Trigo no Brasil: desafios e oportunidades para a moagem nacional

Indústria moageira avança em meio a desafios climáticos e logísticos, com papel estratégico na segurança alimentar e na integração do agronegócio ao consumo

O trigo é um dos cereais mais estratégicos para a segurança alimentar global e tem papel de destaque também no Brasil, onde abastece diretamente a indústria de alimentos. Em entrevista ao Anuário Brasileiro do Agronegócio e da Agricultura Familiar, Rubens Barbosa, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), analisa o desempenho recente da moagem no país, os impactos regionais da safra, os principais desafios do setor e as iniciativas da entidade para fortalecer a inovação, a sustentabilidade e a integração do agronegócio brasileiro com as demandas do consumidor.

Anuário: Como está o cenário da moagem de trigo no Brasil? Há algum estado que se destaca mais?

RB: A moagem brasileira apresentou um crescimento de 3% em 2024, após um período de relativa estabilidade. No entanto, em função de problemas climáticos no Sul do país, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que são exportadores regionais de farinha, registraram queda de aproximadamente 11% na moagem. Já São Paulo, maior importador de farinha de outros estados, cresceu 17%. Essa movimentação regional está diretamente associada à safra nacional de trigo e ocorre em períodos de menor oferta nos principais estados produtores, como Rio Grande do Sul e Paraná.

Anuário: Quais os principais desafios enfrentados pelos moinhos de trigo atualmente?

RB: O mercado mundial disponibiliza trigo em volumes suficientes para atender à demanda dos países importadores. No caso brasileiro, a maior ou menor necessidade de trigo importado está relacionada a fatores climáticos e à limitação da capacidade de armazenagem da safra nacional.

Anuário: Qual é a importância da Abitrigo no incentivo à inovação e à sustentabilidade na indústria moageira?

RB: A Abitrigo responde atualmente por 80% da oferta nacional de produtos derivados da moagem de trigo. O cereal é a principal fonte de alimentação mundial, inclusive no Brasil, e desempenha papel essencial na cadeia alimentar global. A entidade atua de forma sistemática na difusão de informações ao setor produtivo, alinhando-se às demandas do mercado brasileiro. Além disso, promove inovações relacionadas à qualidade e melhoria contínua dos produtos, logística de entrada e saída, além de contribuir para avanços nos processos tributários e regulatórios.

Anuário: De que forma a Abitrigo contribui para o fortalecimento do agronegócio brasileiro e do setor de alimentos?

RB: A Abitrigo atua como elo integrador entre as demandas dos consumidores e a oferta do agronegócio. Por meio de seu trabalho, o setor produtivo pode alinhar suas estratégias às necessidades do mercado de consumo. A indústria de alimentos depende do desenvolvimento de novas farinhas e, portanto, está diretamente conectada a essa integração que a entidade promove junto aos produtores de trigo.

Anuário: Há curiosidades ou dados que ajudam a entender melhor a relevância dos moinhos de trigo para o desenvolvimento humano e a segurança alimentar no Brasil?

RB: O trigo é considerado, em nível mundial, o alimento de maior relevância quando se trata de segurança alimentar. Ele responde por cerca de 20% das necessidades nutricionais humanas e é o único alimento “universal”, consumido em todos os países do mundo.

Conteúdo exclusivo de empresas participantes do Anuário Brasileiro do Agronegócio e Agricultura Familiar – LEIA O ANUÁRIO GRATUITAMENTE

Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.