Arroz: realidade atual do setor é crítica

Presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, afirma que é preciso ampliar exportações e reduzir área plantada na safra 2025/2026. Produtores estão vendendo com prejuízo  

A Radiografia da Agropecuária Gaúcha, documento elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, mostra que o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do estado chegou a R$ 107,05 bilhões em 2024, e o arroz representa 15% deste total. O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do país, responsável cerca de 70% da produção nacional. Este alimento essencial é cultivado em 181 municípios gaúchos. 

Fonte: Radiografia da Agropecuária Gaúcha

A safra 2024/2025 teve uma produtividade excelente, resultando em um aumento de produção de pouco mais de 20% em relação ao ano anterior. A área colhida no Rio Grande do Sul foi de 968,97 mil hectares, com produção de 8,76 milhões de toneladas e um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 18,30 bilhões. No ano de 2024, o RS exportou arroz para 72 países, gerando US$ 539,5 milhões. 

Fonte: Radiografia da Agropecuária Gaúcha

Conforme a Radiografia da Agropecuária Gaúcha um dos motivos da alta produtividade e da estabilidade na produção de arroz no Rio Grande do Sul é o cultivo com irrigação. A produtividade média do arroz irrigado do RS é quase três vezes maior que a produtividade do arroz de sequeiro.

Os maiores produtores de arroz do país (safra 2024/2025), são, primeiro, Rio Grande do Sul (69%), seguido de Santa Catarina (10%), Tocantins (6%), Mato Grosso (3%), Maranhão (2%), outros (10%).

Os municípios que mais produzem no RS são 1º Uruguaiana, 2º Santa Vitória do Palmar, 3º Itaqui, 4º Alegrete, 5º Dom Pedrito, 6º Arroio Grande, 7º Camaquã, 8º São Borja, 9º Mostardas, 10º São Gabriel.

Federarroz 

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, afirma que a realidade atual do setor é crítica e a entidade propõe algumas medidas, para contornar esta situação, aos produtores e reivindicações aos governos federal e estadual. 

Denis enfatiza que é preciso ampliar as exportações de arroz e reduzir a área plantada na próxima safra, porque há excesso de produto oferecido ao mercado interno, e a demanda interna não acompanha o ritmo de produção. 

O presidente da Federarroz ressalta que o excesso de oferta pressionou os preços para níveis muito baixos e bem inferiores aos custos de produção, com isso, os produtores estão vendendo arroz com prejuízo, comprometendo o rendimento da atividade. “Quanto maiores os estoques, menores os preços”, afirma. 

Ele afirma que reduzir a área plantada na safra 2025/2026 é uma prioridade, além disso, ampliar as exportações para países onde o cereal brasileiro é mais valorizado. “É preciso medidas coordenadas práticas, estratégicas, para enfrentar a crise no mercado de arroz, para não ter problemas, no médio prazo, com segurança alimentar”, observa. 

A Federarroz também propõe que sejam fiscalizadas, por parte do governo federal, as importações de arroz para que atendam a legislação fitossanitária brasileira. Além disso, os mercados concorrentes precisam cumprir com as mesmas regras trabalhistas e ambientais que os produtores brasileiros, e elevar o preço mínimo do arroz para que esteja de acordo com os custos de produção.

Com relação ao governo estadual, a entidade reforça o uso da Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO) para escoamento de mercado, socorro aos produtores da região central atingidos pela enchente de 2024, e alterações no regime de ICMS buscando equalizar este imposto com outros estados. E, também, apoio às campanhas de incentivo ao consumo de arroz.

“É preciso medidas coordenadas práticas, estratégicas, para enfrentar a crise no mercado de arroz, para não ter problemas, no médio prazo, com segurança alimentar”, observa presidente da Federarroz, Denis Nunes