Chuvas acima da média exigem planejamento para alimentação dos rebanhos

A previsão de chuvas acima da média nos próximos meses deve favorecer o desenvolvimento das pastagens e do campo nativo. Diante desse cenário, o planejamento da alimentação dos rebanhos continua sendo importante, e o principal desafio pode estar no manejo do excesso de pasto e na manutenção da qualidade da forragem.

Segundo o extensionista rural e chefe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar em Santana do Livramento, Leonardo Guimarães, a expectativa é de um maior volume de chuvas a partir da primavera, nos meses de outubro e novembro, o que tende a ampliar a disponibilidade de pastagem. A recomendação é aproveitar o período para reservar áreas e evitar o pastejo excessivo. “O ideal seria reservar áreas de campo. Os animais ficam com menos campo disponível e conseguem dar conta do crescimento a mais que vai ter o campo nativo”, explica Guimarães.

O manejo também deve considerar a manutenção de um residual de aproximadamente cinco centímetros de pastagem após o pastejo. A prática ajuda na recuperação das plantas, favorece a infiltração da água e contribui para reduzir os impactos tanto do excesso quanto da irregularidade das chuvas.

Na propriedade de Thalisson Salcher Adona, produtor de leite de Santana do Livramento, o planejamento para os próximos meses já começou. A estratégia é concentrar o plantio de milho para silagem nas áreas mais secas e ampliar a disponibilidade de pastagens. “Já estamos organizando para os próximos meses. Vamos tentar plantar o milho para a silagem nas áreas mais secas e fazer bastante pastagem”, relata o pecuarista.

A decisão leva em conta as experiências dos últimos anos, marcados por períodos de estiagem e redução da oferta de pasto. Para enfrentar esses momentos, a propriedade mantém silagem de milho como uma das alternativas de alimentação do rebanho, além de contar com pequenas áreas irrigadas e açudes. “Sempre plantamos bastante para ter reservado. Quando dá a entressafra, que não tem pastagem, daí tratamos com silagem”, explica Adona.

Para propriedades que pretendem implantar pastagens cultivadas, o excesso de chuva também exige cuidados. Devem ser priorizadas áreas mais planas e com menor risco de escorrimento superficial, especialmente quando houver necessidade de movimentação do solo. Também é importante controlar a lotação dos animais, principalmente logo após as chuvas, para evitar o excesso de pisoteio, a formação de lama e a degradação da pastagem.

No caso do milho, a maior disponibilidade de água pode representar uma oportunidade para a cultura em Santana do Livramento. No entanto, chuvas intensas durante o florescimento podem prejudicar a polinização. Como estratégia para reduzir riscos, a orientação é escalonar o plantio em diferentes períodos.

Além da alimentação, o produtor deve ficar atento à qualidade da água, à disponibilidade de sombra e ao controle sanitário. Em períodos mais úmidos, aumenta a atenção necessária para problemas como carrapatos e verminoses. A orientação técnica é aproveitar a maior disponibilidade de água e pastagem, mas sem deixar de lado o planejamento. A reserva de áreas, o manejo adequado do campo e a diversificação das fontes de alimentação podem ajudar o produtor a transformar as condições climáticas previstas em uma oportunidade para melhorar a oferta de alimento ao rebanho.

Texto: Emater

Foto: Divulgação

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