Pesquisas utilizam monitoramento por satélite e inteligência artificial que são combinadas com os trabalhos em campo na região
Do monitoramento por satélite à inteligência artificial, o Núcleo de Inteligência Territorial (NIT) tem mostrado como a tecnologia pode contribuir com a eficiência da produção agrícola na região. Fruto de uma parceria entre a Itaipu e o Itaipu Parquetec, o NIT é um espaço técnico-científico com informações estratégicas de todo território de atuação da Binacional: os 272 mil quilômetros quadrados que incluem todos os 399 municípios do Paraná e os 35 do Mato Grosso do Sul.
O NIT reúne dados sobre clima, biodiversidade, recursos hídricos, impactos das atividades produtivas, entre outros, que, conciliados com os trabalhos em campo, dão suporte para o planejamento da Itaipu, atribuindo caráter prático às pesquisas desenvolvidas na região. O núcleo é formado por empregados das duas instituições, alunos e pesquisadores e se divide em cinco eixos de atuação: água, biodiversidade, clima, território e saneamento.
Entre as várias pesquisas desenvolvidas pelo NIT, um estudo criou um índice sobre a fragilidade do solo na ocorrência de voçorocas. Este fenômeno é um processo grave de erosão que provoca impactos ao meio ambiente, mudando a paisagem, destruindo terras agrícolas, ecossistemas e podendo causar a desertificação da área. A voçoroca acontece após as condições dos solos ultrapassarem um limiar de estabilidade.
Com base na biografia, sabe-se que os principais fatores que provocam a evolução de uma voçoroca são os relacionados à topografia do terreno, que pode causar o acúmulo de água dificultando seu escoamento; ao tipo de solo (argiloso, arenoso etc.) e ao fator humano, que influencia no uso e na ocupação do solo, devido ao crescimento populacional, à degradação de florestas e pastagens, à redução da vegetação, entre outros.
Assim, foram usadas informações de satélite, como o Shuttle Radar Topography Mission (SRMT), que fez um modelo de toda a superfície terrestre com uma precisão de 30 metros, além do Mapa de Solos, disponível para o Paraná e o Mato Grosso do Sul. Este monitoramento remoto avaliou os três fatores (topografia, tipo de solo e uso do solo) e criou uma pontuação para cada fator: por exemplo, em relação ao “uso do solo”, uma área ocupada por banhado tem peso X e uma por pastagem, peso y.
Partindo da somatória desses valores, foi gerado um mapa mostrando as áreas mais suscetíveis à formação das voçorocas no PR e MS, em uma escala de “muito baixo”, “baixo”, “médio”, “alto” e “muito alto”. O dado, assim como outros trabalhos do NIT, é conciliado com uma ida a campo para verificação da área e aperfeiçoamento da metodologia. As áreas com grande risco desse tipo de erosão recebem maior atenção e medidas de prevenção.
Outra pesquisa, ainda em desenvolvimento, utilizou o monitoramento por satélite combinado com a inteligência artificial para identificar se áreas agrícolas utilizam ou não o terraceamento. A técnica agrícola consiste na construção de terraços, criando curvas de nível, ou seja, linhas em diferentes altitudes com o objetivo de evitar a erosão do solo, reter água e aumentar a produtividade das culturas.
Com o mapeamento remoto e a inteligência artificial é reduzida a necessidade de ir a campo para verificar a existência destes terraços. Utilizando imagens de satélite das áreas, são criados modelos que identificam automaticamente as curvas de nível nas áreas rurais.
Também utilizando o sensoriamento remoto, no caso os satélites Sentinel e Landsat, outro estudo identifica áreas cujo solo foi revolvido para o plantio. Essa prática não é considerada ideal, pois expõe o solo às intempéries, não sendo recomendada pelos especialistas.
Para treinar o modelo, foram usados 4.500 pontos amostrais, abrangendo classes como solo exposto e revolvido, água, área urbana, pastagem, palhada, plantio e vegetação. O estudo mostrou que o modelo consegue identificar as áreas de solo revolvido. De acordo com a pesquisa, entre julho e setembro de 2023, foi encontrada uma área revolvida de 3.662,96 km², ou 5,53% da área total de agricultura do Paraná.
NIT
Criado em 2018, o NIT tem o objetivo de promover o desenvolvimento territorial sustentável, ou seja, uma abordagem que visa desenvolver o território de forma equilibrada com os princípios de sustentabilidade, considerando os aspectos econômicos, ambientais, sociais e culturais.

No total, o núcleo já financiou 177 bolsas de pesquisas, gerou 119 produções científicas e mais de 460 publicações. Nos dois convênios, o valor investido pela Itaipu é de cerca de R$ 40 milhões. O NIT é dividido em seis eixos de atuação.
No eixo “território”, as ações visam coletar, armazenar e analisar dados geográficos. Gerando indicadores para fundamentar decisões em ações socioambientais, planejamento urbano e conservação da fauna e flora.
Já no “biodiversidade” são realizados levantamentos, pesquisas e estudos sobre animais e plantas para orientar políticas de conservação, manejo sustentável dos recursos naturais e tomada de decisões relacionadas ao desenvolvimento sustentável.
Em “água” o objetivo é conhecer a disponibilidade desse recurso em quantidade e qualidade adequadas para múltiplos usos como produção energética, abastecimento urbano, lazer e turismo, dessedentação animal, agricultura, entre outros.
O eixo “clima” gerencia dados atmosféricos, fornecendo informações cruciais para tomada de decisão e ações de mitigação aos efeitos de eventos climáticos extremos como secas, inundações, ondas de calor etc.
Finalmente, o eixo “saneamento” trabalha com a promoção da qualidade de vida e saúde pública, apoiando o monitoramento e vigilância epidemiológica, além de oferecer suporte ao planejamento de saneamento básico e manejo de resíduos sólidos.

