Por Rafael Miotto, presidente da CNH para América Latina
Vivemos um momento decisivo no cenário da agricultura. Nos dias de hoje, multiplicam-se os desafios com a crescente demanda mundial por alimentos e a necessidade latente de preservação dos recursos naturais, ao mesmo tempo em que surgem novas formas de trabalho no campo impulsionadas pelas inúmeras possibilidades viabilizadas pela transformação digital. É comum nos depararmos com discursos que sobrepõem os desafios sobre as oportunidades, mas a minha visão é que as respostas estão exatamente no meio do caminho: quando a produtividade e sustentabilidade caminham lado a lado, as soluções aparecem.
A mecanização sempre foi motor de transformação no campo, seja para grandes produtores, quanto para a agricultura familiar. Hoje, no entanto, vivemos uma evolução em outro patamar. A inteligência artificial se põe como uma nova fronteira para o agronegócio ampliando as possibilidades, melhorando a eficiência, reduzindo custos e ao mesmo tempo assegurando práticas ambientalmente responsáveis.
Trazendo exemplos mais recentes do campo, temos tecnologias de pulverização localizada que usam IA para identificar ervas daninhas e que chegam a reduzir o uso de agrodefensivos em mais de 80%. Nas máquinas agrícolas, temos exemplos como das colheitadeiras da linha Axial-Flow Automation, da Case IH, e a CR Intellisense™, da New Holland, que proporcionam até 30% mais produtividade e precisão, combinando sensores, machine learning e automação. No contexto das peças, já é possível que qualquer pessoa tire uma foto de um componente e encontre rapidamente seu equivalente no site fazendo uso de IA, reduzindo tempo de busca e erros na escolha de um produto.
Assim como a internet mudou nossa relação com o mundo, a Inteligência Artificial transforma de forma permanente e transversal o agronegócio. É um marco de uma nova era que já vem transformando os modelos de trabalho, negócios e as decisões, cada vez mais guiadas por dados e algoritmos. A pergunta que fica é se essa transformação é aplicável à realidade do pequeno produtor, sujeito tão central do agronegócio brasileiro.
Para a agricultura familiar, responsável por 70% da produção dos alimentos consumidos no Brasil segundo o IBGE, essas possibilidades podem representar novas oportunidades de crescimento. Tecnologias adaptadas à realidade de pequenos e médios empreendedores tornam o uso de recursos mais racional, reduzindo perdas e fortalecendo a competitividade.
Sabemos, no entanto, que só a tecnologia não basta. Para que a transformação seja alcançada em todo seu potencial é preciso pensar em inclusão, em acesso. A conectividade ainda é um ponto crítico no agro brasileiro com apenas 33,9% das áreas rurais com acesso à internet, segundo dados da ConectarAgro. Iniciativas como a parceria da CNH com a Starlink querem mudar essa realidade, levando conectividade via satélite de ponta aos agricultores.
Acredito que expandir a conexão no campo é abrir caminho para a inovação. Levar infraestrutura digital às áreas rurais não é apenas uma demanda técnica, é o primeiro passo para garantir que a IA esteja ao alcance de todos os produtores, em todas as regiões. A capacitação é outro fator essencial já que, à medida que as tecnologias evoluem, cresce também a necessidade de preparar pessoas para usá-las com eficiência.
Confio que o caminho para um futuro mais próspero passa por democratizar a inovação para que todos possam usufruir dos benefícios da mecanização inteligente, investindo em soluções acessíveis, escaláveis e adaptadas a diferentes perfis de produtores. O investimento em conectividade, capacitação e parcerias regionais fortalece não apenas a produtividade agrícola, mas também o desenvolvimento socioeconômico das comunidades rurais.
A mecanização inteligente e a IA, acessível e conectada é um caminho inevitável para um futuro mais eficiente e sustentável no campo, promovendo produtividade, sustentabilidade e inclusão, pilares fundamentais para o desenvolvimento regional e global.
Sobre Rafael Miotto
*Presidente da CNH para a América Latina, Rafael Miotto é responsável por impulsionar o crescimento na região e garantir que ela tenha os recursos, capacidade e aptidão para a execução das metas da empresa em suporte às suas unidades de negócios: agricultura, construção e serviços financeiros.
Miotto assumiu sua posição atual em janeiro de 2023, juntando-se à equipe de liderança global da empresa. Antes disso, liderou a marca New Holland Agriculture na América Latina por cinco anos, supervisionando todas as operações comerciais. De 2014 a 2016, atuou como Diretor de Portfólio de Produtos para todas as marcas industriais da CNH Industrial na mesma região e foi nomeado para um cargo duplo como Diretor Regional de Serviços Comerciais na segunda metade deste período.
Ele ingressou na CNH Industrial em 2004 como Engenheiro de Suporte ao Produto, sendo responsável pelo suporte técnico para as colheitadeiras da New Holland Agriculture na América Latina e, depois, pelo Suporte de Serviço de Campo, trabalhando diretamente com revendedores para fornecer atendimento pós-venda, treinamento e suporte para as necessidades do cliente. A partir de 2008, o Miotto assumiu cargos de responsabilidade cada vez maiores na marca Case IH, ganhando ampla experiência em toda a cadeia produtiva do negócio agrícola (serviços, vendas e marketing).
Antes de ingressar na CNH, Rafael Miotto atuou como estagiário de engenharia na Turquia na Wagner Cable e, de 1998 a 2003, serviu nas Forças Armadas do Brasil como Cadete do Exército e Oficial de Engenharia.
Rafael Miotto possui certificação do Advanced Management Program pelo Insead, na França, e da Fundação Dom Cabral, no Brasil; MBA pela Fundação Getúlio Vargas; e é bacharel em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), ambos no Brasil.

