Agregar valor à produção agropecuária

Atuação da assistência técnica e extensão rural da Emater do Distrito Federal viabiliza implantação de agroindústrias, rotas do Queijo e da Fruticultura e avicultura semi-intensiva, com objetivo de fortalecer o setor no Distrito Federal 

A Emater do Distrito Federal tem se dedicado em apoiar a implantação e legalização de pequenas agroindústrias, respondendo a demanda por produtos processados, diretamente, pelos agricultores e suas organizações. Estas agroindústrias são caracterizadas pelo processamento simplificado, pela comercialização direta entre agricultores e consumidores e pela adesão à programas institucionais de aquisição de alimentos, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e PAPA (Programa de Apoio à Produção Agropecuária). O apoio da Emater-DF visa agregar valor à produção agropecuária e fortalecer o crescimento do setor no Distrito Federal. 

Rota do Queijo

Desde 2024, a Emater-DF começou a investir na produção de queijos artesanais como forma de incentivo às agroindústrias familiares e à cadeia do leite. Naquele ano, produtores começaram a se reunir e discutir as possibilidades de desafios da atividade leiteira, tendo a empresa estatal como catalisadora do processo. 

O evento teve a participação de 20 queijarias do Distrito Federal e entorno e contou com 66 queijos inscritos

Em novembro de 2024, a Emater-DF realizou o 1º Concurso de Queijos Artesanais. O evento reuniu 20 queijarias do Distrito Federal e entorno, com a participação de 66 queijos inscritos, que concorreram em diversas categorias. Ao final, 40 queijos foram premiados com medalhas de ouro, prata e bronze, celebrando a qualidade e a riqueza da produção artesanal local.

O presidente da Emater-DF, Cleison Duval, ao lado de Andrea Attanasio, proprietário da Apulia Queijos e Mozzarellas, que ganhou uma medalha de ouro e duas de prata

O presidente da Emater-DF, Cleison Duval, ressalta o impacto positivo do evento. “Com esse concurso, ficou claro que o futuro dos queijos artesanais no Distrito Federal é promissor. Nosso objetivo é que os produtores reconheçam a qualidade de seus produtos e que este concurso sirva de incentivo para buscarem o registro e expandirem suas vendas, alcançando novos clientes. O que presenciamos aqui é a prova de que a produção artesanal do DF possui qualidade de nível nacional”.

Apulia Queijos e Mozzarellas

A queijaria Apulia Queijos e Mozzarellas, situada em Ceilândia, tem oito anos de atividade e ganhou uma medalha de ouro e duas de prata. A medalha de ouro foi com o queijo burrata. “Trazer um queijo típico do sul da Itália para o coração do Brasil e ser premiado é uma alegria imensa. A burrata ganhou ouro e é feita com leite de vaca. Os clientes são acostumados com leite de búfala, que tem outro sabor. Mas a gente trouxe a nossa tradição para Brasília e tá tendo uma aceitação muito boa”, celebrou Andrea Attanasio. 

“É a primeira premiação que a gente ganha. É muito bom ter esse reconhecimento”, diz a produtora Marina Almeida

Queijaria Dona Aroeira

A produtora, Marina Almeida, 30 anos, da Queijaria Dona Aroeira, que fica em Abadiânia (GO), conquistou uma medalha de prata e duas de bronze. De acordo com ela, um dos queijos premiados, o Dona Aroeira, é uma homenagem à sua avó. “É a primeira premiação que a gente ganha, minha mãe, que não pode vir hoje, começou há pouco tempo e ela está muito emocionada. É muito bom ter esse reconhecimento. Queremos produzir mais queijos na região e também que as pessoas conheçam. Esse é um incentivo muito grande”, disse Marina.

Outro produtor emocionado foi Celso Lúcio Ferreira, de Cocalzinho, que levou três medalhas de bronze e uma de prata. “São dez anos de luta e ver todos os meus queijos premiados, mesmo que não seja com ouro, é uma alegria imensa. Agora, o objetivo é conquistar o ouro na próxima edição”, afirmou ele, com entusiasmo. Além das medalhas, o produtor vai poder colocar no queijo o selo da premiação. Ele também recebeu um certificado. 

Fórum da Comissão da cadeia do queijo da Emater-DF Crédito: Emater (DF)

Fórum do Queijo para apoiar e fomentar cadeia   

O governo do Distrito Federal promoveu, em 14/01/2025, o primeiro Fórum da comissão destinada a estudar e definir ações de fomento, apoio e incentivo à cadeia produtiva do queijo no Distrito Federal. O grupo reuniu produtores rurais e representantes de diversas pastas e instituições, como as secretarias de governo (Segov-DF), Agricultura (Seagri-DF), Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF), Turismo (Setur-DF), Economia (Seec-DF) e Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF). Também participam a Empresa de Regularização de Terras Rurais (ETR), a Emater-DF, a Fundação de Apoio à Pesquisa (FAPDF), o Banco de Brasília (BRB), o Instituto Brasília Ambiental e a Secretaria de Comunicação (Secom-DF).

O objetivo principal do fórum foi definir e validar os eixos de atuação que foram trabalhados pelo grupo. Entre os temas prioritários estão tecnologia e pesquisa, infraestrutura rural e logística, legislação e tributação, fomento e industrialização, mercado e divulgação, além de sustentabilidade e meio ambiente. O Decreto nº 46.718 instituiu a Comissão em 2 de janeiro de 2025, para fortalecer a cadeia produtiva do queijo no DF.

O queijo é um produto de grande potencial econômico e cultural e tem sido foco de esforços conjuntos para ampliar sua produção, melhorar a qualidade e conquistar novos mercados, impulsionando o desenvolvimento rural e econômico do Distrito Federal.

Como incentivo o Fórum realizou um concurso, com julgamento na manhã do dia 28/01/2025. Os 15 jurados avaliaram quatro categorias de queijo: queijo fresco de leite de vaca; queijo maturado de leite de vaca; queijo fresco de cabra, de ovelha e de búfala; e queijo maturado de cabra, de ovelha e de búfala.

Na busca por soluções para reduzir custos, diminuir o uso de mão de obra e otimizar a produção, a Emater-DF tem incentivado a atividade da avicultura semi-intensiva Crédito: Emater (DF)

Profissionalização da avicultura 

A avicultura no Distrito Federal tem um plantel de aproximadamente 66 milhões de cabeças e movimentou, em 2024, pouco mais de R$ 1,8 bilhão. Foram comercializados 135 milhões de quilos de carne de aves e 50 milhões de dúzias de ovos. A cadeia reúne cerca de 6,5 mil produtores. 

Com o crescimento anual da produção de ovos, cada vez mais, os avicultores têm a necessidade de profissionalização da atividade. Na busca por soluções para reduzir custos, diminuir o uso de mão de obra e otimizar a produção, a Emater-DF tem incentivado a atividade da avicultura semi-intensiva, conforme apresentado na AgroBrasília 2025.

A avicultura semi-intensiva se caracteriza pelo uso de linhagens adaptadas, geralmente, com produção de ovos coloridos, os quais agregam maior valor à produção. Este sistema de criação permite o acesso a piquetes, locais onde as aves têm acesso a pastagem ou ao fornecimento de forragens. “A Emater-DF orienta a criação de poedeiras de linhagens adaptadas ao sistema, com produção de ovos coloridos. Dessa forma o produtor consegue agregar maior valor à produção”, explica o médico-veterinário da Emater-DF, João Gabriel Palermo.

Ainda segundo o extensionista, a escolha de cada equipamento dependerá da quantidade de aves e do grau de tecnificação utilizado na atividade. “Por exemplo, bebedores automáticos só funcionam de forma plena se existir instalação hidráulica no galpão. O produtor consegue produzir sem água encanada ou energia elétrica, no entanto, o manejo diário demandará mais tempo. Então, é preciso avaliar as necessidades do produtor, a quantidade de aves e se ele tem disponibilidade de mão de obra”, afirma João Gabriel.

O sucesso da produção está na correta utilização dos equipamentos. “Não basta adquirir o equipamento, é essencial realizar um manejo adequado. Por exemplo, é necessário regular a altura dos comedouros e bebedouros, além de realizar a higienização”, destaca João Gabriel Palermo que acrescenta que a integração desses elementos contribui para aumentar a produtividade, economizar tempo e insumos.

Plantio de mirtilo marca o início da Rota da Fruticultura no DF e na Ride Crédito: Emater (DF)

Cadeia da fruticultura e Rota das Frutas

A cadeia da fruticultura no Distrito Federal movimentou em 2024, R$ 273,5 milhões, abrangendo as culturas convencionais e orgânicas. São mais de 2 mil hectares de área plantada e mais de 40 mil toneladas de frutíferas, dentre as quais se destacam o abacate, a goiaba, a banana e o limão. 

De olho nas possibilidades de expansão do mercado e no alto poder aquisitivo médio do brasiliense, a Emater-DF, em parceria com outros órgãos, tem apostado na Rota da Fruticultura, um incentivo ao plantio de mirtilo e açaí. 

A Rota da Fruticultura do DF deu o pontapé inicial efetivo do programa com o plantio simbólico das primeiras mudas de mirtilo, na Fazenda Amigos do Cerrado, do produtor rural, Ayrton Peres, localizada na Ponte Alta do Gama. O evento aconteceu no dia 19 de dezembro de 2023 e contou com a presença da vice-governadora do DF, Celina Leão, do presidente da Emater-DF, Cleison Duval, da deputada federal, Bia Kicis, do então secretário de Agricultura, Fernando Rodriguez, do coordenador da Rota da Fruticultura no DF e Ride, Luiz Curado, e do diretor da Área de Revitalização e Sustentabilidade Socioambiental da Codevasf, José Vivaldo de Mendonça Filho, além de produtores rurais e extensionistas da Emater-DF.

