
Tema foi pauta no Conexão de Negócios, painel promovido pelo Sistema Ocergs na Casa do Cooperativismo na Expointer 2026
As mudanças impostas pelo Acordo Comercial Interino (ITA) entre Mercosul e União Europeia, que passou a valer em 1º de maio, exigirão das cooperativas gaúchas estratégias para enfrentar a maior concorrência no mercado interno e, ao mesmo tempo, identificar oportunidades de acesso ao mercado europeu. A avaliação foi apresentada pela professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Kelly Bruch durante o painel Conexão de Negócios, promovido dia 31, numa segunda-feira, pelo Sistema Ocergs, na Casa do Cooperativismo da Expointer.
Referência em propriedade intelectual, inovação e agronegócios, a palestrante abordou os desafios e oportunidades trazidos pelo acordo com foco nos produtos mais impactados: vinhos, carnes, arroz, queijos, leites e embutidos. O painel reuniu representantes de cooperativas interessadas em compreender como as mudanças no ambiente comercial podem afetar seus negócios.
“Vamos ter uma desgravação tarifária, com redução dos impostos de importação em vários setores. As cooperativas precisam estar atentas e se preparar para uma concorrência maior, porque produtos europeus poderão chegar ao mercado brasileiro com a mesma tributação e, em alguns casos, maior competitividade”, explica Kelly.
Ao mesmo tempo, a abertura pode criar oportunidades para produtos brasileiros no mercado europeu, desde que as cooperativas estejam preparadas para atender exigências técnicas, sanitárias, de certificação e de posicionamento.
“Ao mesmo tempo, a abertura de mercado traz uma oportunidade importante, e as cooperativas precisam investir em produtos de nicho e de maior valor agregado. O consumidor europeu valoriza produtos que carregam uma história, uma origem e uma coletividade, e esse é um diferencial que o cooperativismo gaúcho pode explorar”, acrescenta a pesquisadora.
Um dos pontos destacados por Kelly foi a importância da origem como elemento de diferenciação e geração de valor. A proteção das indicações geográficas e de origem previstas no acordo criam desafios para produtos brasileiros que utilizam determinadas denominações europeias, mas também pode fortalecer a valorização de produtos brasileiros associados a uma origem reconhecida.
Identidade cooperativista como diferencial
Nesse contexto, a identidade cooperativista também pode ser utilizada como elemento de diferenciação. O carimbo SomosCoop, presente nas embalagens e na comunicação de produtos e serviços de cooperativas, permite comunicar ao consumidor a origem cooperativista e os atributos associados a esse modelo de negócio.
Para Kelly, o uso da marca pode ajudar as cooperativas a comunicar uma característica que ganha relevância diante da maior concorrência internacional: a relação entre produto, território e produtores.
“O carimbo é uma opção interessante, especialmente se a gente aprender a divulgar para o consumidor o que ele significa. Não é uma empresa, é uma cooperativa: são produtores que estão juntos para fazer um produto que vai da casa deles para a casa do consumidor. Se soubermos comunicar isso, com certeza vai agregar muito valor”, afirma.
A professora também destacou que essa identidade pode contribuir para posicionar produtos cooperativos em mercados que valorizam produtos de nicho e com origem conhecida. No Rio Grande do Sul, cerca de 150 cooperativas já utilizam o carimbo SomosCoop.
Sistema Ocergs prepara cooperativas para novas oportunidades
O debate sobre o acordo integra uma programação voltada a antecipar tendências e oferecer ferramentas para que as cooperativas ampliem sua competitividade.
“Faz parte da estratégia do Sistema Ocergs criar espaços que estimulem o debate e antecipem discussões importantes para o cooperativismo. O Conexão de Negócios cumpre esse papel ao aproximar as cooperativas de informações, tendências e oportunidades, contribuindo para que estejam mais preparadas diante das transformações do mercado”, afirma o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann.
O painel também contou com a palestra de Marcelo Fogaça, fundador da Quarterback Trade & Marketing, que abordou estratégias comerciais, parcerias e caminhos para ampliar a geração de negócios.
“Se eu tirar preço e qualidade, o que me faz diferente do meu concorrente? Se um consumidor me escolher por preço, eu tenho convicção de que ele também vai me trocar por preço. Então, eu preciso levar outras variáveis para que ele realmente leve o meu produto para casa”, defendeu Marcelo.
A iniciativa integra a atuação do Sistema Ocergs na Casa do Cooperativismo durante a Expointer, que busca aproveitar a presença de diferentes públicos e agentes do agronegócio na feira para ampliar conexões e colocar o cooperativismo em contato com novas oportunidades de negócios.
Texto: Sistema Ocergs
Foto: Divulgação Ocergs


