A pesquisa e a comunidade estão trabalhando juntas para desenvolver e coordenar soluções tecnológicas que agreguem valor à cadeia produtiva da castanha-do-pará
Castanhas-do-pará produzidas por povos indígenas da Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, foram comercializadas na safra 2025/2026 com pagamento por serviços ambientais (PSA). Pela primeira vez, a produção recebeu compensação adicional pelo papel das comunidades na conservação da floresta, proteção da biodiversidade e manutenção do ecossistema.
O resultado é produto da parceria entre a empresa Castanhas Ouro Verde Importação e Exportação Ltda . e a Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (Coopirb), construída no âmbito do projeto “Novas soluções tecnológicas e ferramentas para agregação de valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia ” , coordenado pela Embrapa.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do NewCast, Patricia da Costa , o projeto tem como foco o desenvolvimento e a coordenação de soluções tecnológicas para agregar valor à cadeia produtiva da castanha-do-pará. “A experiência demonstra que a integração de tecnologia, organização social e mecanismos de valoração econômica é essencial para fortalecer as organizações locais e reconhecer os serviços ambientais prestados pelas comunidades que conservam a floresta”, enfatiza.
A União Nacional de Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária ( Unicafes ) também apoiou as negociações com a empresa Castanhas Ouro Verde, contribuindo para o fortalecimento do diálogo comercial e da representação da cooperativa indígena no processo de comercialização.

Boas práticas aumentam a qualidade e reduzem as perdas.
A adoção da tecnologia de Boas Práticas para a Produção de Castanha-do-Pará , recomendada pela Embrapa, contribuiu para a qualidade do produto comercializado. Ela orienta os agricultores sobre as melhores práticas desde a colheita até o transporte, lavagem, seleção, pré-secagem e armazenamento das castanhas, auxiliando na redução de perdas e na prevenção da contaminação.
Segundo o extrativista indígena Dalton Tupari, a aplicação das melhores práticas foi crucial para aumentar o valor do produto e negociar com a empresa compradora. “Essas recomendações nos ajudam em todo o processo, da colheita à entrega do produto. É uma vantagem adicional porque melhora a qualidade da castanha-do-pará, que já tem o benefício de estar associada à conservação florestal”, afirma Dalton.
Nesta safra, por meio da Coopirb, foram vendidas aproximadamente sete toneladas de castanha-do-pará, com pagamento adicional referente ao PSA (Pagamento por Serviços Ambientais). Para Tupari, o retorno econômico reforça a importância do trabalho realizado pelas comunidades indígenas. “É um reconhecimento do nosso trabalho. Coletamos, preservamos a natureza e recebemos um valor diferenciado por isso. Isso mostra que a conservação da floresta também gera renda para as famílias”, enfatiza.

Tecnologia, mercado e conservação
Para a pesquisadora da Embrapa Rondônia , Lúcia Wadt , o resultado demonstra a importância da integração entre pesquisa, conhecimento tradicional, organização social e mercado. “Desde 2015, a Embrapa vem apoiando os povos Tupari e Aruá da Terra Indígena Rio Branco com tecnologias de ponta para a produção de castanha-do-pará, principalmente por meio de projetos que fazem parte do Pacto das Águas e, mais recentemente, do NewCast. Na safra 2025/2026, colhemos os frutos desse trabalho, com o produto sendo valorizado por sua qualidade e pelo serviço ambiental prestado pelas comunidades”, enfatiza.
O contrato entre Castanhas Ouro Verde e Coopirb envolve comunidades indígenas de diferentes etnias em uma área de aproximadamente 236.000 hectares. Além do valor comercial das castanhas-do-pará, o acordo prevê um pagamento adicional de 20% à organização indígena como reconhecimento pelos serviços ambientais prestados pelas comunidades.
Os recursos são geridos coletivamente e podem ser aplicados em iniciativas comunitárias, como infraestrutura, saúde, educação, fortalecimento cultural e melhoria das condições de produção. Este modelo ajuda a garantir que uma parte do valor gerado pela cadeia produtiva permaneça nos territórios e beneficie diretamente as famílias extrativistas.
As cooperativas fortalecem o acesso aos mercados.
A experiência reforça o papel estratégico das cooperativas na organização da produção e na expansão do acesso aos mercados. No caso da Coopirb, a ação coletiva permite a integração da produção comunitária, a padronização de procedimentos, o fortalecimento da gestão comercial e a ampliação do poder de negociação.
A iniciativa também destaca a importância de compradores comprometidos com práticas sustentáveis e que valorizem a origem dos produtos florestais. Ao reconhecer a qualidade da castanha-do-pará produzida com boas práticas e remunerar os serviços ambientais associados à conservação florestal, a empresa Castanhas Ouro Verde contribui para consolidar um modelo de comercialização que integra atividade econômica, inclusão produtiva e conservação ambiental.

NewCast fortalece a cadeia de suprimentos da castanha-do-pará
O projeto NewCast concentra-se no desenvolvimento e na coordenação de soluções tecnológicas, organizacionais e comerciais para agregar valor à cadeia produtiva da castanha-do-pará. A experiência na Terra Indígena Rio Branco demonstra que a combinação de tecnologia, organização social, cooperativismo, um mercado estruturado e pagamento por serviços ambientais pode aumentar a renda da comunidade, reduzir perdas, melhorar a qualidade do produto e valorizar as terras indígenas na Amazônia.
Válido para a safra 2025/2026, o acordo entre a empresa Castanhas Ouro Verde e a Coopirb representa um sólido passo em direção à construção de modelos de negócios sustentáveis para produtos sociobiodiversificados. Mais do que apenas a venda de castanhas-do-pará, a iniciativa reconhece o papel dos povos indígenas na conservação da floresta e demonstra que a produção de produtos de qualidade e a preservação da Amazônia podem caminhar juntas.
Texto: Embrapa
Foto: Joze Medeiros


