Safra Estadual de Citros é oficialmente aberta em Montenegro

Levantamento da Emater/RS-Ascar aponta perspectivas para a safra 2025/26, destacando os impactos do clima e os desafios enfrentados pelos produtores gaúchos na produção de grãos.

A Abertura Estadual da Safra de Citros de Montenegro já costuma ser um evento naturalmente festivo. O clima geral, com raras exceções, é de celebração. É de valorização dos produtores de bergamotas, laranjas e limões. E, na 26ª edição, que ocorreu na tarde desta ultima  sexta-feira (29/05), esse sentimento parecia ainda mais elevado. Talvez pela perspectiva de safra favorável, pela amenidade da temperatura – com o sol escondido entre às nuvens -, ou, mais especialmente, pela satisfação da família Kehl, os anfitriões do dia.

“Vocês não reparem se eu começar a chorar”, observou Everton Kehl, em seu discurso de abertura – enquanto as lágrimas não paravam de correr de seus olhos. “É que construímos tudo isso aqui sozinhos, com o empenho da família”, emocionou-se, citando a bela propriedade, que fica na localidade de Fortaleza. Receber, portanto, um evento que reúne não apenas agricultores, mas também técnicos, representantes de entidades e lideranças, era como um atestado de que a família, completada pela esposa Elisandra, e pelos filhos Brenda e Brian, está trilhando o caminho certo.

Antes da manifestação de Everton, um belo vídeo produzido com o apoio da Prefeitura de Montenegro, contou um pouco da história dos integrantes. Everton é, na realidade, neto de João Edvino Derlam, que é tido como o descobridor da bergamota Montenegrina, na longínqua década de 40, na região. “A fruta nunca cai longe do pé”, brincou o prefeito Gustavo Zanatta em sua manifestação durante o ato, pedindo perdão pelo trocadilho óbvio. Mas, em partes, a fruta inicialmente caiu longe do pé, já que tanto Everton quanto Elisandra trabalharam na cidade até pouco mais de uma década atrás, em segmentos da indústria e do comércio.

O retorno, de acordo com Elisandra, teve a ver com a busca pela qualidade de vida e por uma rotina menos atribulada, com mais proximidade da família, daqueles que se ama. Especialmente depois da chegada de Brian, que atualmente tem 15 anos. E por mais que a citricultura estivesse no DNA dos Kehl – o pai de Everton seguiu os passos do avô, sendo também produtor -, esse não era o caso de Elisandra, que sorri ao admitir que teve que aprender fazendo. O resultado é colhido na atualidade, com o pomar de 3.900 pés distribuídos em 7,5 hectares – a ampla maioria de bergamotas montenegrinas – tendo rendido 5.600 caixas de 25 quilos de fruta na colheita passada.

Esse ano os números devem ser mais modestos para os Kehl, por conta do efeito conhecido como produção alternada – em que anos de alta produção se alternam com outros de menor rendimento, por exigências fitossanitárias das próprias plantas. Mas, em linhas gerais, a perspectiva para a safra é a melhor possível para o ano de 2026, havendo a estimativa de que a produtividade alcance uma média de 17 toneladas por hectare no caso das bergamotas, com variedades precoces como Satsuma e Okitsu, além de Caí e Ponkan já tendo iniciado a colheita.

No caso da laranja, a previsão é de um volume superior ao colhido no ano passado, que foi de 20 toneladas por hectare. O mesmo valendo para o limão, com um quadro que permanece dentro da normalidade, com médias de 16 e 17 toneladas por hectare. “O cenário de estabilidade produtiva é impulsionado por uma combinação entre condições climáticas favoráveis e manejo técnico adequado adotado pelos produtores”, já havia explicado previamente o coordenador estadual de Fruticultura da Emater/RS-Ascar, Felipe Dias.

Os números positivos, como não poderia deixar de ser, se estendem para Montenegro, conhecida como a capital nacional da bergamota montenegrina. “Aqui, há uma tendência de que sejam colhidas 54 mil toneladas de bergamotas, em uma área plantada de três mil hectares”, ressaltou o extensionista da Emater/RS-Ascar Valmir Michelas. No caso das laranjas, os 300 hectares cultivados devem resultar em 9.000 toneladas do fruto, que se soma a mais mil toneladas de limão Tahiti, que tem uma área plantada de 40 hectares.

Presente no evento, o presidente da Emater/RS Claudinei Baldissera, saudou o público presente e o esforço coletivo de assistência a centenas de citricultores gaúchos, com programas concebidos pelas secretarias de Desenvolvimento Rural (SDR) e da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi/RS). “É uma soma que se reflete em desenvolvimento econômico e social, contribui para a sucessão rural, reforça o protagonismo das mulheres e promove a produção de alimentos saudáveis”, salientou.

O ato contou com a presença de outras autoridades, como o secretário de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi/RS), Márcio Madalena, o diretor técnico da Emater/RS Mateus Rocha e o presidente da Câmara de Citricultura Ivan Streit, além dos deputados federal Heitor Schuch e estadual Elton Weber. Durante a tarde também houve apresentação cultural, com a presença do grupo Os Paysanos, além de mostra de equipamentos das empresas parceiras e outras atrações.

O evento foi organizado pela Prefeitura, Emater/RS-Ascar e Seapi/RS do Governo do Estado, em parceria com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS), Associação Montenegrina de Fruticultores, Câmara Regional de Citricultura do Vale do Caí, Câmara Temática Municipal de Citricultura, Grupos Organizados do Lar (GOLs) – que foram responsáveis pela gastronomia à base de citros oferecida na tarde -, Biocitrus e Citroworks. O apoio foi das cooperativas Sicredi e dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus).

Texto: Emater/ RS

Foto: Divulgação

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