Aurora Coop e Iowa State University levam ciência de dados à suinocultura brasileira

Parceria exclusiva no Brasil integra informações de toda a cadeia produtiva para criar modelos capazes de antecipar riscos, reduzir perdas e apoiar decisões no campo

A suinocultura brasileira começa a incorporar uma nova fronteira tecnológica: o uso estruturado de ciência de dados, inteligência artificial e aprendizado de máquina para transformar milhões de informações geradas diariamente nas granjas e indústrias em decisões mais precisas. Uma parceria entre a Aurora Coop, terceiro maior grupo de proteína animal do Brasil, e a Iowa State University, dos Estados Unidos, desenvolve modelos inéditos no País para integrar e analisar dados de toda a cadeia, do nascimento dos leitões ao frigorífico.

O projeto começou há cerca de três anos e entra agora em uma etapa de expansão. A Aurora Coop é a única empresa brasileira parceira da universidade nesse trabalho, que também envolve oito empresas nos Estados Unidos, responsáveis por aproximadamente 1,4 milhão de matrizes, além de uma companhia no México.

O anúncio foi feito pelo diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Antonio Zordan.

O professor da Iowa State University e coordenador do projeto, Edison Magalhães, explica que a proposta é aproximar a pesquisa acadêmica dos desafios concretos da produção. Os dados disponibilizados pela Aurora Coop, protegidos por termos de confidencialidade, são analisados por uma equipe multidisciplinar que reúne especialistas em medicina veterinária, estatística, engenharia da computação e visão computacional.

O grupo desenvolve modelos estatísticos, algoritmos, inteligência artificial e machine learning para responder a questões que interferem diretamente nos resultados da atividade. As análises podem avaliar sanidade, vacinação, medicamentos, nutrição, genética, mortalidade e organização dos fluxos produtivos.

“A cadeia é tecnificada, evoluída e coleta informações boas, mas a análise de dados ainda é falha, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro”, observa Magalhães. Segundo ele, o diferencial está em superar análises baseadas apenas em médias e planilhas e aplicar modelos estatísticos capazes de identificar relações que dificilmente seriam percebidas pelos métodos convencionais.

Um dos aspectos mais relevantes é a integração das informações de matrizes, creches, terminação e frigoríficos. Algoritmos específicos desenvolvidos para a Aurora Coop conectam os registros das diferentes etapas e permitem acompanhar o desempenho dos animais ao longo da cadeia.

Entre os primeiros trabalhos está a chamada piramidização de fluxos. O modelo analisa as origens dos leitões destinados às creches e identifica combinações que apresentam melhores resultados produtivos e sanitários. A partir desse conhecimento, a cooperativa pode organizar fluxos mais estáveis entre granjas, reduzir misturas de origens e melhorar o controle sanitário.

A rastreabilidade amplia ainda a capacidade de relacionar ocorrências identificadas no frigorífico às etapas anteriores da produção. Para Magalhães, a estrutura da Aurora Coop oferece uma condição diferenciada para esse avanço. “A Aurora Coop foi escolhida justamente por esse perfil inovador. É uma referência em produtividade e tomou a decisão de buscar esse trabalho quando a área ainda estava começando.”

O salto mais ambicioso do projeto é avançar da análise do que já aconteceu para a predição do que poderá acontecer. O gerente corporativo de suinocultura da Aurora Coop, Luiz Carlos Giongo, destaca que a aplicação de inteligência artificial deverá permitir decisões preventivas, com potencial para reduzir impactos produtivos e econômicos.

“O grande trunfo que queremos alcançar é predizer os problemas, agir antes e evitar o prejuízo. Evitar as crises”, resume. Os primeiros modelos já demonstram essa possibilidade. Em determinados casos, as análises conseguem projetar, no momento do desmame, indicadores de mortalidade que poderão ocorrer 40 ou 50 dias depois.

Outra característica é que o avanço não depende, necessariamente, da instalação de câmeras, sensores ou equipamentos de alto custo nas propriedades. A estratégia utiliza prioritariamente informações que os produtores e a empresa já coletam, como registros das granjas, diagnósticos, formulações de rações e resultados produtivos.

TECNOLOGIA & NOVOS PROFISSIONAIS

A parceria abre espaço para um perfil profissional ainda raro na produção animal: especialistas que combinem conhecimento em suinocultura, estatística, programação e ciência de dados. Na Iowa State University, o trabalho mobiliza um time de seis estudantes e conta com a participação de 14 professores de diferentes áreas.

