Pesquisa da Embrapa revela avanço da concentração da produção de batata no Brasil e destaca mudanças no perfil dos polos produtores, com impactos para a competitividade e o planejamento do setor
A partir da caracterização dos polos de produção e de produtores de batata-inglesa no Brasil, pesquisadoras concluíram que essa hortaliça apresenta expressiva concentração produtiva, tendo em vista que há muitos estabelecimentos agropecuários que produzem pouco, enquanto poucos estabelecimentos agropecuários respondem pela maior parte do volume de produção.
Assinado pela pesquisadora Maria Thereza Pedroso, da Embrapa Hortaliças, em conjunto com a economista Zenaide Ferreira, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), o estudo baseia-se em dados do último Censo Agropecuário do IBGE para caracterizar, de forma indireta, os estabelecimentos agropecuários no âmbito da intensidade de uso de fatores tecnológicos nos polos de produção e de produtores de batata-inglesa no Brasil.
Para fins do estudo, as regiões que englobam a maior parte da produção foram denominadas “polo de produção”, sendo representadas pelo estado de Minas Gerais. Já as regiões com a maior parte do número de estabelecimentos agropecuários produtores foi denominada “polo de produtores”, o que corresponde ao estado do Rio Grande do Sul.
Sendo assim, no polo de produção, mais de 55% da quantidade de batata produzida concentrou-se em áreas superiores a 500 hectares. No polo de produtores, ainda que 70% dos estabelecimentos agropecuários tivessem área inferiores a 20 hectares, mais de 60% da produção estava concentrada em áreas superiores a 200 hectares.
Batata para mesa e para indústria
A batata é uma das principais hortaliças produzidas no Brasil em volume de produção. É cultivada para duas finalidades, para consumo fresco e para a industrialização.
No caso do consumo fresco, a batata é valorizada no mercado pela aparência do tubérculo, com formato alongado e pele amarela lisa, sendo cultivada em pequenas e grandes áreas espalhadas em todo país. Já no processamento industrial, o formato e o teor de sólidos solúveis são essenciais para a qualidade da fritura, seja em forma de palitos ou chips. Nesse caso, a batata é cultivada em grandes áreas em lavouras com alta mecanização em estabelecimentos agropecuários concentrados em Minas Gerais e São Paulo.
Outras variáveis analisadas
No estudo, a caracterização da cultura da batata também contemplou outros fatores, como os aspectos relacionados à produção familiar e patronal. De forma indireta foi possível analisar os níveis de tecnologias nas regiões dos polos.
Para tanto, foram analisadas as seguintes variáveis: o acesso à orientação técnica e ao associativismo; o nível educacional do produtor; o acesso aos meios de comunicação; o uso de adubação, calcário, agrotóxicos, irrigação e práticas agrícolas; despesas com aquisição de sementes, mudas e insumos; e itens de capital (maquinários e implementos).
Série sobre hortaliças
A publicação integra uma série de estudos de caracterização sobre várias culturas de hortaliças, com a proposta de esboçar o perfil tecnológico e a realidade dos polos de produção e de produtores.
De acordo com as autoras, o objetivo é que o conhecimento gerado possa ser utilizado para subsidiar a elaboração e a execução de políticas públicas para o setor hortícola e para compor um sistema de priorização de temas de pesquisa agronômica.
“As publicações podem embasar estratégias de ação de pesquisadores de Ciências Agrárias e Sociais e de diversos agentes econômicos da cadeia produtiva de hortaliças, com vistas ao aprimoramento do desenvolvimento tecnológico da produção”, pondera Maria Thereza.
Além do estudo sobre a batata, também foram elaborados estudos sobre a pimenta, o pimentão, a batata-doce, o coentro e o melão.
Texto: Embrapa
Foto: Paulo Lanzetta