Ayrton Peres foi o primeiro produtor rural cadastrado no programa a iniciar o plantio de mudas de mirtilo no DF. O objetivo é plantar cinco mil mudas da variedade Emerald, sendo que desse número duas mil foram recebidas do projeto e três mil mudas adquiridas por conta própria. A orientação técnica de plantio e irrigação foram todas prestadas pela Emater-DF.

De acordo com o presidente da Emater-DF, Cleison Duval, a empresa de extensão rural é parceira integral da Rota da Fruticultura e está promovendo, aos extensionistas da empresa, capacitações como, por exemplo, a visita técnica ao Peru, maior produtor mundial de mirtilo, para conhecer o processo produtivo peruano, estabelecer contatos e aprimorar técnicas de cultivo.

“Nós estamos de corpo e alma na Rota da Fruticultura porque acreditamos de fato nessa possibilidade e grande oportunidade de gerar prosperidade no campo, por meio das frutas vermelhas. O mercado do DF é um grande consumidor de tudo o que a gente produz aqui, temos alta renda per capita e um público ávido por novidades. Por isso, estamos prontos para trabalhar conjuntamente com os parceiros da Rota, Codevasf, Embrapa Cerrado e Seagri-DF”, disse o presidente da Emater-DF, Cleison Duval. 

Desenvolvimento agrícola

Para o produtor rural, Airton Peres, é muito significativo ter acreditado no projeto de mirtilo da Rota da Fruticultura. Ele ressaltou que por ter saído na frente encontrou dificuldades imensas, mesmo com o apoio recebido pelo projeto.

“É importante, apesar das dificuldades, começar o projeto para incentivar os demais produtores, que estavam cheios de dúvidas. Assim, eles podem ver a produção na realidade, escutando a Rota, procurando melhorar a questão do pagamento das mudas. Hoje, vejo que estão animados. Além disso, a Emater-DF teve uma participação fantástica, o coordenador da Fruticultura, Felipe Camargo, e o gerente do escritório local do Gama, Kleiton Aquiles, estiveram conosco no dia a dia, procurando ajudar, tirar dúvidas. Foram incansáveis”, declarou Ayrton Peres.

A Rota da Fruticultura é uma ação do Ministério do Desenvolvimento Regional em conjunto com órgãos parceiros, associações e entidades locais, com objetivo de elaborar estratégias para aumentar a produção e o fornecimento de frutas para mercados internos e externos, gerar emprego e renda na região, promover o intercâmbio de experiências e tecnologias, diversificar e implantar novas culturas e fomentar e motivar novos agricultores na produção de frutas no DF e entorno.

O Acordo de Cooperação Técnica com a Codevasf formalizando a atuação da Emater-DF e da Seagri no trabalho que vem sendo realizado junto aos produtores rurais do DF visando aumentar a produção de frutas, como açaí e mirtilo no DF foi assinado na AgroBrasília 2023.

Principais iniciativas da Emater-DF

Estas ações têm como objetivo não apenas fortalecer a agroindústria local, mas, também, promover a sustentabilidade e a segurança alimentar, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social das comunidades rurais. 

Orientação e Capacitação: A Emater-DF orienta e capacita agricultores no processo de formação e legalização de agroindústrias, garantindo que atendam às normas e legislações vigentes.

Boas Práticas de Fabricação: Capacitação de agricultores e manipuladores nas Boas Práticas de Fabricação, assegurando a qualidade e segurança dos produtos.

Tecnologias de Alimentos: Orientação em tecnologias de alimentos e desenvolvimento de novos produtos, promovendo inovação e qualidade.

Rotulagem Nutricional: Elaboração de rotulagem nutricional e informações obrigatórias nos rótulos dos produtos, facilitando a transparência e a informação ao consumidor.

Adequação de Plantas Baixas: Auxílio na elaboração e adequação das plantas baixas dos estabelecimentos de processamento, garantindo a conformidade com as normas sanitárias.

Formação de Preços: Orientação na formação de preços dos produtos, ajudando os agricultores a precificarem de maneira justa e competitiva.

Gestão das Agroindústrias: Assessoria na gestão das agroindústrias, promovendo práticas de administração eficientes.

Divulgação e Comercialização: Apoio na divulgação e comercialização dos produtos fabricados, ampliando o acesso ao mercado.

Análises Físico-Químicas e Microbiológicas: Orientações quanto a análises físico-químicas e microbiológicas de água e dos produtos fabricados, garantindo a qualidade e segurança dos alimentos.

Projeto de Desenvolvimento do Queijo Artesanal: Execução do Projeto de Desenvolvimento do Queijo Artesanal no Distrito Federal, conhecido como Selo Arte, que visa valorizar produtos locais e tradicionais.

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