Práticas mais sustentáveis

Biomarcadores avançam como ferramenta ambiental na piscicultura brasileira. Método de baixo custo auxilia no monitoramento da saúde dos peixes e da qualidade da água em sistemas de criação

O uso de biomarcadores vem se consolidando como uma estratégia eficaz para monitorar o bem-estar de peixes e a qualidade da água em ambientes de cultivo. A ferramenta, baseada em indicadores biológicos presentes no sangue e tecidos dos animais, permite identificar sinais precoces de estresse causados por variações ambientais, presença de contaminantes ou práticas de manejo inadequadas.

A abordagem é uma das frentes do Projeto BRS Aqua, conduzido pela Embrapa Meio Ambiente, que desenvolve e testa soluções tecnológicas para tornar a aquicultura brasileira mais eficiente e sustentável. Em uma das etapas mais recentes da iniciativa, cerca de 100 participantes tiveram contato com a metodologia e seus princípios, em atividade realizada na sede da Embrapa, em Jaguariúna (SP).

De baixo custo e aplicação prática, os biomarcadores oferecem uma alternativa às análises convencionais da água, permitindo um diagnóstico mais direto da resposta dos peixes às condições do ambiente. A proposta é adaptar ao setor aquícola uma técnica já comum em áreas como a medicina humana e veterinária.

“Estamos promovendo a transição dessa tecnologia para a produção aquícola, onde ela pode fazer grande diferença tanto no monitoramento ambiental quanto na saúde dos animais”, afirma a pesquisadora, Márcia Ishikawa, uma das coordenadoras do projeto ao lado do pesquisador, Julio Queiroz, e do analista, José Henrique Vallim.

A iniciativa também busca formar uma nova geração de profissionais familiarizados com a ferramenta, ampliando sua adoção em diferentes segmentos da cadeia produtiva. “Essa capacitação é estratégica. São esses profissionais que estarão à frente da implementação de práticas mais sustentáveis na piscicultura brasileira”, destaca Ishikawa.

Segundo Queiroz, a ampliação do uso da técnica exige o envolvimento de todos os atores do setor. “Nosso objetivo é levar esse conhecimento para além do meio acadêmico. Técnicos, piscicultores e gestores também precisam ter acesso a essa metodologia. A qualidade da produção passa pela integração de todos os elos”, reforça.

A técnica permite, por exemplo, detectar alterações fisiológicas nos peixes antes mesmo de ocorrerem perdas visíveis no plantel, o que favorece intervenções preventivas e melhora os índices de produtividade. Com isso, os biomarcadores surgem como aliados na gestão de riscos e na redução do impacto ambiental da atividade.

O Projeto BRS Aqua já promoveu outras ações voltadas à inovação na aquicultura e prevê, para os próximos meses, a realização de novos encontros voltados a públicos diversos, com foco na disseminação da tecnologia. A expectativa é fortalecer a transferência de conhecimento e estimular a adoção de práticas mais eficientes em diferentes contextos produtivos.

Além do avanço tecnológico, a proposta reforça a importância da colaboração entre instituições de pesquisa, ensino e o setor produtivo para o fortalecimento de uma aquicultura mais sustentável. Ao aproximar a ciência da prática, iniciativas como essa contribuem para a construção de sistemas de produção mais resilientes, com foco na sanidade animal, na qualidade ambiental e na segurança alimentar.

Cristina Tordin (MTB 28499/SP)

Embrapa Meio Ambiente

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