Um dos primeiros resultados dessa aproximação já está dentro da própria Aurora Coop. Após permanecer um ano nos Estados Unidos e atuar no projeto, um médico-veterinário foi contratado pela cooperativa e passou a conduzir parte do trabalho no Brasil. Para Magalhães, esse profissional representa a primeira geração de especialistas capazes de conectar conhecimento veterinário e análise avançada de dados.

A cooperação também nasceu em condições diferenciadas. Enquanto novas empresas interessadas no programa têm investimento estimado em cerca de US$ 50 mil por ano, relacionado principalmente à formação dos pesquisadores, a parceria com a Aurora Coop não prevê esse desembolso nos mesmos moldes, em razão da participação da cooperativa desde a fase inicial do projeto.

INOVAÇÃO MUNDIAL

Os primeiros protótipos já avançam para a aplicação prática. Os trabalhos começaram no Rio Grande do Sul e chegam também a Santa Catarina. A expectativa é que, em aproximadamente dois anos, as ferramentas estejam incorporadas a todo o sistema produtivo da cooperativa.

O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Antonio Zordan, destaca que a parceria aproxima a produção brasileira das ferramentas mais avançadas desenvolvidas internacionalmente para diagnóstico, identificação e previsão de problemas sanitários.

“Vamos conseguir ter o que existe de mais inovador na suinocultura mundial dentro da Aurora Coop e puxar essa evolução para o Brasil”, afirma. A perspectiva está alinhada às diretrizes de longo prazo da cooperativa, com metas voltadas à redução de perdas, mortalidade, condenações, lesões e doenças e à evolução do padrão sanitário do rebanho.

Ao unir a escala produtiva e a capacidade de rastreamento da Aurora Coop ao conhecimento científico da Iowa State University, o projeto transforma um ativo já existente — os dados — em uma ferramenta para antecipar decisões. O objetivo final é fazer com que a informação deixe de apenas explicar o passado da produção e passe a ajudar a prever seu futuro.

DIMENSÃO

            As 8 plantas industriais de suínos da Aurora Coop abateram 8,2 milhões de cabeças em 2025, registrando crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior. Esse volume correspondeu a 17,05% do abate nacional. Em 2026 deve evoluir para 8,6 milhões de cabeças. A base produtiva no campo é formada por 3.453 produtores integrados.

professor da Iowa State University e coordenador do projeto, Edison Magalhães e o gerente corporativo de suinocultura da Aurora Coop, Luiz Carlos Giongo
O projeto começou há cerca de três anos e entra agora em uma etapa de expansão

Viva as Diferenças destaca qualificação e inclusão de pessoas com deficiência em Tapejara/RS

Aos 16 anos, Mayllon de Oliveira Dutra resumiu em poucas palavras o sentimento de celebrar a conclusão de uma trajetória de aprendizagem. Morador de Charrua (RS), ele assumiu o microfone como orador da turma que concluiu o Curso de Qualificação Para Pessoas com Deficiência deste ano. “Nós temos sonhos, nós somos capazes, nós também podemos chegar lá. Obrigado, Aurora Coop, por acreditar em nós.”

A formatura ocorreu no último dia 20, durante o evento Viva as Diferenças, realizado pela Fundação Aury Luiz Bodanese (ALB) e sua mantenedora, Aurora Coop. O evento foi realizado pela primeira vez no município de Tapejara (RS) e reuniu cerca de 500 pessoas no Centro Cultural José Maria Vigo da Silveira, incluindo pessoas com deficiência, familiares, empresas, entidades sociais, representantes do poder público e a comunidade em uma programação voltada à inclusão social e profissional.

A turma de formandos foi composta por 18 participantes, dos municípios gaúchos de Tapejara, Sananduva, Charrua, Água Santa e Ibiaçá. Todos participaram do curso composto por dez módulos, que teve início em maio e abordou temáticas diversas como cidadania, legislação trabalhista, educação financeira, saúde, relações interpessoais, meio ambiente, segurança do trabalho e nutrição.

Para o diretor-presidente da Fundação ALB, Oscar Trombeta, esta é uma maneira de transformar a proposta de inclusão em resultado concreto. “São pessoas que passam a enxergar novas possibilidades de autonomia, renda e participação na sociedade. A inclusão faz parte dos valores da Aurora Coop há décadas, muito antes de existir uma obrigação legal, e a Fundação procura traduzir esse princípio em oportunidades reais nas comunidades que nos acolhem”, afirmou.

