IATF: melhoramento genético, produtivo e sustentável

Professor e pesquisador da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, Pietro Baruselli, fala sobre mercado e como esta tecnologia reprodutiva e genética traz bons resultados, otimizando recursos naturais 

A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) é uma importante tecnologia para ampliar a eficiência reprodutiva e genética dos rebanhos e, consequentemente, aumentar a produção de carne e leite no Brasil. Segundo o professor e pesquisador da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, Pietro Baruselli, que atua no desenvolvimento dessa tecnologia para o rebanho bovino brasileiro, após dois anos de queda, o mercado de IATF retoma o crescimento e registra aumento de 3,3% em 2024 ante 2023.

“Em 2023 foram comercializados 22.529.622 protocolos, comparados aos 23.267.777 em 2024, aumento de 738.155 protocolos vendidos. O crescimento nas vendas de protocolos para IATF (+3,3%) foi ligeiramente superior ao aumento da venda de sêmen (+2,6%), o que ocasionou aumento no percentual de animais inseminados por IATF. Em 2023, o percentual era de 91,2%, passando para 91,8% em 2024. O número de fêmeas bovinas inseminadas por IATF no Brasil continua em patamares elevados e reforçam a consolidação dessa tecnologia no mercado de inseminação artificial”, observa Pietro Baruselli.

Dados com a evolução do mercado de IA e de IATF, desde 2002. Fonte: Boletim Eletrônico do Departamento de Reprodução Animal (FMVZ/USP)

Segundo o médico veterinário e professor do Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Pietro Baruselli, os pontos positivos de 2025 para pecuária, com relação à reprodução animal, foi a retomada do crescimento da aplicação de biotecnologias, com vistas ao melhoramento genético e produtivo, como a inseminação artificial (IATF) e a transferência de embriões. 

Ele explica que o auge da aplicação dessas tecnologias foi em 2021, mas a partir daquele ano, houve inversão no ciclo da pecuária, com redução dos valores do bezerro e aumento de abate de matrizes. “Isso fez com que se reduzisse a quantidade de fêmeas inseminadas no Brasil”. 

“A boa notícia é que, desde 2024, nós tivemos um crescimento de 3% e há perspectiva de crescimento de 5% a 6%, em 2025, deste mercado da inseminação artificial usando técnicas de sincronização, junto com o mercado de fármacos utilizados para reprodução animal assistida. Isso representa uma retomada consistente, o que é muito bom, porque há impacto direto no melhoramento genético pela multiplicação de animais de alto valor genético, o que é muito positivo para pecuária brasileira”, observa Pietro. 

“Com o valor de comercialização de todos os fármacos que compõem um protocolo de sincronização para a IATF é possível prever o faturamento anual do setor. Em 2024, estima-se que o valor médio do protocolo foi de R$ 20,00, projetando faturamento de R$ 465,4 milhões com a venda de protocolos de IATF para o setor de reprodução animal, segundo Boletim Eletrônico do Departamento de Reprodução Animal (FMVZ/USP)”, afirma o médico veterinário e professor. 

Conforme Pietro, o ponto negativo de 2025 foi a colocação das tarifas de importação, principalmente, dos Estados Unidos com relação à carne brasileira. “Isso gerou muitas incertezas e fez com que o pecuarista sentisse insegurança para investir, porque ele tem que tomar decisões de longo prazo. O ciclo é, relativamente, longo, para vender um bezerro desmamado ou para quem vai vender o boi gordo para o mercado. Então, para obter retorno do capital investido em IATF são necessários dois, três ou até quatro anos, dependendo da eficiência do sistema de produção. Mas mesmo ante as incertezas estamos tendo evolução do processo”, explica. 

Pietro ressalta que mesmo com todas as volatilidades do mercado, o pecuarista brasileiro conseguiu desenvolver projetos, evoluir, aumentar a aplicação de tecnologia no rebanho. “Porque a inseminação artificial está diretamente relacionada ao melhoramento genético e produtivo e à melhoria da sustentabilidade da pecuária, esta tecnologia faz com que se produza mais no mesmo espaço, otimizando recursos naturais, é uma tecnologia sustentável”, enfatiza.

Perspectivas 

Para 2026, as perspectivas são muito boas, destaca Pietro Baruselli, porque se projeta a valorização dos bezerros e dos produtos relacionados à pecuária. “Isso vai fazer com que o pecuarista, que está investindo em tecnologia, genética, colha bons frutos em 2026, porque o mercado valoriza este produto. Tudo indica que nós vamos ter um ano bastante positivo, em termos de valorização, o que estimula a aplicação de tecnologias ligadas à reprodução animal, com maior intensidade pelo pecuarista brasileiro”, conclui.