Iniciativa do Governo do Estado, aliada à assistência técnica da Emater/RS-Ascar, fortalece a sustentabilidade no campo e amplia a produtividade leiteira por meio do manejo adequado do solo e da água
Práticas conservacionistas de manejo do solo são essenciais à agricultura, evitam a erosão e possibilitam a disponibilidade de água e nutrientes para as plantas. Em Vespasiano Corrêa, os primos Fabrício e Andreza Balerini confirmam essa importância no dia a dia.
Com foco na produção leiteira, a família mantém cerca de 100 vacas em lactação e alcança uma média de 4.800 litros de leite por dia. Dos 90 hectares cultivados, a maior parte é destinada ao cultivo de alimentos para o rebanho. Para conservar a qualidade do solo, os produtores adotam diversas práticas sustentáveis, como calagem e construção de terraços.
Em uma análise recente realizada na área, foi constatado alto teor de saturação por alumínio, principalmente entre as camadas de 10 a 20 cm e de 20 a 40 cm de profundidade. Diante disso, os produtores decidiram realizar testes com a incorporação de calcário e adubação em uma área experimental.
“Não é um manejo que a gente está consagrado para fazer em todas as áreas, porque vai trazer benefícios, mas também é preciso abrir mão de algumas coisas, como, por exemplo, a matéria orgânica do solo que foi construída até aqui, que acaba se perdendo num primeiro momento”, comenta Fabrício Balerini, que também é engenheiro agrônomo e mestre em Ciência do Solo.
Para garantir a cobertura do solo, os agricultores optaram pelo plantio de milheto. “Essa cultura vai ajudar a proteger tanto o interior do solo quanto a superfície. E a gente entende que ao longo do tempo, tendo o efeito do calcário, vá melhorar esse ambiente para as raízes crescerem e atingirem uma profundidade maior, e com isso superar períodos de estiagem e aumentar a produtividade em anos bons”, explica o produtor.
CONDUÇÃO DA ÁGUA
Há aproximadamente uma década, a construção de terraços também foi adotada como prática conservacionista pela família. Fabrício Balerini relata que o principal objetivo foi conduzir a água de maneira mais adequada, evitando a erosão. “A gente precisa conciliar os benefícios da prática com o nosso tipo de relevo”, complementa o produtor.
A melhor condução da água incentivou a expansão do terraceamento para outras áreas da propriedade, sempre considerando as características locais. “No início a gente procura fazer com o menor custo possível. Depois que tu entendes que é importante, passas a investir nisso, mas de forma consciente”, pontua Fabrício.
A extensionista rural da Emater/RS-Ascar Nádia Pilotto conta que a prática tem servido de referência para outros agricultores de Vespasiano Corrêa. “O terraceamento não é muito adotado pelos agricultores do município. Então nos utilizamos dessa propriedade para mostrar os seus benefícios para a manutenção da água na gleba e para evitar a erosão, o que vai interferir depois na produtividade das áreas”.
TERRA FORTE POTENCIALIZA AÇÕES
A propriedade recebeu recursos da Operação Terra Forte. O programa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), executado pela Emater/RS-Ascar, visa promover a resiliência climática das propriedades por meio de ações combinadas para a melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.
“O programa proporciona aos produtores não só investir no corretivo, no fertilizante, no adubo, mas principalmente associar esses insumos importantes com práticas de descompactação, de terraceamento e do uso de plantas de cobertura”, detalha o extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Ronaldo Carbonari.
O foco da família Balerini com a participação na Operação Terra Forte é identificar pontos de lavoura que ainda estão com deficiências a fim de realizar as correções necessárias. “Sabemos que o programa não vai custear todas as despesas, mas entendo que é uma forma de buscar um recurso que está vindo do Governo do Estado e que vai permitir experimentar um manejo diferente”, avalia Fabrício.
Andreza Balerini também pontua a importância do Programa para a recuperação das perdas ocasionadas pelas enchentes de 2024 e ressalta as outras ações planejadas para a propriedade a partir da Operação Terra Forte. “Além do tratamento do solo, também teremos a parte ambiental e social. Vamos conseguir aprimorar ainda mais o tratamento de dejetos na propriedade e fazer recuperação do pomar, que é importante para o consumo de um alimento direto da planta”.
Andreza completa afirmando que o apoio técnico da Emater/RS-Ascar tem sido fundamental para dar segurança aos agricultores e incentivar a continuidade das práticas conservacionistas. “A tecnologia vem como um benefício importante, mas ela não apaga a necessidade de pensar no básico também. E a Emater traz esse conhecimento técnico que muitas vezes o produtor carece, mas que cada vez mais ele vê a importância”, finaliza.
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar


