Safra de 759,7 milhões de toneladas representa queda de 2,9% em relação a 2023. Valor de produção agrícola é de R$ 105 bilhões, aumento anual de 3%
A safra de cana-de-açúcar alcançou um total de 759,7 milhões de toneladas (queda de 2,9%), mantendo-se na segunda posição em valor de produção, com R$ 105 bilhões (aumento de 3%), conforme a Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE.
Segundo a PAM, a safra de cana-de-açúcar, em 2024, teve queda na produtividade em função do clima e ocorrências de queimadas em áreas de canaviais. “A produção alcançou um total de 759,7 milhões de toneladas, representando uma queda de 2,9% em relação ao ciclo anterior. Contudo, o produto manteve-se na segunda posição em valor de produção agrícola, com R$ 105 bilhões, incremento anual de 3,0%, principalmente por conta da valorização do preço do etanol e o consequente repasse às usinas de cana”.
O supervisor da pesquisa, Winicius Wagner, ressalta que a maior demanda interna por etanol absorveu boa parte do processamento da cana-de-açúcar, em busca de maior rentabilidade, mesmo com o aumento da concorrência do etanol à base de milho. “Por consequência, o açúcar, outra commodity derivada da cana, teve seu preço reduzido no mercado global, o que também influenciou na retração do volume produzido no ano”, acrescenta. “Ainda assim, os dados da Secex indicam um incremento de 22,2% nas exportações do produto, que é líder de produção e exportação no mercado global”.
A PAM mostra que as áreas destinadas aos canaviais, que vinham decrescendo na última década, voltaram a registrar expansão em 2023 e 2024, superando 10,1 milhões de hectares, sendo que 66,0% se concentram na Região Sudeste.
Mesmo com queda de 4,7% no volume produzido, a pesquisa mostra que o estado de São Paulo respondeu, sozinho, por 53,6% do valor de produção nacional, com um total de R$ 56,3 bilhões, seguido por Minas Gerais, com R$ 12,2 bilhões.
“A Região Centro-Oeste registrou aumento de 3,5% da área plantada, totalizando 1,9 milhão de hectares, que produziram 153,2 milhões de toneladas, aumentando sua participação para 20,2% do total nacional. Entre as Unidades da Federação, os destaques são Goiás e Mato Grosso do Sul, que aparecem na 3ª e 4ª posições entre os maiores produtores do país, respectivamente”.
Safra 2025/2026
Conforme a Conab, a segunda estimativa para a produção de cana-de-açúcar na safra 2025/26, sinaliza uma produção de 668,8 milhões de toneladas, redução de 1,2% em relação à safra anterior. “Essa redução se deve às condições climáticas desfavoráveis durante as fases de rebrota e desenvolvimento das lavouras em 2024, sobretudo no Centro-Sul, onde, além da irregularidade hídrica e excesso de temperaturas, na maioria dos estados, foram registrados focos de incêndios, que afetaram parte dos canaviais. Esse resultado se baseia nas informações levantadas em todas as unidades de produção do setor sucroenergético do país”.
De acordo com o Acompanhamento da Safra Brasileira, serão destinados 8,85 milhões de hectares de cana-de-açúcar para a colheita, 1% acima da área colhida em 2024/25. “Há expectativa de redução da produtividade em 2,1%, reflexo do clima menos favorável, resultando em uma produtividade média estimada em 75.575 kg/ha”.
O documento explica que a redução na produção de cana-de-açúcar repercute sobre a produção de etanol e açúcar, mantendo, entretanto, a produção do adoçante como a segunda maior da série histórica da Conab. “Além disso, esta safra mostra um comportamento atípico entre a relação de produtividade e açúcar total recuperável (ATR), que costumam ter relação inversa. As condições climáticas apresentadas, principalmente à restrição hídrica e às altas temperaturas observadas, influenciaram na fisiologia da planta, reduzindo a biomassa e limitando o acúmulo de sacarose. Eventos de queimadas e geadas, quando presentes, agravam a redução de ATR e produtividade”.



