalecer esse público da agropecuária nacional, as políticas públicas que incluem o crédito rural, assistência técnica e seguro agrícola são fundamentais. Aliadas a elas, as cooperativas desempenham um papel essencial na organização e no apoio aos agricultores familiares, garantindo que eles tenham acesso a melhores condições de produção, financiamento e comercialização.

“A política agrícola e o cooperativismo são fundamentais para o sucesso e a sustentabilidade da agricultura familiar no Brasil. Juntos, eles promovem o desenvolvimento econômico das áreas rurais, asseguram a sustentabilidade da produção agrícola e garantem a inclusão social dos agricultores. O contínuo fortalecimento dessas políticas e do cooperativismo é essencial para assegurar a resiliência e a prosperidade da agricultura familiar, que é um pilar vital para a economia e a sociedade brasileiras”, afirma o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.

A política agrícola brasileira foi desenhada para partilhar, potencializar e garantir os valores produzidos pelo resultado da atividade rural. E, neste contexto, as políticas voltadas especificamente para a agricultura familiar visam promover o desenvolvimento sustentável, aumentar a produtividade e garantir a segurança alimentar. Duas das principais iniciativas são o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

Nos últimos dez anos, as linhas de financiamento inseridas no Pronaf destinaram aproximadamente R$ 378,73 bilhões em crédito rural para produtores pronafianos, valor que permitiu o custeio de R$ 187 bilhões de lavouras e atividades pecuárias da agricultura familiar e R$ 152,67 bilhões em recursos para agroindústrias, armazéns e máquinas agrícolas. Grande parte desse crédito é canalizado por meio das cooperativas, que facilitam o acesso dos agricultores a financiamentos necessários para o custeio de lavouras, investimento em infraestrutura e modernização de suas atividades.

A assistência técnica e extensão rural também são componentes essenciais dessas políticas. E, neste contexto, as cooperativas se destacam ao fornecer atendimento para a agricultura familiar, por meio de mais de 9 mil técnicos especializados, ajudando-os a adotar novas tecnologias, melhorar práticas de gestão e aumentar a sustentabilidade de suas produções. Essa relação facilita a disseminação de conhecimento e a inovação entre os produtores rurais da agricultura familiar, fortalecendo todo o setor.

O coordenador do Ramo Agro do Sistema OCB, João Prieto, ressalta o quanto o modelo cooperativo se mostra mais eficiente para que o agricultor consiga adquirir os conhecimentos necessários para ser mais competitivo, agregue valor ao seu produto e renda à sua família. “De acordo com o Censo Agropecuário 2017, entre os cooperados, 63,8% recebe assistência técnica, enquanto a média Brasil é de aproximadamente 20%. Acreditamos que ter acesso a assistência técnica e extensão rural pode significar a diferença entre ter algum resultado, ter um resultado significativo ou não ter nenhum resultado. Por isso, trabalhamos para fortalecer toda a cadeia produtiva com uma assistência adequada”, destaca.

Ainda segundo Prieto, por meio de pesquisas, conhecimentos diversos, essenciais ao desenvolvimento rural em seu sentido mais amplo e, especificamente, ao desenvolvimento das atividades agropecuárias, florestal e pesqueira, a assistência técnica e extensão rural têm importância fundamental na comunicação de novas tecnologias, na identificação de problemas e na busca de soluções que garantem mais qualidade tanto na produção de alimentos quanto na vida das famílias rurais.

“Nesse sentido, o movimento cooperativista é fator potencializador do acesso a assistência técnica e extensão rural pela própria natureza do seu modelo de negócios. As cooperativas nascem a partir de interesses comuns e que contribuam para um maior ganho de escala e fortalecimento de negócios e projetos que, sozinhos, não conquistariam o mesmo resultado. E, a partir dessa união de interesses, o acesso ao atendimento no campo também se fortalece”, acrescenta o coordenador.

O seguro rural é outra iniciativa que desempenha um papel crucial, protegendo os agricultores contra perdas causadas por condições climáticas adversas e riscos inesperados. E, mais uma vez, as cooperativas são responsáveis por estimular a gestão de riscos rurais por meio das ferramentas disponíveis, garantindo que os produtores estejam protegidos e possam continuar suas atividades mesmo em face de dificuldades impostas por imprevistos e outros riscos.

Impactos

O cooperativismo no Brasil é uma força mobilizadora para a agricultura familiar, com cerca de 1,2 mil cooperativas agropecuárias engajando mais de 1 milhão de produtores rurais, destes 71,2% do perfil da agricultura familiar. Essas cooperativas oferecem uma série de benefícios diretos, como a compra conjunta de insumos a preços mais competitivos, acesso facilitado a crédito rural, e apoio técnico.

“Elas possibilitam que milhares de famílias rurais possam desenvolver suas regiões, gerar prosperidade, elevar os parâmetros sociais e suas realidades locais, gerando ganhos exponenciais para o Brasil e para as pessoas inseridas no movimento cooperativista. Também são fundamentais para a inclusão social, proporcionando uma estrutura organizacional que fortalece a voz dos produtores em negociações e políticas públicas”, ressalta o presidente Márcio.

Além disso, as cooperativas melhoram a capacidade dos agricultores familiares de acessar mercados mais amplos e rentáveis, incluindo exportações. Esse acesso ao mercado é facilitado pelas cooperativas, que não apenas organizam a produção em maior escala, mas também agregam valor por meio de certificações e práticas sustentáveis. A comercialização conjunta através de cooperativas garante preços mais justos e uma distribuição proporcional das sobras.

Os resultados do apoio integrado de políticas públicas e do cooperativismo podem ser observados em diversas regiões do Brasil. No Sul, por exemplo, a diversificação de culturas e a adoção de práticas mais sustentáveis têm sido uma constante, o que aumenta a produtividade e a rentabilidade das propriedades. A presença das cooperativas facilita o acesso a programas de crédito e possibilitam mais investimentos em tecnologias modernas e infraestrutura.

Outro impacto significativo é o desenvolvimento de agroindústrias, promovido pelo apoio cooperativista, que transforma matérias-primas em produtos de maior valor agregado, como queijos, embutidos e conservas, gerando mais renda e oportunidades de negócios. “Esse desenvolvimento não só melhora a economia local, mas também fortalece a segurança alimentar nacional, ao garantir uma oferta estável de alimentos e de alta qualidade”, conclui Márcio Freitas.