A diretora administrativa da Fundação ALB, Sonara Bergamo Ramos, destaca a importância da participação da família nesse processo. “Pensamos o Viva as Diferenças para as pessoas com deficiência, mas também para os familiares. A família precisa acreditar e incentivar o potencial dos seus filhos, pois a inclusão começa quando deixamos de enxergar apenas limites e passamos a reconhecer possibilidades.”

Essa mudança de perspectiva aparece na experiência de Octávio da Silva e Verônica Araújo, integrantes da turma que possuem deficiência física. Os dois querem ingressar no mundo do trabalho e afirmam que o curso mudou suas percepções sobre os próximos passos. “Foi uma experiência muito boa, conheci outras pessoas e passei a entender melhor o mercado de trabalho. O curso me preparou para as próximas etapas. Estar aqui hoje é uma conquista muito grande”, comenta Octávio.

O preconceito como barreira

Além da solenidade de formatura, outro momento de grande impacto da programação foi a palestra “Adversidade e Diversidade: superando as diferenças e deficiências”, conduzida por Leonardo e seu irmão Dudu do Cavaco, músico com síndrome de down. Eles são do Instituto Mano Down, que trabalha pela visibilidade, pelo reconhecimento e pela criação de oportunidades para pessoas com deficiência. Por meio da apresentação da trajetória de Dudu, que contradiz previsões e rompe barreiras, a palestra transmite a mensagem central: “Nada é mais deficiente que o preconceito.”

O Viva as Diferenças também contou com mesa-redonda sobre estratégias de inclusão, desfile inclusivo e a mostra itinerante “Retratos de Superação”, com histórias de colaboradores com deficiência que atuam na Aurora Coop.

Inclusão nas unidades Aurora Coop

Na Aurora Coop, a inclusão está incorporada à realidade de suas operações em diferentes estados. Atualmente, a cooperativa conta com milhares de colaboradores com deficiência em seu quadro funcional, distribuídos entre diferentes unidades e áreas de atuação. O número dá dimensão prática à Política Aurora Coop Para Pessoas com Deficiência, construída ao longo de décadas, que busca ampliar oportunidades profissionais e valorizar capacidades.

Hoje, essa diretriz é executada com o apoio da Fundação ALB, que realiza sensibilizações com o público interno e externo e promove projetos que envolvem o aprendizado e a criação de oportunidades, como o Curso de Qualificação Para Pessoas com Deficiência. Em 16 anos, o curso já formou 361 pessoas e cerca de 40% delas estão inseridas no mundo do trabalho.

O gerente do Frigorífico Aurora Coop Tapejara II, Rogenir De Lemes, destacou a efetividade do compromisso com a inclusão. “As diferenças não podem ser um limitante para que as pessoas acessem as oportunidades. Quando qualificamos, aproximamos e sensibilizamos, ampliamos as condições para que cada um mostre o seu potencial.” A gerente do Frigorífico Aurora Coop Tapejara I, Keli Roberta Delazeri, acrescentou que o processo também transforma quem já está dentro das empresas. “Conseguimos nos aproximar das instituições, trazer as pessoas para dentro da cooperativa e desenvolver habilidades. Existe uma troca muito grande, porque nós também aprendemos quando ensinamos.”

Turma de formandos do Curso de Qualificação para Pessoas com Deficiência, em Tapejara/RS (Adriano de Moura Santos/ALB)

 

Turma de formandos do Curso de Qualificação para Pessoas com Deficiência, em Tapejara/RS (Adriano de Moura Santos/ALB)

 

Orador da turma, Mayllon de Oliveira Dutra, de 16 anos, durante cerimônia de formatura (Keli Magri/MB Comunicação)

 

Público de 500 pessoas participou do evento (Prefeitura de Tapejara/RS)

 

Público de 500 pessoas participou do evento (Prefeitura de Tapejara/RS)

 

Palestra-show com os irmãos Leonardo e Dudu do Cavaco, do Instituto Mano Down (Adriano de Moura Santos/ALB)

 

Desfile inclusivo celebrou as diferenças na construção de um mundo vasto e plural (Prefeitura de Tapejara/RS)

 

Representantes do poder público de Tapejara, Água Santa, Charrua, Sananduva e Ibiaçá participaram do evento (Adriano de Moura Santos/ALB)

Texto: Ascom MB

Foto: Adriano de Moura Santos/ALB

Conteúdo exclusivo de empresas participantes do Anuário Brasileiro do Agronegócio e Agricultura Familiar – LEIA O ANUÁRIO GRATUITAMENTE

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